Reset Day Brasil propõe um dia de pausa nas telas e reconexão com a vida fora do digital

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O movimento global convida pessoas, famílias, escolas, empresas e organizações a reduzir voluntariamente o uso de telas no dia 26 de setembro; para montanhistas, a experiência de desconexão já faz parte da rotina na natureza mas pode ser ampliada

Que tal passar um dia longe das telas? No próximo 26 de setembro, o Brasil participará do Reset Day, um movimento global que propõe uma pausa voluntária no uso de dispositivos eletrônicos para incentivar a reconexão com aquilo que acontece fora do ambiente digital.

O movimento convia pessoas a fazerem um momento de pausa longe das telas. Foto: Tatyana Makarova / Vecteezy

A iniciativa convida pessoas, famílias, escolas, empresas e organizações a transformar o sábado em uma oportunidade para desacelerar, deixar o celular de lado por algumas horas e dedicar mais tempo à natureza, às relações presenciais e a si mesmas. Embora a campanha tenha como público prioritário os adolescentes, considerados mais suscetíveis ao uso excessivo das telas, a proposta também chama a atenção para um comportamento que está presente entre pessoas de diferentes idades. Afinal, para muitos adultos, o celular, o computador e outros dispositivos digitais já ocupam uma parcela significativa da rotina, seja no trabalho, no lazer ou na comunicação.

A participação é gratuita e não exige uma programação específica. Cada participante pode escolher como fazer sua pausa: uma caminhada ao ar livre, um encontro com amigos, um dia em família, uma atividade esportiva, uma leitura ou simplesmente algumas horas sem notificações e redes sociais.

A proposta não é estabelecer uma relação de oposição à tecnologia, mas estimular uma reflexão sobre como, quando e quanto tempo as telas ocupam na rotina.

Na montanha, a desconexão já faz parte da experiência

Para quem pratica montanhismo, trekking ou outras atividades ao ar livre, a proposta do Reset Day pode soar bastante familiar.

Passar horas — ou até dias — longe das telas faz parte da experiência de muitas expedições. Em uma trilha de longa duração ou durante uma ascensão de montanha, o celular deixa de ser o centro da atenção. Embora ele acabe sendo usado algumas vezes para a navegação ou para o registro de fotos, a prioridade passa a ser o caminho, a paisagem, o ritmo da caminhada, as condições do ambiente e a convivência com as pessoas que estão compartilhando aquela experiência.

Caminhadas ao ar livre é uma ótima opção para quem quer desconectar-se. Foto: Pixnio

Em alguns locais, a ausência de sinal telefônico ainda torna a desconexão inevitável. E aquilo que inicialmente pode parecer uma limitação acaba se transformando em parte da experiência. Sem notificações chegando a todo momento, há mais espaço para observar a paisagem, conversar durante a caminhada, prestar atenção aos sons da natureza e simplesmente estar presente.

No entanto, não é preciso esperar uma expedição de vários dias ou viajar para uma região remota. Uma caminhada em uma área natural próxima, uma trilha curta ou algumas horas em um parque já podem servir como exercício de desconexão.

Da tela para o mundo real

Em uma rotina cada vez mais conectada, fazer uma pausa pode significar recuperar atividades simples que acabam sendo deixadas de lado diante das notificações, redes sociais e outras demandas digitais.

Para quem vive nas cidades, por exemplo, o Reset Day pode ser uma oportunidade para trocar algumas horas diante do celular por uma caminhada, uma pedalada, uma trilha ou simplesmente um tempo em um parque.

Há inúmeras atividades que podem ser feitas em um momento de desconexão. Foto: PxHere

Para famílias, pode significar uma refeição sem celulares à mesa. Para escolas, uma atividade coletiva ao ar livre. Para empresas, uma ação voltada ao bem-estar e à convivência entre equipes.

Mais do que estabelecer regras sobre o tempo de tela, o movimento propõe uma pergunta: o que fazemos com o tempo quando deixamos o celular de lado?

Natureza como espaço de reconexão

Na montanha, o tempo costuma assumir um ritmo que obriga a conexão consigo mesmo. É preciso caminhar, descansar, observar o terreno, cuidar dos equipamentos e conviver com o grupo. A experiência deixa de ser mediada pela tela e passa a acontecer de forma mais direta.

Isso não significa que o celular não tenha utilidade na montanha — pelo contrário. GPS, mapas, comunicação e aplicativos de previsão meteorológica podem ser importantes ferramentas de segurança. A proposta, portanto, não é abandonar a tecnologia quando ela é necessária, mas evitar que ela seja o centro da experiência.

Para quem não está acostumado a ficar longe do celular, uma atividade outdoor pode ser uma boa maneira de experimentar essa mudança.

Uma caminhada não exige grandes deslocamentos ou equipamentos sofisticados. Pode acontecer em uma área verde próxima de casa, em um parque ou em uma trilha adequada ao nível de experiência de cada pessoa. O mais importante não é a distância percorrida ou o desafio escolhido, mas a oportunidade de estar presente na atividade e nas relações ao redor.

Como participar do Reset Day Brasil

A participação é gratuita e aberta a pessoas e organizações.

É possível participar individualmente, em família ou coletivamente. Organizações também podem integrar a Coalizão de Apoio ao The Reset Brasil, ajudando a ampliar o debate sobre o uso consciente das telas e a proposta de reconexão com outras pessoas, com a natureza e consigo mesmo.

Para quem já está acostumado a passar horas caminhando por uma montanha sem olhar para o celular, talvez o desafio seja ainda mais simples: levar essa experiência para a vida cotidiana.

No dia 26 de setembro, o convite é desconectar por algumas horas — e descobrir o que acontece quando a tela deixa de ser o lugar onde tudo acontece.

 

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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