Como escolher a melhor cadeirinha para escalada: guia completo para iniciantes

0

Escolher a primeira cadeirinha de escalada pode parecer uma tarefa simples, mas basta pesquisar alguns modelos para surgirem diversas dúvidas: qual é a melhor cadeirinha para escalada? Como escolher o tamanho correto? É melhor uma cadeirinha leve ou confortável? Perneiras ajustáveis ou fixas? Quantos racks são necessários? Como saber se uma cadeirinha é segura e certificada?

A cadeirinha é um dos principais equipamentos de proteção utilizados na escalada. Ela mantém o escalador conectado ao sistema de segurança, permite o encordoamento à corda e proporciona suporte ao corpo durante uma queda ou quando o escalador permanece suspenso.

Mas não existe uma única cadeirinha que seja a melhor para todos os escaladores.

 

Escalador esportivo. Foto: PXhere

A escolha depende principalmente da modalidade praticada, do ajuste ao corpo, do conforto, do peso, da quantidade de equipamentos que será necessário transportar e das características do equipamento.

Neste guia, você vai entender como funciona uma cadeirinha de escalada, conhecer suas principais partes, descobrir como escolher o tamanho correto, entender as diferenças entre os modelos e saber o que observar antes, durante e depois da compra.

Em resumo: como escolher uma cadeirinha de escalada?

Se você está começando e quer uma resposta rápida, estes são os principais critérios:

  • Ajuste: a cadeirinha deve vestir corretamente e permanecer estável no corpo.
  • Tamanho: siga a tabela do fabricante e, sempre que possível, experimente o equipamento antes de comprar.
  • Modalidade: uma cadeirinha para escalada esportiva pode ter características diferentes de um modelo para Big Wall ou alta montanha.
  • Conforto: quanto mais tempo você permanecer suspenso, mais importante ele se torna.
  • Peso: modelos mais leves podem ser interessantes quando cada grama faz diferença.
  • Racks: escolha a quantidade de porta-equipamentos de acordo com o material que pretende transportar.
  • Perneiras: modelos ajustáveis oferecem maior versatilidade; os fixos podem ser mais leves e simples.
  • Certificação: procure normas reconhecidas, como UIAA 105 e EN 12277, de acordo com o mercado e a aplicação do produto.
  • Procedência: compre de fabricantes e revendedores confiáveis.
  • Conservação: inspecione regularmente o equipamento e siga as orientações do fabricante.

A melhor cadeirinha não é necessariamente a mais cara, mais leve ou mais tecnológica. É aquela que se ajusta corretamente ao seu corpo, é adequada à modalidade que você pratica e atende aos requisitos de segurança.

O que é uma cadeirinha de escalada?

A cadeirinha, também chamada de arnês, é um equipamento utilizado em escalada, montanhismo e outras atividades verticais para manter o usuário conectado ao sistema de segurança.

Nos modelos do tipo “sit harness”, comuns na escalada, o equipamento envolve a cintura e as pernas e possui pontos estruturais destinados ao encordoamento e à conexão do sistema de segurança.

Além de cumprir uma função de segurança, a cadeirinha também permite transportar equipamentos por meio dos porta-equipamentos.

A construção pode variar bastante. Existem modelos extremamente leves, destinados à alta montanha e ao alpinismo, enquanto outros priorizam conforto e capacidade de transportar equipamentos para vias longas e Big Wall.

Quais são as partes de uma cadeirinha de escalada?

Conhecer os componentes da cadeirinha é importante não apenas para escolher o modelo, mas também para saber onde conectar cada equipamento e quais partes precisam ser inspecionadas.

Cinto

É a parte que envolve a cintura.

Quando corretamente ajustado, deve permanecer firme e posicionado acima dos ossos do quadril, sem ficar excessivamente apertado ou frouxo.

Os sistemas de regulagem variam conforme o fabricante. Alguns modelos possuem uma ou duas fivelas na cintura, enquanto outros utilizam diferentes sistemas de ajuste.

O importante é seguir as instruções do fabricante e verificar se o cinto permanece corretamente posicionado durante os movimentos.

Belay loop

O belay loop, ou anel de segurança, é a alça estrutural localizada na parte frontal da cadeirinha, entre o cinto e as perneiras. Ele é utilizado para conectar o sistema de segurança, como o dispositivo de freio utilizado pelo segurador.

O belay loop é um componente estrutural e deve ser inspecionado regularmente porque sofre desgaste com o uso.

Importante: o belay loop não deve ser confundido com os pontos de encordoamento. A forma correta de conectar a corda à cadeirinha deve seguir as instruções do fabricante. Na escalada esportiva, o nó oito é amplamente utilizado para realizar o encordoamento diretamente nos pontos destinados a essa função.

Pontos de encordoamento

São os pontos estruturais reforçados da cadeirinha destinados à conexão da corda. Em muitos modelos, existem dois pontos de encordoamento: um superior, associado ao cinto, e outro inferior, associado às perneiras.

