Sapatilha de escalada para iniciantes: Como escolher sua primeira sapatilha?

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A escalada é um esporte que oferece inúmeros benefícios para a saúde física e mental. Além de desenvolver força, equilíbrio, raciocínio, coordenação motora e concentração, a atividade proporciona contato com a natureza e favorece a socialização entre os praticantes. No entanto, para quem está dando os primeiros passos na modalidade, uma dúvida costuma surgir logo no início: em quais equipamentos vale a pena investir?

Para escalar com segurança, alguns itens são indispensáveis, como cadeirinha, corda dinâmica, sapatilha, capacete, kit de auto-segurança (fita e mosquetão) e um dispositivo de segurança, como um ATC ou um Grigri. Já na escalada em rocha, também são necessários mais mosquetões e fitas expressas.

A escalada é um esporte recompensador, mas exige alguns equipamentos para garantir segurança e desempenho. Foto: PXhere

Embora boa parte desse material possa ser alugada ou emprestada nos primeiros contatos com o esporte, a recomendação é diferente quando se trata das sapatilhas. Sempre que possível, o ideal é adquirir um par próprio.

Por que vale a pena ter sua própria sapatilha?

As sapatilhas de escalada são fabricadas com uma borracha de alta aderência, desenvolvida especificamente para oferecer maior atrito tanto nas agarras de resina dos ginásios quanto na rocha em ambientes naturais. Escalar sem esse equipamento torna a progressão muito mais difícil e menos eficiente.

Além disso, utilizar sapatilhas evita o desgaste de tênis convencionais, que não foram projetados para suportar a abrasão constante das paredes e das rochas.

No entanto, como são produzidas com borrachas mais rígidas e resistentes, as sapatilhas costumam vestir o pé de forma bastante justa. Ao adquirir um modelo próprio, o equipamento tende a se adaptar gradualmente ao formato do pé, proporcionando mais precisão e conforto ao longo do tempo.

Por outro lado, ao utilizar uma sapatilha emprestada, é comum encontrar problemas de ajuste. Um modelo apertado demais pode causar dores durante a escalada, enquanto um número maior compromete a precisão dos movimentos e pode até fazer com que o pé deslize dentro do calçado.

Além do conforto e da precisão, existe ainda um fator importante: a higiene. Como as sapatilhas normalmente são usadas sem meias, é comum que acumulem suor e desenvolvam mau odor com o tempo. Por isso, ter um par próprio também significa mais tranquilidade. Afinal, ninguém quer escalar usando uma sapatilha com chulé, não é mesmo?

Como escolher a sapatilha ideal?

Existe uma grande variedade de modelos disponíveis no mercado, e a escolha depende principalmente do tipo de escalada que será praticado.

Na escalada esportiva em paredes verticais ou negativas, por exemplo, sapatilhas mais precisas e técnicas costumam oferecer melhor desempenho. Já no boulder — modalidade caracterizada por movimentos curtos, intensos e bastante técnicos — é comum o uso de modelos ainda mais agressivos, com a sola arqueada e os dedos voltados para baixo, favorecendo o apoio em pequenas agarras.

A escalada em boulder costuma ser mais rápida, por isso fica-se menos tempo com a sapatilha no pé. Foto: Romary / Wikimédia commons.

Em contrapartida, para escaladas em paredes positivas ou vias longas com diversas enfiadas, o conforto passa a ser um fator essencial. Nesses casos, sapatilhas com solado mais reto e boa aderência costumam ser as mais indicadas. Essa característica também faz delas excelentes opções para quem frequenta ginásios de escalada.

Qual é a melhor opção de sapatilha para quem está começando na escalada?

Se você ainda está descobrindo qual modalidade mais lhe agrada, a recomendação é optar por uma sapatilha neutra: um modelo que ofereça boa precisão, mas que não seja excessivamente agressivo.

Isso porque, de modo geral, quanto mais técnica é uma sapatilha, menor tende a ser seu nível de conforto. Ao longo do tempo, escaladores se adaptam a esse desconforto, mas para quem ainda não está acostumado com esse tipo de calçado, modelos extremamente curvos podem tornar a experiência desagradável.

