Autoridades francesas negam resgate gratuito a 32 alpinistas que ignoraram alerta de risco no Mont Blanc

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Trinta e dois alpinistas que ignoraram os alertas de segurança e seguiram pela rota normal francesa do Mont Blanc tiveram um pedido de resgate gratuito de helicóptero negado pelas autoridades locais. O caso ocorreu após o fechamento dos refúgios Gouter e Tête Rousse, determinado pelo prefeito de Saint-Gervais, Jean-Marc Peillex, devido ao elevado risco de queda de rochas no Grand Couloir du Goûter, um dos trechos mais perigosos da ascensão à montanha mais alta dos Alpes.

O Mont Blanc. Foto: Hseugut / Wikimédia Commons

A medida foi anunciada em 11/08, após uma série de episódios de desprendimento de pedras provocados pelas altas temperaturas, derretimento do gelo e pela seca que afetam a região. As condições instáveis tornaram a rota francesa considerada excessivamente perigosa para novas tentativas de cume.

Apesar dos alertas e das recomendações dos guias locais para que os montanhistas descessem, dezenas de alpinistas que já se encontravam na montanha optaram por continuar a ascensão. Entre eles, 32 seguiram até o Refúgio Goûter, localizado a 3.835 metros de altitude, onde passaram a noite.

Na manhã seguinte, porém, o grupo desistiu da tentativa de alcançar o cume e solicitou um resgate de helicóptero aos serviços públicos franceses. O principal argumento era o receio de atravessar novamente o Grand Couloir para descer, área conhecida pelo intenso risco de queda de rochas.

Grand Couloir du Goûter com refúgio Tête Rousse abaixo. Foto: Anthospace / Wikimédia Commons

Pedido foi recusado pelas autoridades

O prefeito Jean-Marc Peillex rejeitou a solicitação e classificou a atitude dos alpinistas como irresponsável. Segundo ele, os montanhistas tinham pleno conhecimento dos riscos quando decidiram prosseguir pela rota, mesmo após os alertas oficiais e o fechamento dos refúgios.

De acordo com as autoridades, não havia nenhuma emergência médica nem situação que colocasse a vida dos integrantes do grupo em perigo imediato. Além disso, avaliações realizadas pela gendarmaria de alta montanha indicavam que o corredor havia retornado a condições relativamente estáveis, permitindo uma descida segura a pé.

Diante disso, Peillex autorizou apenas a utilização de helicópteros privados, com os custos arcados pelos próprios alpinistas. Parte do grupo optou por contratar o transporte aéreo, enquanto outros decidiram descer caminhando, sem registrar incidentes.

Após a saída dos montanhistas, o Refúgio Goûter ficou vazio.

Refúgio Goûter. Foto: pxhere

Debate sobre os limites do resgate em montanha

O episódio reacendeu na França a discussão sobre o uso de recursos públicos em operações de resgate em montanha.

Jean-Marc Peillex aproveitou o caso para defender mudanças na legislação francesa, argumentando que os meios de resgate financiados pelo Estado deveriam ser destinados prioritariamente a emergências reais e acidentes imprevisíveis.

Para o prefeito, situações em que os praticantes assumem conscientemente riscos previamente conhecidos não deveriam gerar custos para o sistema público.

O caso ocorre em um momento de crescente preocupação nos Alpes com os efeitos das altas temperaturas sobre a estabilidade das montanhas. O derretimento do permafrost e a redução da cobertura de neve têm aumentado a frequência de quedas de rochas em diversas rotas clássicas da região, levando autoridades e guias a reforçarem os alertas de segurança durante o verão europeu.

O Grand Couloir du Goûter, em particular, é considerado um dos trechos mais perigosos da rota normal do Mont Blanc e registra acidentes fatais com frequência. Com a atual onda de calor, especialistas apontam que as condições se tornaram ainda mais instáveis, motivando o fechamento temporário dos refúgios e a suspensão das tentativas de ascensão pela via francesa.

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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