Pontos para o encordamento. Foto: Allan Mas / Pexels

É nesses pontos que o escalador realiza o encordoamento seguindo o método indicado pelo fabricante.

Como a corda passa repetidamente por essa região, os pontos de encordoamento devem ser inspecionados com atenção.

Porta-equipamentos ou racks

Os racks são pequenas alças localizadas nas laterais da cadeirinha para transportar equipamentos.

Podem ser utilizados para carregar:

  • costuras expressas;
  • mosquetões;
  • cordeletes;
  • fitas;
  • dispositivos de freio;
  • equipamentos de proteção móvel;
  • outros acessórios.

Os racks não são pontos de segurança. Nunca utilize um porta-equipamento para prender a corda, realizar uma ancoragem ou conectar um sistema que precise suportar uma queda.

Perneiras

As perneiras envolvem as coxas e ajudam a distribuir o peso do escalador durante a suspensão.

O formato, a largura, o acolchoamento e o sistema de regulagem variam de acordo com o modelo.

Na escalada esportiva, por exemplo, uma perneira leve pode favorecer a liberdade de movimento. Em uma via longa, o conforto durante horas de suspensão pode ser mais importante.

Elásticos de retenção das perneiras

Os elásticos traseiros conectam as perneiras à região posterior do cinto. Sua função é ajudar a manter as perneiras na posição correta durante os movimentos. Eles também não são componentes estruturais destinados a suportar uma queda.

Qual é a melhor cadeirinha para escalada?

A resposta depende principalmente do tipo de escalada que você pratica.

Uma cadeirinha utilizada exclusivamente em um ginásio pode priorizar leveza, ventilação e liberdade de movimento. Na escalada esportiva em rocha, uma combinação de baixo peso, conforto e porta-equipamentos pode ser interessante.

Para vias longas, escalada tradicional e Big Wall, o conforto e a capacidade de transportar equipamentos ganham importância. Já no alpinismo e na alta montanha, o peso, a possibilidade de ajustar a cadeirinha sobre diferentes camadas de roupa e a compatibilidade com outros equipamentos podem ser fatores relevantes.

Segundo o escalador Rafael Wojcik, que pratica escalada há mais de três décadas, o ambiente e a modalidade são determinantes na escolha:

“Sempre escolho a cadeirinha de acordo com o tipo de escalada. Para paredes longas prefiro conforto. Já na escalada esportiva gosto de modelos leves e mais ventilados. Em ginásios também priorizo equipamentos leves. Não gosto de cadeirinhas com muitos racks e excesso de acolchoamento ou fitas porque acabam atrapalhando alguns movimentos.”

Como escolher o tamanho certo da cadeirinha?

O tamanho correto é um dos critérios mais importantes na escolha. A cadeirinha deve ficar firme no corpo, mas sem causar compressão excessiva. O cinto deve permanecer corretamente posicionado acima dos ossos do quadril.

Uma forma simples de verificar o ajuste é vestir a cadeirinha conforme as instruções do fabricante e tentar deslocá-la para baixo. Ela não deve ultrapassar os ossos do quadril.

As perneiras também precisam estar corretamente ajustadas. Elas não devem comprimir excessivamente as pernas nem ficar tão frouxas que permitam movimentação excessiva.

Como cada fabricante utiliza medidas e formatos diferentes, a numeração de uma marca não necessariamente corresponde à de outra. Por isso, consulte sempre a tabela de medidas do fabricante e, se possível, experimente a cadeirinha antes da compra.

Ao experimentar uma cadeirinha:
  • ajuste o cinto de acordo com as instruções do fabricante;
  • verifique se o cinto permanece acima dos ossos do quadril;
  • confira se não há folga excessiva;
  • ajuste as perneiras;
  • caminhe e agache;
  • simule movimentos de escalada;
  • verifique se as perneiras permanecem confortáveis;
  • observe se os racks ficam acessíveis;
  • se possível, experimente a posição de suspensão.

Uma cadeirinha confortável em pé pode não ser confortável quando você estiver suspenso. Por isso, sempre que possível, teste também essa posição.

Perneiras ajustáveis ou fixas: qual escolher?

Essa é uma das principais diferenças entre modelos.

Perneiras ajustáveis

As perneiras ajustáveis permitem aumentar ou diminuir a circunferência das pernas.

São especialmente interessantes para quem:

  • possui coxas muito finas ou mais grossas;
  • utiliza diferentes camadas de roupa;
  • pratica montanhismo;
  • pratica escalada alpina;
  • utiliza a cadeirinha em diferentes estações do ano;
  • busca maior versatilidade.

Perneiras fixas

As perneiras fixas possuem tamanho predeterminado. Em geral, permitem uma construção mais simples e podem contribuir para reduzir o peso do equipamento.

São comuns em modelos destinados à escalada esportiva e indoor.

A escolha entre perneiras fixas e ajustáveis depende principalmente do ajuste ao corpo e da modalidade praticada.

