Por que caminhar se podemos também correr?

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Bom dia, boa tarde, boa noite senhoras e senhores, tudo bem com vocês?

Como vocês já devem suspeitar, meu nome é George Volpão e primeiramente quero agradecer a disponibilização deste espaço para compartilhar pensamentos, análises e observações sobre o universo do Trail Running.

Envolvido nessa bagaça desde pelo menos 2007 (quando alinhei para a largada de minha competição da modalidade), tendo parado por alguns anos mas retomado com afinco e interesse desde 2019, certamente não irá faltar oportunidade de conversar com vocês que acompanham o portal AltaMontanha.com.

Clima familiar, poucos recursos e vontade apenas de ir lá e correr com os amigos. Assim era em 2007

Como primeira pincelada, além desta breve apresentação, respondo aqui uma dúvida que muitos montanhistas “raiz” tem e que me perguntam eventualmente quando nos encontramos nas trilhas da vida: Por que correr em montanha e não apenas caminhar?

Uma pergunta que, sarcasmo à parte, pode ser respondida devolvendo a pergunta: Por que caminhar na montanha e não correr? Além de ser meio que piada de tiozão, é uma resposta que não responde. Provavelmente cada atleta da modalidade deve ter a sua própria resposta. Nada é definitivo, tudo é transitório neste mundo. E até mesmo as razões pelas quais hoje hoje corro em montanha – que não excluem a atividade da caminhada, estão sujeitas a mudanças e aperfeiçoamentos nas ideias.

Mas basicamente é isso mesmo: Se dá para correr, por que não? Para responder mais profundamente precisaria usar dos registros históricos em minha memória. Comecei a caminhar (com mochila cargueira, barraca, fogareiro, etc) pela Serra do Mar paranaense no ano 2000. E pratico corrida na rua desde pelo menos 1993, ainda adolescente. Com o passar do tempo, com a sucessão de cumes, de êxitos e de fracassos, com a contabilização de dezenas de cumes pelas montanhas da região e, principalmente, com a necessidade básica que tenho de novos desafios, conheci as corridas de montanha.

Foi em uma edição impressa de uma finada revista de aventura onde vi uma breve nota sobre uma competição chamada Copa Paulista de Corrida de Montanha que se realizaria não lembro bem em qual mês mas certamente no ano de 2006. Naquela época eu trabalhava em uma loja de bicicletas, peças e acessórios para ciclismo e convivia muito com o pessoal da Corrida de Aventura, muitos deles frequentadores habituais das nossas montanhas. Montanhistas mesmo. Alguns deles já estavam se enveredando pelas corridas em trilhas, afinal, o trekking rápido é uma das modalidades presentes nas competições de corridas de aventura.

O nível era tão mais ou menos que até eu com meus treinos também mais ou menos pegava pódio

Um pouco receoso ainda, principalmente na questão financeira, em participar de provas tão complexas como estas de Corrida de Aventura, decidi encarar e me inscrever na Primeira Etapa do Circuito Paranaense de Corrida em Montanha. Era janeiro 2007. Acho até que especificamente sobre esta prova eu deveria escrever um texto. Lamentavelmente não guardo registros fotográficos deste evento. Mas ficou firmemente gravado na memória e neste mesmo ano tive a oportunidade de competir em mais duas provas de corrida em montanha. Destas eu guardo registros, que compartilho abaixo. Uma vez que senti aquele gostinho do desafio (seja pela distância, seja pelo tempo de prova), nunca mais parei de correr em trilha.

Paralelamente eu continuava a frequentar a Serra do Mar nos moldes “tradicionais”. Seja caminhando com mochila cargueira e acampando, seja apenas com uma pequena mochila, também caminhando sem pressa. Muitos não entendem e às vezes parecem até se esforçar em criar uma divisão do tipo: corredores versus montanhistas. Não faz sentido algum.

É claro que muitos dos novos corredores em trilha não compartilham dos valores que a nós montanhistas são muito caros: respeito ao local e seus habitantes, silêncio na trilha, mínimo impacto e cordialidade com os demais visitantes. Mas isso não é exclusividade, sabemos, dos corredores em trilha. É algo do ser humano onde, não importa como ele se rotule, sempre haverá uma meia dúzia de boçais.

Sendo assim, sempre pergunto: por que não correr em vez de apenas caminhar? Busca desafiar-se? Sentir a evolução de seu condicionamento, aprender mais sobre o seu corpo? Que tal deixar as corridas de asfalto para os dias de semana e eventualmente tentar fazer aquela subida (e descida) acelerada a um cume?

Fica o convite.

Mais sobre o assunto, sobre como começar, o que levar, como se preparar adequadamente e muito mais virá nos próximos textos.

Pra cima!

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Sobre o autor

George Volpão

Montanhista, corredor e amante das atividades ao ar livre, nasci em Curitiba - PR em 1977.Além do Paraná, já percorri trilhas em Minas Gerais, Santa Catarina, Espírito Santo, Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Argentina e Chile. Oriundo do montanhismo, busco correr e pedalar em trilhas pelo mundo todo, unindo a paixão pelas montanhas com o prazer proporcionado pelas atividades esportivas de longa distância. Nas montanhas brasileiras desde 1995, tive participação ativa no cenário montanhista paranaense logo após o ano 2000. Neste tempo contei com centenas de incursões pelas montanhas brasileiras, fazendo do montanhismo não só um estilo de vida mas também uma maneira de encarar o mundo. Além da vida nas montanhas e nas estradas, também dedico meu tempo à escrita, tendo uma grande coleção de textos já publicados em sites e revistas. Da mesma forma, mantenho este blog pessoal desde 2006, onde exercito meu prazer por esta atividade. Entre 2009 e 2013 participei de algumas provas longas de corridas, sendo no total doze maratonas e três ultras, estas sempre em trilhas. Dei um tempo mas de agora em diante os próximos meses prometem muita diversidade nas montanhas! Vivo hoje na mesma Curitiba, a capital do Estado do Paraná.

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