Expediçao Brasileira ao Himlung 7126m – Nepal

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Pela primeira vez um grupo de montanhistas brasileiros se lança ao desafio de escalar o Monte Himlung Himal, pico de 7126 metros de altitude localizado no Nepal.

Equipe de montanhistas brasileiros em Kathmandu.

Escalado pela primeira vez somente no ano de 1992 por uma equipe japonesa, o Himlung é ainda uma montanha desconhecida da maioria das pessoas. Ela fica ao norte do maciço do Annapurna e a oeste do Manaslu, duas famosas montanhas de 8 mil metros neste simpático país asiático.

A região onde o Himlung está localizada é muito próxima ao Tibet e mesmo estando no Nepal, a população que vive nos vales da região é da etnia tibetana. Em virtude da presença chinesa no Tibet, a região do Himlung é onde esta cultura ancestral se encontra melhor preservada.

A expedição se dividirá em duas partes. Na primeira, o grupo sairá de Kathmandu, capital do Nepal, e se dirigirá por terra até a cidade de Besisahar. De lá, através de veículos 4×4, o grupo chegará na vila de Koto, onde se iniciará a aproximação à pé pelo vale do rio Nar. Serão 31 km rio acima e 1600 metros de desnível até Phu, uma das vilas mais típicas da cultura tibetana.

Chegando a Besisahar após muito sacoleijar na estrada.

O acampamento base da montanha está localizado cerca de 8 km para cima de Phu, em um local prazeroso, ao lado de um glaciar, a 4900 metros de altitude numa região composta por prados. Ali começa a escalada.

A expedição brasileira utiliza a logística da 8k, ela é guiada pelo experiente montanhista brasileiro Pedro Hauck. Faz parte do time os seguintes membros:

Permisso emitido pelo governo do Nepal para a escalada do Nepal.

 

É a primeira vez que brasileiros tentam esta montanha e a equipe internacional é guiada pelo experiente montanhista paranaense Pedro Hauck.

  1. Maria Tereza Ulbrich, montanhista de Curitiba, famosa por ter escalado mais de 20 montanhas andinas diferentes acima dos 6 mil metros.
  2. Luís Valério Cavalieri, montanhista de Macaé – RJ que após os 50 anos de idade dedicou-se com afinco no montanhismo e vem de uma sequência grande de ascensões nos Andes. É sua primeira experiência no Himalaia.
  3. Thiago Mello, montanhista de São Paulo. Esteve em diversas montanhas, como Lenin Peak (Quirguistão), Ama Dablam  (Nepal), Sajama e outras.
  4. Silvio Gastaldi, montanhista de Ribeirão Preto, já escalou na Bolívia e na Argentina
  5. Marlus Jungton, montanhista de Curitiba, mas que mora em Minas Gerais, escalou o Aconcágua e pretende no Himlung aumentar seus limites.

Além dos seis integrantes brasileiros há mais nove integrantes estrangeiros de países diferentes, como Islandia, Alemanha e França.

Acompanhe aqui no AltaMontanha o dia a dia da expedição:

Dia 04 de Outubro de 2021 – Chegada em Kathmandu

Os montanhistas Pedro Hauck e Maria Ulbrich se encontraram com o demais integrantes do time em Kathmandu.  Assim, a equipe aproveitou os dias na capital nepalesa para terminar os trâmites burocráticos da escalada e também alugar e comprar os equipamentos que estavam faltando.

Com as malas prontas e tudo em ordem eles puderam conhecer um pouquinho da cidade. Kathmandu é metrópole caótica porém cheia de cultura e espiritualidade. Assim, os brasileiros visitaram alguns templos da fé hindu e budista, duas religiões que convivem lado a lado há centenas de anos.

Visita aos templos de Kathmandu.

Eles também puderam presenciar alguns rituais tradicionais como uma cremação ao ar livre no rio  sagrado e  conhecer um pouco mais da cultura desse povo.

Dia 08 de Outubro – Viagem para Besisahar

Os brasileiros que irão escalar o Himlung Himal acordaram cedo para por o pé na estrada com destino ao Besisahar. A viagem até essa cidade é uma aventura a parte e bastante cansativa. Foram mais de cinco horas para percorrer cerca de 170 quilômetros.

Equipe pronta para viagem.

Antigamente, era nessa cidade que começava o trekking ao Annapurna, todavia as trilhas foram substituídas por uma estrada. “Este ano a estrada está pior do que já era. Vários deslizamentos interromperam o tráfego e só chegaremos a 10 km do vale de Nar, que nasce no Himlung”, contou Hauck.

A viagem seguirá em jipes 4×4 indianos até a vila de Bagarchap, onde eles pernoitaram antes de começar o trekking até o acampamento base do Himlung. Confortável não é a melhor palavra para descrever o próximo trecho, no entanto o visual das montanhas no horizonte deixou todos animados.

O time irá descansar em Besisahar antes de encarar mais alguns quilômetros de sacolejo amanhã.

Dia 11 de Outubro – Chegada a Vila de Phu

Após uma boa noite de descanso, a equipe de brasileiros no Nepal voltou para estrada em jipes indianos 4×4. No entanto, a viagem foi um pouco mais curta do que o esperado. Alguns deslizamentos de terra ocorridos na última monção (temporada de chuvas intensas) atingiram a estrada e a interromperam.

Parada para esticar as pernas e apreciar a vista.

Cascata no Rio Marsyangdi

Durante essa temporada também houve muitas enchentes que causaram bastante destruição. No entanto a população já começou a reconstruir suas vilas e vidas. A equipe brasileira chegou até a vila de Bagarchap onde descansaram.

No dia seguinte foi preciso calçar as botas de trekking. Foram cerca de 10 quilômetros de caminhada pela antiga trilha do circuito do Annapurna transformada em estrada. Porém, os brasileiros optaram por ir por uma trilha secundária que beira a estrada. A caminhada não foi nada ruim, uma vez que as paisagens são incríveis. Durante o caminho eles passaram por pontes, cachoeiras, florestas e vales.

Trilha ao lado da estrada.

Ponte sobre o Rio Marsyangdi

Depois de passar a noite em Koto, a equipe ganhou “Katas” de presente dos moradores. Esses são os tradicionais lenços tibetanos abençoados para dar boa sorte aos montanhistas durante a jornada. Assim, a equipe seguiu no trekking com destino a vila de Phu.
Para chegar até lá é preciso percorrer o remoto vale do rio Nar. Nesse trecho a paisagem já come a mudar e a equipe pode visualizar algumas montanhas como o Annapurna 2.

Moradora de Koto.

Phu é uma pequena vila isolada que segue as tradições tibetanas. Com casebres simples feitos de pedra e moradores desconfiados e ao mesmo tempo receptivos. Esse é o último ponto de civilização antes do Himlung Himal.

Chegando a vila de Phu.

 

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Sobre o autor

Pedro Hauck natural de Itatiba-SP, desde 2007 vive em Curitiba-PR onde se tornou um ilustre conhecido. É formado em Geografia pela UFPR, possui mestrado em Geografia Física pela UFPR. Atualmente é sócio da Loja AltaMontanha, uma das mais conhecidas lojas especializadas em montanhismo no Brasil e também é guia de montanha pela agência GenteDeMontanha, sendo instrutor de escalada pela AGUIPERJ. Ao longo de mais de 22 anos dedicados ao montanhismo, já escalou mais 100 montanhas com mais de 4 mil metros, destas, mais da metade com 6 mil metros e um 8 mil do Himalaia. Visite o Blog de Pedro em www.pedrohauck.net. Siga ele no Instagram @pehauck

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