Um bom exemplo é a linha La Sportiva Tarantula, bastante conhecida entre escaladores iniciantes. Reconhecida mundialmente pela qualidade e durabilidade de seus produtos, a fabricante oferece, nessa linha, uma excelente relação entre custo e benefício.

Em paredes positivas e longas o tempo de permanência com a sapatilha nos pés é maior, por isso as mais confortáveis são recomendadas. Foto: pxhere

Além disos, as sapatilhas Tarantula são versáteis e funcionam bem tanto em ginásios quanto em escaladas esportivas em rocha, sejam elas em paredes positivas ou negativas. Além disso, proporcionam conforto suficiente para quem está se adaptando ao uso desse tipo de equipamento.

Por outro lado, quem já sabe que pretende focar principalmente no boulder ou em vias esportivas mais inclinadas e com agarras menores pode considerar um modelo um pouco mais técnico, como a La Sportiva Katana.

Ela oferece maior precisão para pequenos apoios de pés sem ser tão agressiva quanto modelos de alto desempenho, como a Miura ou a Cobra, tornando-se uma excelente opção para escaladores em fase de evolução técnica.

Escaladora usando a La Sportiva Cobra em um Boulder onde a precisão faz a diferença. Foto: PXhere

Atenção ao tamanho

Independentemente do modelo escolhido, acertar a numeração é fundamental.

Antes da compra, verifique se a marca utiliza a numeração brasileira, europeia ou norte-americana. Nos primeiros usos, é normal que a sapatilha fique bastante justa. Com o tempo, porém, o material tende a ceder levemente, moldando-se ao formato do pé e proporcionando um encaixe mais confortável.

É importante lembrar que uma sapatilha deve oferecer precisão, mas nunca provocar dores insuportáveis. Um ajuste firme é esperado; um ajuste excessivamente apertado pode comprometer tanto o desempenho quanto o prazer de escalar.

Erros mais comuns ao comprar a primeira sapatilha

Na hora de escolher a primeira sapatilha de escalada, é comum que iniciantes cometam alguns erros que podem comprometer tanto o conforto quanto a evolução no esporte. Confira os principais:

Comprar uma sapatilha pequena demais

Existe a ideia de que a sapatilha precisa causar muita dor para oferecer bom desempenho. Isso não é verdade. Ela deve ficar justa, sem folgas, mas não a ponto de impedir a circulação ou tornar a escalada insuportável. Um modelo excessivamente apertado pode até desestimular quem está começando.

Escolher um modelo muito agressivo

Sapatilhas extremamente curvadas foram desenvolvidas para escaladores experientes que enfrentam vias muito técnicas e boulders de alta dificuldade. Para quem ainda está aprendendo os movimentos básicos, um modelo mais neutro costuma proporcionar uma adaptação muito melhor.

Comprar pensando apenas na estética

Cor, design e aparência podem chamar atenção, mas fatores como conforto, ajuste ao formato do pé e tipo de escalada praticada são muito mais importantes. Uma sapatilha bonita, mas inadequada, dificilmente proporcionará uma boa experiência.

Ignorar o formato do próprio pé

Nem todas as marcas possuem a mesma forma. Algumas são mais estreitas, enquanto outras acomodam melhor pés largos. Por isso, sempre que possível, experimente diferentes modelos antes da compra.

Escolher apenas pelo preço

Nem sempre a sapatilha mais cara será a melhor opção para um iniciante. Da mesma forma, um modelo muito barato pode apresentar menor durabilidade ou desempenho. O ideal é buscar um bom equilíbrio entre conforto, qualidade e custo-benefício.

Vale a pena investir logo na primeira sapatilha?

Se você já decidiu que pretende continuar praticando escalada, a resposta é sim. Ter uma sapatilha própria proporciona mais conforto, higiene, precisão e confiança durante a escalada. Além disso, como o equipamento vai se moldando ao formato do pé com o uso, o desempenho tende a melhorar gradativamente.

Mais do que comprar a sapatilha mais técnica ou a mais cara, o importante é escolher um modelo adequado ao seu nível de experiência e aos objetivos que pretende alcançar no esporte. Afinal, uma boa sapatilha não fará ninguém escalar melhor sozinha, mas certamente tornará o aprendizado muito mais confortável e eficiente.

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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