Teste da Mochila Osprey Aether 70

0

Hilton Benke relata o teste da Osprey Aether 70 no Cordón del Plata, nos Andes, em janeiro de 2015, com impressões de conforto, organização da carga e acabamento.

Este teste histórico registra a experiência de Hilton Benke com a Osprey Aether 70 no Cordón del Plata, na Argentina, em janeiro de 2015. As características descritas são da unidade usada na viagem e podem diferir de outras gerações da Aether.

Quando pensamos em cargueiras, o conforto é um dos pontos principais. A primeira impressão que tive da Aether 70 foi muito boa: ela me pareceu leve e tinha uma estrutura de apoio confortável na barrigueira, nas alças e no costado.

Mochila Osprey Aether 70 – Fonte: Loja Alta Montanha

Escolhemos o Cordón del Plata, nos Andes, para testar a mochila em uma expedição. O sistema de armação da unidade avaliada mantinha o costado estruturado e ajudava na ventilação das costas, embora isso não eliminasse a possibilidade de suor.

Um detalhe me incomodou no acabamento: o pequeno furo do bolso frontal. Inicialmente achei que fosse um dano, mas, ao comparar outras unidades, entendi que era uma abertura para drenagem. Gostaria de um acabamento melhor nesse ponto; o restante do conjunto me pareceu muito bem executado.

Gostei dos puxadores amplos dos zíperes, que facilitaram o manuseio com luvas. Isso foi especialmente útil nas condições frias da expedição.

Costado Mochila Osprey Aether 70 – Fonte: Loja Alta Montanha

A tampa da unidade testada também podia ser utilizada como pochete. Mesmo assim, no ataque ao Vallecitos preferi levar a mochila inteira, comprimida e com menos carga, pois achei essa configuração confortável.

Os bolsos laterais permitiam alcançar as garrafas por cima ou pela lateral. Também gostei do compartimento externo para o sistema de hidratação, que facilitava retirar e recolocar o reservatório. Essa posição, porém, não garante que um vazamento deixe todos os outros equipamentos secos.

A hora da verdade

Ao organizar a carga na base da montanha, percebi que o espaço disponível era menor do que eu esperava. Demorei mais para distribuir os equipamentos dentro e fora da mochila, especialmente porque pretendia levar dois sacos de dormir para testar o Deuter Trek Lite −2 naquela viagem.

Essa foi uma percepção de uso, não uma medição do volume. O teste não permite atribuir quantidades exatas a cada bolso nem transformar os 70 litros anunciados em uma classificação “60+10”. Para comparar modelos, confira a capacidade declarada de cada versão e experimente organizar sua própria carga.

O autor e sua Osprey Aether 70 no Cordon del Plata.

As fitas laterais também me pareceram curtas. Na época, relatei isso à marca e recebi a orientação de que serviam para compressão. Ainda assim, usei essas fitas para levar objetos externos, incluindo minha bota Scarpa Inverno e partes da barraca e caminhei com carga acima da recomendada, como consta no relato original. Essas práticas não devem ser tomadas como recomendação: respeite os limites de carga e os pontos de fixação indicados para a sua mochila.

Mesmo naquela configuração, achei a mochila muito confortável durante a caminhada. Em algumas paradas, preferi ficar com ela nas costas a fazer o esforço de tirar e colocar novamente. Foi um dos conjuntos mais confortáveis que eu havia utilizado.

No campo-base, os acessos e os zíperes facilitaram encontrar os equipamentos e montar o acampamento. No ataque ao cume, retirei a tampa e comprimi o corpo da mochila para reduzir o volume.

Gostei mais dessa configuração do que de algumas mochilas menores que usei em outras expedições. No meu ajuste, a barrigueira apoiava bem a carga no quadril. Essa experiência não significa que toda mochila pequena transfira o peso apenas aos ombros; a distribuição varia conforme estrutura, ajuste e carga.

Mochila Osprey Aether 70 no cume do Vallecitos – Cordon del Plata – Argentina

A leveza foi um destaque, mas senti que precisava cuidar bem do material, especialmente no contato com rochas. A capa de chuva é um acessório para proteção da carga contra chuva; não deve ser tratada como garantia contra abrasão ou danos no tecido.

Nossa avaliação

  • Qualidade: 10
  • Acabamento: 9,5 — pelo detalhe do furo no bolso frontal.
  • Conforto: 10
  • Durabilidade: 6
  • Peso: 10
  • Preço: 7
  • Experiência de uso: 10

Na época do teste, recomendamos a Aether 70 principalmente pelo conforto. As notas registram aquela experiência e a percepção de preço do período.

Uma cargueira atual para comparar

Para quem procura uma mochila de grande volume na loja hoje, confira a Ferrino Appalachian 75L Preto. É outro modelo e não foi testado neste artigo. Compare a ficha, a estrutura, o ajuste ao tronco e a carga recomendada; as notas da Osprey não se aplicam à Ferrino.

Saiba mais

Como escolher uma mochila

Compartilhar

Sobre o autor

Hilton Benke é um dos idealizadores do AltaMontanha.com. Dono de uma personalidade muito forte, é hoje praticante assíduo do voo livre, principalmente da modalidade "hike and fly", que une o voo com o montanhismo. Como montanhista e escalador, gastou seu tempo galgando montanhas brasileiras e andinas, além de ter prestado alguns serviços como instrutor de escalada junto ao CPM. Deixá-lo feliz é fácil: só marcar um bom pernoite em um cume da Serra do Mar Paranaense, com um bom menu para o jantar e uma condição de tempo boa para que possa decolar com seu parapente dia seguinte e realizar uma das muitas travessias sobre a Serra do Mar.

Comments are closed.