A combinação entre drones, inteligência artificial e câmeras térmicas acaba de marcar um novo capítulo nas operações de busca e salvamento em áreas remotas. O Serviço de Bombeiros e Resgate de Nova Gales do Sul, na Austrália, realizou com sucesso o primeiro resgate de excursionistas desaparecidos utilizando um drone equipado com tecnologia capaz de localizar pessoas automaticamente, mesmo durante a noite.
Enquanto as operações de busca de montanhistas perdidos em ambientes naturais costumam durar dias e empenhar muitos recursos humanos e financeiros. A busca realizada pelo Serviço de Bombeiros e Resgate de Nova Gales do Sul durou cerca de 5 horas após o comunicado de desaparecimento. Além disso, evitou os riscos para resgatistas e voluntários ao utilizar a tecnologia para localizar os desaparecidos.
A operação ocorreu no Parque Nacional Kosciuszko, principal área de montanhismo da Austrália, onde dois jovens, ambos na faixa dos 20 anos, se perderam após saírem da trilha Dead Horse Gap, cerca de 35 quilômetros a sudoeste da cidade de Jindabyne. Os montanhista não retornaram ao ponto de encontro previsto, levando ao acionamento das equipes de emergência.
Assim que o desaparecimento foi comunicado, a Polícia de Nova Gales do Sul coordenou uma operação conjunta com o Serviço Estadual de Emergência (SES) e solicitou o apoio da unidade especializada em drones do Corpo de Bombeiros.
IA identifica pessoas na escuridão
O diferencial da operação foi o uso de uma aeronave remotamente pilotada equipada com câmera térmica e um sistema de inteligência artificial capaz de analisar as imagens em tempo real.
Em vez de depender exclusivamente da interpretação humana das imagens, o software identifica automaticamente padrões compatíveis com a presença de pessoas, mesmo sob vegetação e em condições de escuridão total. Graças a essa tecnologia, os excursionistas foram localizados a aproximadamente 500 metros da trilha em menos de cinco horas após o alerta de desaparecimento.
Depois da localização, a tecnologia continuou desempenhando papel fundamental na operação.

Além da localização das vítimas, o drone também atuou na comunicação com elas. Foto: Corpo de Bombeiros de Nova Gales do Sul.
Os excursionistas utilizaram a luz vermelha de um telefone celular para sinalizar sua posição ao drone, que estabeleceu comunicação por meio de um alto-falante integrado. Ao mesmo tempo, um potente holofote iluminou o terreno, permitindo que as equipes de resgate chegassem rapidamente ao local exato onde eles estavam.
Os dois apresentavam apenas sintomas leves de exposição ao frio e não precisaram de atendimento médico.
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Ganho de tempo pode salvar vidas
Segundo o inspetor Phillip Eberle, do Serviço de Bombeiros e Resgate de Nova Gales do Sul, a principal vantagem da tecnologia está na redução significativa do tempo necessário para localizar vítimas.
De acordo com ele, uma busca que poderia durar dias foi concluída em poucas horas, diminuindo também a exposição de bombeiros e voluntários aos riscos inerentes às operações noturnas em terreno montanhoso.
As primeiras horas após um desaparecimento são consideradas decisivas nas operações de busca. Quanto menor o tempo para localizar uma vítima, maiores são as chances de encontrá-la em boas condições e menor a necessidade de mobilizar grandes efetivos em áreas extensas.
Próximo passo: entrega de suprimentos por drone
O sucesso da operação abre caminho para novas aplicações da tecnologia. O Serviço de Bombeiros australiano já trabalha no desenvolvimento de sistemas que permitam aos drones transportar cobertores térmicos, alimentos, água e kits de primeiros socorros até pessoas isoladas na montanha, antes mesmo da chegada das equipes terrestres.
Embora drones já sejam utilizados em operações de busca em diversos países, a integração de inteligência artificial para detecção automática de pessoas, aliada à comunicação direta por alto-falante e ao uso de holofotes, representa um importante avanço operacional.
Mais do que substituir os socorristas, a tecnologia surge como uma ferramenta para ampliar a eficiência das equipes, reduzir riscos e aumentar as chances de sucesso justamente no período mais crítico de qualquer operação de resgate: as primeiras horas após o desaparecimento.










