Escalada flui em Jacarepaguá – RJ

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Segundo Felipe Dallorto, o Parque Estadual da Pedra Branca reúne os maiores cumes da região, que já conta com um site para divulgar o potencial que o lugar oferece para a modalidade


O Estado do Rio de Janeiro é rico em montanhas e atrai escaladores de todas as partes do planeta. O número de vias existentes classifica a Cidade Maravilhosa como o maior centro urbano de escalada do mundo. Entre tantas opções, o bairro de Jacarepaguá, localizado na zona oeste da cidade, oferece uma diversidade de estilos como fendas, diedros, boulder, chaminés, aderência, artificial móvel e esportiva.
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Quem afirma é Felipe Dallorto, que há 10 anos pratica o esporte. “Jacarepaguá tem um potencial enorme, pois é o único local do Rio de Janeiro que ainda existe espaço e montanhas virgens a serem conquistadas, fora a diversidade de estilos”. Longe da agitação da cidade, o bairro preserva características bucólicas. “É um ambiente meio rural, meio urbano, estilo a região serrana do Rio de Janeiro”, continua.
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Diversos bairros pertencentes à área oferecem condições para os escaladores. “Freguesia, Taquara, Vargem Grande, Anil, Vargem Pequena, Vila Valqueire, Camorim e Itanhangá possuem montanhas e opções para a escalada. Vale a pena ressaltar o Parque Estadual da Pedra Branca, no bairro da Taquara, onde se concentram as maiores montanhas e o maior número de escaladas. É a maior floresta em área urbana do mundo”.
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Dallorto começou a explorar Jacarepaguá em 2002. Antes, ele escalava no Parque Estadual dos Três Picos. “Quando iniciei, só ia para Salinas. Todo o final de semana estava lá na companhia do Sérgio Tartari e seu irmão, Giovanni. E foram eles que me falaram das vias belíssimas que existem em Jacarepaguá. No primeiro final de semana sem ir para Salinas, comecei a procurar as tais vias que eles mencionaram”.
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Nesse contato, ele encontrou rotas antigas. “Existem muitas vias abertas na década de 30, que estão com proteções podres e acessos difíceis de se encontrar, o que complica qualquer escalador a fazer esses trajetos. Logo depois, conheci as montanhas da Pedra Branca com belíssimas escaladas e vales alucinantes. É um diferencial para o Rio de Janeiro já que, praticamente, todas as escaladas estão concentradas no centro urbano como Urca e Floresta da Tijuca”.
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Devido ao potencial da região, Felipe quis dividir o que encontrou com os amigos. “Como eu tinha muitas informações sobre as escaladas históricas, que muitos desconheciam, resolvi colocar na internet. O blog se chamava EscaladaJPA e funcionava como uma croquiteca online”. O apoio ao trabalho foi imediato. “Várias pessoas me incentivaram e as perguntas foram crescendo. Muitos queriam saber se em Jacarepaguá ia ter clube de escalada ou não? Com os contatos, formamos grandes amizades”.
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Em seguida, outra idéia surgiu e o blog virou um site. “Um belo dia, meu amigo Gustavo Coelho, me chamou para conquistar uma montanha e no final da conquista, ele sugeriu a criação de um grupo. Então, criamos a União dos Escaladores de Jacarepaguá (UEJ), que é a reunião de grandes amigos que foram muito importantes no início do projeto e que ainda nos ajudam. Nosso propósito é mostrar o potencial que o lugar oferece para escalada”.
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O objetivo da União dos Escaladores de Jacarepaguá é incentivar as escaladas na região da baixada de Jacarepaguá, recuperar as trilhas de acesso na base das vias, recuperar as vias de escalada e documentá-las. A UEJ também se propõe a disseminar o conhecimento sobre regrampeação e a técnica de conquista. “No dia 06 de dezembro do ano passado, Dalton Chiarelli, um dos pioneiros das escaladas em JPA, promoveu sua primeira palestra sobre o tema”, conta Dallorto.
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As opções para escaladas são muitas. “As principais montanhas com diversas vias da região são: Pedra Hime, Pedra Grande, Pedra do Calhariz, Pedra da Quitinilha, Morro Três Irmãos, Morro Dois Irmãos, Pedra Rosilha, Pedra do Calembá, Pedra Rosilha, Morro da Pena, Morro da Panela, Morro do Quitite, Morro Mata Cavalo, Pedra do Itanhangá, Falésia do Valqueire, entre outras que estão esperando serem conquistadas”, avisa.
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Carreira

Felipe Dallorto nasceu no dia 11 de outubro de 1981. Carioca da Gema, encontrou no mar sua aptidão para o esporte. E foi justamente pegando onda na Prainha, na zona oeste do Estado, que ele teve encontro com a escalada. “Em 99, vi um cara escalando nos blocos de rocha na Prainha, enquanto eu surfava. Fiquei muito curioso e ao sair do mar, comecei a interrogá-lo. Ele me recebeu muito bem e achei aquilo fantástico, um domínio de corpo e mente impressionante, qualidades que o surf também tem”.
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O interesse o levou a praticar. “Comecei sozinho fazendo boulder, que é escalada em pequenos blocos que não precisa de técnicas e segurança. Depois, encontrei um amigo que já escalava e ele me apresentou ao Sergio Tartari, um grande escalador de renome nacional e internacional, que mora em Salinas, no Parque Estadual dos Três Picos. Foi lá que fiz o meu primeiro curso de escalada em grandes montanhas”.
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Hoje, Felipe Dallorto é federado pela FEMERJ (Federação de Esporte de Montanha do Estado do Rio de Janeiro) e tem em seu currículo outros importantes cursos. “Curso de guia e de proteção móvel, ambos homologados pela FEMERJ. Pela FAB (Força Aérea Brasileira), completei o curso de primeiros socorros e sobrevivência na selva, Treinamento de alto resgate ministrado pela AGUIPERJ (Associação de Guias, Instrutores e Profissionais de Escalada do Estado do Rio de Janeiro), onde estou em processo de filiação”, conta.
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Dallorto também é formado em Turismo pela Marc Apoio. Com o curso, ele está habilitado para exercer a função de guia de turismo regional, nacional e América do Sul. Atualmente, exerce a função de Coordenador de Operações, na empresa Trilhas do Rio. Além dos esportes, ele já percorreu os corredores da moda como modelo e também esteve em diversos palcos de teatro, quando adolescente. Para conhecer o site da União dos Escaladores de Jacarepaguá, basta acessar www.escaladoresdejacarepagua.org

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Sobre o autor

Texto publicado pela própria redação do Portal.

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