Casal morre afogado ao tentar fugir de ataque de abelhas

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Uma mulher de 41 anos e um homem de 33 anos morreram ao pular em uma cachoeira para tentar fugir de um ataque de abelhas no município de Barão dos Cocais em Minas Gerais no último sábado, 08/05.

Infelizmente os socorristas não conseguiram ajudar o casal. Foto: Alerta Barão Notícias.

Segundo a polícia militar, os dois namorados estavam caminhando por uma trilha na região quando foram surpreendidos por um enxame de abelhas. A mulher pulou de cerca de três metros de altura, na Cachoeira do Cambota. Porém de acordo com sua irmã, ela não sabia nadar e se afogou. O namorado entrou na água para fugir dos insetos e ajudar a mulher, porém também acabou se afogando.

Testemunhas retiraram a mulher da água e tentaram reanimá-la sem sucesso. Já o corpo do homem ficou submerso e precisou ser resgatado pela equipe da polícia.

A equipe Alta Montanha lamenta profundamente o ocorrido.

Ataques e choque anafilático

No verão é comum a ocorrência de acidentes com insetos e principalmente o ataque de abelhas em ambientes naturais. Com o grande número de picadas desse inseto, mesmo quem não tem alergia pode ter complicações e até mesmo um choque anafilático.

Assim aconteceu com a dupla de escaladores Davi Marski e Silvério Nery em 2014. Os dois estavam escalando a via Nirvana na Pedra do Pântano em Andradas quando foram surpreendidos por um enxame de abelhas. Sem tempo de fugir, Marski teve um choque anafilático ainda na parede. Seu parceiro, Nery, conseguiu descer mas foi hospitalizado e chegou a ser internado na UTI.

Marski que também era guia de montanha tinha experiência e sabia o que fazer em casos de ataques de abelhas. Ele inclusive tinha remédios contra choque anafilático em seu kit de primeiros socorros, mas infelizmente não houve tempo para usar.

O que fazer em caso de ataques de abelhas?

O melhor remédio para esses casos ainda é a prevenção. Durante a florada de primavera e em dias quentes, os cuidados devem ser redobrados. Evitar de frequentar locais com abelhas, não fazer barulho e até mesmo não usar perfume em ambientes naturais pode ajudar você a passar despercebido dos insetos agitados.

Quando uma abelha pica uma pessoa ou animal, ela deixa o seu ferrão na vítima, isso atrai outras abelhas que irão entender a vítima como ameaça e atacar em massa. Uma pessoa pode levar até três mil picadas de abelhas de uma vez só. O Corpo de Bombeiros orienta que não se deve cutucar ou provocar colmeias, fazer barulho alto perto delas, e se proteger. Passar veneno também não adianta, pois elas não morrem e ficam mais agressivas.

Enxame em árvores podem atacar repentinamente.

Quando avistado um enxame por perto o recomendado é se abaixar e permanecer o mais imóvel e quieto possível enquanto ainda não foi picado. Caso haja o ataque é indicado correr em zigue zague o mais rápido possível. Não pare para organizar ou pegar nada. Também é importante usar uma peça de roupa, podendo ser a própria camiseta para proteger o rosto, a cabeça e o pescoço que são mais sensíveis.

Cuidado com a água

Só pare de correr quando as abelhas pararem de te perseguir ou você encontrar local abrigado, onde as abelhas não entre. Locais com água, como lagos e rios também ajudam afastar os insetos, porém não entre onde você não conheça o local ou a profundidade. “ Não pule na água se não conhecer o espelho de água e se não souber nadar. As abelhas vão esperar você subir para respirar e aproveitar para ferroá-lo. Isto pode fazer com que você se assuste e se afogue. Se estiver no meio do mato, tente correr por entre arbustos e folhagens, isso costuma despistar as abelhas” recomenda o Grupo de Pesquisa “Biologia da Socialidade” da área de Ciências Biológicas da UNIFAL-MG.

Não bata nem esmague as abelhas, pois a substancia que elas liberam ao ser agredidas atraem outras. Também não é recomendado que se faça movimentos bruscos com os braços ou que se grite.

Após o ataque

Ao encontrar um local seguro, tente retirar os ferrões das abelhas. Ainda assim o veneno permanecerá na pele por algum tempo, mas o incomodo e o risco de infecção tende a diminuir. Em casos de muitas ferroadas é recomendado que procure ajuda para remover os ferrões. Se estiver se sentindo mal (queda de pressão, falta de ar ou outro sintoma), procure atendimento médico imediatamente, mesmo em caso de poucas picadas.

É importante retirar os ferrões que ficam na pele.

Caso a colmeia esteja em uma área que ofereça riscos, procure ajuda especializada para retirá-la. Assim, não tente matar nem expulsá-las do local, venenos podem interferir em outros insetos que também são importantes para o colonização. E qualquer outro tipo de ameaça a colmeia pode deixar elas mais hostis e causar mais acidentes.

“Abelhas em flores, refrigerantes ou outra fonte de açúcar, raramente atacam as pessoas, portanto deixe-as em paz que elas tenderão a ignorá-lo. Se possível, esconda ou remova a fonte de açúcar, isso evitará que a abelha recrute novas companheiras para a fonte e alimento, o doce”, alerta os pesquisadores.

 

 

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

2 Comentários

  1. Gilmar contezini em

    Ja fui atacado e fui parar no hospital ,manter a calma ahhhhh nao é facil ,vc fica louco com elas no seu rosto e nos ouvidos .

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