Patrimônio Mundial: UNESCO revela que Parques Naturais geram 10% do PIB global sob sombra de colapso climático

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Um relatório inédito e alarmante foi divulgado pela UNESCO nesta terça-feira (21). O documento quantifica, pela primeira vez em escala global, a importância econômica dos sítios declarados Patrimônio Mundial. O dado é impressionante: as áreas protegidas, que incluem os principais parques de montanha do planeta, são responsáveis por 10% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) mundial, impulsionados principalmente pelo turismo sustentável, serviços ecossistêmicos e preservação de recursos hídricos.

Contudo, o brilho financeiro desses números vem acompanhado de um aviso sombrio. O relatório destaca que a “espinha dorsal” desse valor — a integridade dos ecossistemas — está à beira do colapso devido à crise climática.

Montanhas: O Termômetro do Desastre

Kilimanjaro, montanha patrimonio da humanidade.

Para os montanhistas e guias, o ponto mais crítico do relatório é o foco nas geleiras de montanha. Segundo a UNESCO, sítios icônicos como o Parque Nacional de Huascarán (Peru), o Monte Kilimanjaro (Tanzânia) e as Dolomitas (Itália) podem perder suas massas de gelo até 2050 se o ritmo atual de aquecimento global não for drasticamente reduzido.

A perda dessas geleiras não representa apenas o fim de rotas de escalada clássicas, mas um impacto direto na economia local:

  • Crise Hídrica: Milhões de pessoas dependem do degelo sazonal para agricultura e consumo.

  • Instabilidade Geológica: O derretimento do permafrost aumenta o risco de desmoronamentos catastróficos em trilhas e vilarejos.

  • Turismo de Montanha: A degradação da paisagem e o aumento do risco técnico nas ascensões ameaçam o sustento de guias, agências e da rede hoteleira regional.

Huascarán Norte e Sul no Peru. Montanhas que são patrimônio e que sofrem com o degelo.

O Valor do “Invisível”

O relatório defende que os 10% do PIB global gerados por esses locais não devem ser vistos como lucro, mas como um argumento para o investimento em proteção. A UNESCO argumenta que cada dólar investido na conservação dessas áreas gera um retorno econômico exponencial, garantindo a biodiversidade que regula o clima do restante do planeta.

Reflexão para o Montanhismo

Para profissionais do montanhismo e praticantes, o relatório reforça a urgência de práticas de “Mínimo Impacto” e o papel do guia como educador ambiental. “Não estamos apenas subindo montanhas; estamos testemunhando o desaparecimento de ativos que sustentam a economia e a vida global”, afirma o texto da organização.

A UNESCO encerra o documento com uma convocação aos Estados-membros para que intensifiquem as metas de descarbonização, antes que o patrimônio da humanidade se torne apenas um registro em livros de história.

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Sobre o autor

Natural de Itatiba-SP e residente em Curitiba-PR desde 2007, Pedro Hauck é uma figura proeminente no montanhismo brasileiro. Sua formação inclui graduação em Geografia pela Unesp Rio Claro e mestrado em Geografia Física pela UFPR. Com uma carreira de mais de 27 anos, ele é guia de montanha profissional e instrutor de escalada credenciado pela ABGM, a única associação de guias de escalada profissional do Brasil. Seu currículo inclui a ascensão de mais de 180 montanhas acima de 4 mil metros, com mais da metade ultrapassando os 6 mil metros, além de um pico de 8 mil metros no Himalaia e dois de 7 mil. Pedro Hauck também atua como empresário do setor outdoor, sendo sócio da Loja AltaMontanha, uma das mais conceituadas lojas de montanhismo do país, da Via AltaMontanha, um dos maiores ginásios de escalada de Curitiba, e da Soul Outdoor, agência especializada em ascensão, trekking e cursos de montanhismo. Acompanhe Pedro Hauck no Instagram: @pehauck.

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