Após descobrir que ficaria cega e surda, mulher decide escalar Kilimanjaro

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Rebecca Alexander sofre da síndrome de Usher, uma doença que afeta a visão e a audição simultaneamente. Apesar da condição, ela escalou o monte Kilimanjaro em oito dias com a madrasta e a irmã.

Em uma manhã de inverno de 1999, a americana Rebecca Alexander acordou com um barulho estranho no ouvido, como se tivesse acabado de sair de um show de música. Ela tinha apenas 19 anos e estava estudando Cultura Americana na Universidade de Michigan. Duas semanas depois, em uma consulta com um médico, ela recebeu a impactante notícia de que ficaria completamente cega e surda assim que completasse 30 anos de idade.
 
"Fui ao médico na faculdade e soube que tinha síndrome de Usher. Eu iria ficar cega e surda", contou à revista "People" sobre um dos piores dias de sua vida.
 
Embora tenha ficado devastada com o diagnóstico, não foi a primeira vez em que Alexander recebera notícias tão tristes sobre sua saúde. Aos 12 anos, ela soube que portava retinite pigmentosa, uma doença genética que leva à cegueira. "Mas lá estava eu, na faculdade, descobrindo que também ficaria surda. Foi muito assustador. Se soubesse o quão difícil seria agora, eu teria preferido morrer", contou.
 
Por volta dos 20 anos, ela pensou que teria pouco tempo para ver e ouvir o mundo ao seu redor, mas hoje, aos 36, ainda tem 10º de visão – o normal são 360º. "As pessoas dizem: 'Meu Deus, você pode ver apenas 10º. Mas eu digo: 'Meu Deus, não posso acreditar que ainda tenho 10º de visão'".
 
Ainda que tenha ficado devastada com a doença, Alexander não deixou a condição lhe impedir de conquistar dois diplomas pela Universidade de Columbia, uma das mais conceituadas dos EUA, nem de participar de competições esportivas extremas ou ainda escalar a montanha mais alta da África, o monte Kilimanjaro (5.895 m), na Tanzânia.
 
"Sempre quis escalar. Minha madrasta e eu havíamos falado sobre fazer isto há bastante tempo até finalmente decidirmos."
 
Em julho deste ano, a americana, mesmo sem conseguir enxergar poucos metros de distância à sua frente, subiu ao topo da montanha em oito dias. "Era desafiador, mas isto me deixou com mais vontade de fazer", afirmou. "As coisas mais memoráveis que fiz não foram as que mais amava, mas as mais difíceis.
 
Alexander passou os oito dias sem tomar banho e dormiu em uma tenda que a abrigou contra o frio de -15ºC que fazia no monte. "A vida tem a ver com ser desafiado sem necessariamente ter certeza sobre como você chegará lá. Tem a ver com confiança de que você chegará lá contanto que caminhe passo a passo", concluiu.
 
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Redação - AM

Texto publicado pela própria redação do Portal.

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