O duque de Abruzzo, um nobre alpinista

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A história do montanhismo mundial esta cheio de personalidades que se destacaram com seus feitos nas montanhas. Luis Amadeo de Saboya, o duque de Abruzzo esta entre eles . Foi em homenagem a suas realizações que a principal rota de escalada do K2 recebeu o nome de Abruzzi.  Mesmo possuindo sangue azul, Saboya abdicou de uma vida luxuosa em prol de suas explorações.

Luis Amadeu de Saboya

Luis Amadeo José Maria Fernando Francisco de Saboya, filho do Rei da Espanha, Amadeo I de Saboya, nasceu na corte espanhola em 1873. Seu nome carrega a tradição dos vários sobrenomes e o sangue nobre dos príncipes. Entretanto, isso começou a mudar quando ele foi criado na Itália com educação militar e rígida e se destacou como explorador e alpinista.

Em 1892, Saboya começa as suas explorações nos Alpes, com subidas frequentes no Gran Paradiso e no maciço do Mont Blanc. Ele também realizou ascensões no Dente do Gigante, no Monte Rosa, Cervino, a travessia do Grandes Charmoz e do Grépon, e subiu o Petit Dru. Porém, o feito de maior destaque nos Alpes foi a escalada do Zmutt del Cervino ao lado de Alfred Mummery.

As primeiras conquistas

Ainda aos 24 anos de idade, ele realizou seu primeiro grande feito conquistando o monte San Elias com 5.484 metros, no Alasca . Sua vida como explorador continuou e em 1899, o duque e sua equipe chegaram ao Polo Norte onde atingiram um novo recorde de latitude (86 ° 34 ′ N). A meta era atingir os 90º, porém um grave acidente o feriu, Saboya perdeu dois dedos da mão e alguns de seus homens e decidiu retornar.

Após essa expedição, o duque se dedicou a algumas navegações pelo mundo e explorou as chamadas Montanhas da Lua, os Ruwenzori na África. E em 1909, após o rompimento com sua grande paixão Katherine Elkins, ele empreendeu uma grande expedição até a Cordilheira do Karakorum. Assim, essa foi a aventura que lhe colocou o nome do duque de Abruzi como uma das mais importantes figuras do montanhismo mundial.

As explorações na Cordilheira do Karakorum

Durante sua viagem ao Karakorum,  Saboya realizou diversas explorações e identificou as diferentes inclinações do K2. Assim, o duque estabeleceu a rota normal da emblemática montanha que recebeu o nome de rota Abruzzi. Ele e sua equipe chegaram aos 6.500 metros de atitude dessa montanha. Entretanto, esse foi um grande feito para época e a conquista do K2 só foi realizada quase 50 anos depois, utilizando a rota descoberta por Saboya.

Expedição do duque de Abruzzo no Karakorum

Nessa viagem ele também realizou estudos sobre os efeitos da altitude no organismo e algumas pesquisas geográficas, topográficas, geológicas e glaciológicas de extrema importância. Saboya conquistou ainda os 7.500 metros no monte Chogolisa e estabeleceu o recorde de altitude. Essa altitude só foi ultrapassada treze anos depois com a escalada do Everest.

Luis Amadeu de Saboya no Chogolisa

Além de alpinista

Em sua vida militar, Saboya realizou lutou na Primeira Guerra Mundial, e conseguiu salvar mais de 100.000 sérvios das forças alemãs e austríacas. Porém, o duque decidiu deixar o exército logo após a guerra para se dedicar a um projeto agrícola inovador na Somália. Desta maneira ele levou progresso a região do país africano construindo edifícios, fábricas e estradas de ferro que deram origem a 16 cidades.

Aos 50 anos de idade, Saboya voltou a se dedicar as explorações em busca das fontes dos Uebi-Scebeli. Assim, o grupo liderado pelo nobre montanhista percorreu 1.400 quilômetros de um rio na Etiópia, realizando um estudo cartográfico de uma região completamente desconhecida até então. Esta foi a ultima expedição realizada por Saboya.

Em 1933 o duque de Abruzzo estava doente e começou a se sentir mal e decidiu voltar para a Somália, abrindo mão de um possível tratamento médico na Itália. Assim, Luis Amadeo de Saboya morreu aos 60 anos em uma casa simples, cercado de poucas pessoas. Após sua morte o duque de Abruzzo recebeu inúmeras homenagens dos moradores das cidades criadas por ele. Todavia, nenhum nobre se pronunciou sobre o seu falecimento até que Benito Mussoline realizou um discurso homenageando o alpinista e declarou luto oficial na Itália por 20 dias.

 

 

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Sobre o autor

Maruza Silvério

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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