Pan-Americano de Escalada de Velocidade faz história em Curitiba com disputas acirradas e destaque brasileiro

0

Primeira edição do campeonato continental foi realizada nos dias 22 e 23/08 e reuniu atletas das Américas no Centro de Treinamento Olímpico de Escalada do Parque Olímpico do Cajuru.

Curitiba recebeu, nos dias 22 e 23/08, a primeira edição do Campeonato Pan-Americano de Escalada de Velocidade. Realizada no Centro de Treinamento Olímpico de Escalada do Parque Olímpico do Cajuru, a competição reuniu atletas de diferentes países das Américas em dois dias de disputas, confrontos decididos por milésimos de segundo e bons resultados dos brasileiros.

Organizado pela Confederação Brasileira de Escalada Esportiva (CBEscalada) em parceria com a World Climbing Pan America, o campeonato colocou frente a frente alguns dos principais nomes da modalidade no continente. A competição também representou uma oportunidade para o público acompanhar de perto uma das disciplinas mais explosivas da escalada esportiva.

Na escalada de velocidade, os atletas competem em uma parede padronizada de 15 metros, disputando quem consegue chegar primeiro ao topo. Nas fases eliminatórias, dois competidores sobem simultaneamente, e pequenas diferenças no cronômetro podem definir quem avança.

Canadá domina disputa masculina

Na competição masculina, o canadense Ethan Pitcher confirmou o favoritismo e conquistou o título Pan-Americano. O compatriota Dylan Le ficou com a medalha de prata, enquanto o equatoriano Carlos Granja Lopez completou o pódio com o bronze.

Pódio Masculino do Pan-Americano de Escalada de Velocidade. Foto: Aline Machado

O Brasil chegou às fases decisivas com quatro representantes. Pedro Egg foi o melhor brasileiro nas classificatórias, garantindo o quinto lugar e uma vaga na fase final. Caio Felipe Egg, Caio Soares de Farias e João Henrique também avançaram na competição e ajudaram o país a marcar presença entre os principais atletas do continente.

O grande destaque brasileiro, entretanto, foi Caio Soares de Farias. O atleta avançou até a disputa pela medalha de bronze e terminou o campeonato na quarta colocação, ficando a apenas uma posição do pódio.

Embora não tenha conseguido pódio, Caio fez uma ótima participação no campeonato. Foto: Aline Machado.

Caio teve uma campanha de destaque nas fases eliminatórias. Nas oitavas de final, superou o canadense Alexandre Kovats com o tempo de 6,84 segundos. Nas quartas, protagonizou uma das disputas mais apertadas do campeonato contra o chileno Joaquim Tapia. Com 6,474 segundos, Caio venceu a bateria por apenas cinco milésimos e garantiu a classificação para a semifinal.

O resultado reforça a evolução do atleta, que já vinha se destacando no cenário nacional. Aos 16 anos, Caio havia conquistado o vice-campeonato brasileiro juvenil em 2026 e quebrado, pela primeira vez, a barreira dos sete segundos em uma competição oficial.

 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por CBEscalada (@cbescalada)

Equatoriana conquista título feminino

Entre as mulheres, o título ficou com a equatoriana Valentina Camila Flores Cortez, enquanto a chilena Anahí Riveros conquistou a prata e a venezuelana Sabrina Baumgartner ficou com o bronze. O resultado também é confirmado pela World Climbing, que registra Cortez como campeã da prova feminina em Curitiba.

Pódio Feminino no Pan-Americano de Escalada de Velocidade em Curitiba. Foto: Aline Machado.

As disputas femininas foram marcadas por confrontos equilibrados e algumas surpresas nas fases eliminatórias. Uma delas foi a eliminação precoce de Andrea Rojas, considerada uma das atletas que poderiam brigar pelas primeiras posições, após cometer um erro em uma das primeiras baterias.

Pelo Brasil, Débora Albuquerque e Rachel Uezu participaram das classificatórias, mas não avançaram para a decisão.

 

Ver essa foto no Instagram

 

Um post compartilhado por CBEscalada (@cbescalada)

Recordes mostram evolução brasileira

Apesar de não conquistar medalhas nesta primeira edição do Pan-Americano, o Brasil deixou Curitiba com marcas importantes.

Débora Albuquerque voltou a melhorar o recorde brasileiro feminino da modalidade, enquanto Caio Soares de Farias estabeleceu sua melhor marca pessoal e também o novo recorde brasileiro Sub-19 masculino.

Os resultados são parte de uma evolução recente da escalada de velocidade no país. Em 2026, Pedro Egg tornou-se o primeiro brasileiro a completar a via oficial em menos de seis segundos, com 5,68 segundos, durante uma competição internacional em Chamonix, na França. No feminino, Rachel Uezu também estabeleceu um novo recorde brasileiro, com 10,47 segundos.

Um marco para a escalada brasileira

A realização do primeiro Campeonato Pan-Americano de Escalada de Velocidade em Curitiba representa um marco para a modalidade no país. Além de reunir atletas de diferentes nações, o evento permitiu que competidores brasileiros disputassem em casa contra alguns dos principais nomes da escalada de velocidade das Américas.

Com arquibancadas próximas à parede de competição, entrada gratuita e transmissão ao vivo, o campeonato também aproximou o público da modalidade, que combina explosão, coordenação, precisão e velocidade em uma disputa que pode ser decidida em poucos milésimos de segundo.

Pódio do Pan-Americano de Escalada de Velocidade 2026

Masculino

1º – Ethan Pitcher (Canadá)
2º – Dylan Le (Canadá)
3º – Carlos Granja Lopez (Equador)
4º – Caio Soares de Farias (Brasil)

Feminino

1º – Valentina Camila Flores Cortez (Equador)
2º – Anahí Riveros (Chile)
3º – Sabrina Baumgartner (Venezuela)

Compartilhar

Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

Deixe seu comentário