Cadeirinha masculina ou feminina: qual escolher?

Atualmente, existem modelos unissex e modelos desenvolvidos especificamente para diferentes anatomias.

As diferenças podem envolver:

  • altura do cinto;
  • proporção entre cintura e pernas;
  • formato do cinto;
  • posicionamento das perneiras;
  • comprimento dos elásticos;
  • sistemas de ajuste;
  • soluções para facilitar o uso durante necessidades fisiológicas.

Entretanto, “feminina” não significa necessariamente “melhor para toda mulher”. O ajuste ao corpo deve ser mais importante do que o gênero indicado no nome do produto.

Mulher escalando uma via de escalada esportiva. Foto: Zhukovvvlad / Adobe Stock

Existem, inclusive, modelos certificados e comercializados como gender neutral, mostrando que diferentes fabricantes adotam abordagens distintas para solucionar a questão do ajuste.

Por isso, experimente diferentes modelos e escolha aquele que oferece melhor ajuste, conforto e liberdade de movimento.

Outro detalhe importante é o sistema de abertura da alça traseira das perneiras, que permite às mulheres realizar necessidades fisiológicas sem retirar completamente a cadeirinha.

Esse recurso já está presente na maior parte dos modelos modernos, mas vale conferir antes da compra.

Quantos racks uma cadeirinha deve ter?

Não existe uma quantidade obrigatória. O número ideal depende da modalidade e da quantidade de equipamentos que você precisa transportar.

Dois racks

Podem atender bem a quem pratica escalada indoor ou escalada esportiva simples, dependendo da quantidade de equipamentos utilizada.

Quatro racks

Oferecem uma combinação bastante versátil para quem pratica escalada esportiva e pretende começar a escalar em rocha.

Cinco ou mais racks

Podem ser interessantes para escalada tradicional, vias longas, escalada alpina e outras modalidades nas quais é necessário transportar uma quantidade maior de equipamentos.

Também existem modelos que utilizam diferentes configurações de racks e pontos específicos para determinados equipamentos.

Mais racks não significa necessariamente uma cadeirinha melhor. Se você pratica apenas escalada esportiva, racks adicionais podem representar peso e volume que não serão necessários.

Equipamentos distribuidos nos racks. Foto: Toulouse / Pexels

Principais tipos de cadeirinha

Cadeirinhas para escalada indoor

Para quem escala exclusivamente em ginásios, uma cadeirinha leve, confortável e ventilada pode atender muito bem.

O número de racks necessário tende a ser menor, já que o escalador normalmente utiliza uma quantidade reduzida de equipamentos.

Mesmo para uso indoor, entretanto, a cadeirinha deve ser apropriada para a atividade e utilizada de acordo com as instruções do fabricante.

A cadeirinha para escalada indoor pode ter menos recursos e ser mais leve. Foto: PxHere

Cadeirinhas para escalada esportiva

São modelos desenvolvidos para combinar:

  • baixo peso;
  • liberdade de movimento;
  • conforto;
  • pontos de encordoamento adequados;
  • belay loop;
  • porta-equipamentos.

Podem ser utilizadas tanto em ginásios quanto em rocha, desde que o modelo seja adequado à atividade.

Para muitos iniciantes, uma cadeirinha esportiva versátil pode ser uma opção para acompanhar a evolução do escalador.

Cadeirinhas para escalada tradicional

Na escalada tradicional, o escalador normalmente precisa transportar uma quantidade maior de equipamentos.

Por isso, a capacidade de organização dos racks ganha importância. Conforto e liberdade de movimento continuam sendo fundamentais, especialmente em vias longas.

Cadeirinhas para vias longas e Big Wall

Em escaladas de várias horas ou vários dias, o conforto durante a suspensão passa a ser um dos principais critérios.

Esses modelos podem apresentar:

  • maior acolchoamento;
  • perneiras mais confortáveis;
  • mais racks;
  • sistemas de organização;
  • maior possibilidade de ajuste.

A desvantagem é o aumento de peso e volume.

Cadeirinhas ultraleves

São desenvolvidas para situações nas quais reduzir peso é uma prioridade. Podem ser utilizadas em alta montanha, alpinismo e outras atividades nas quais o escalador precisa transportar todo o equipamento por longas distâncias.

Existem modelos certificados para escalada esportiva que também utilizam construções extremamente leves. Portanto, o peso por si só não determina para qual modalidade uma cadeirinha serve. É necessário verificar as especificações do fabricante.

Como saber se uma cadeirinha é segura?

A primeira etapa é verificar a certificação e a procedência do equipamento.

A UIAA possui uma norma específica para cadeirinhas, a UIAA 105 – Harnesses. A organização informa que esse padrão é baseado na norma europeia EN 12277 e possui requisitos adicionais.

A certificação, entretanto, não é o único aspecto relacionado à segurança.

Antes de comprar, confira:

  • fabricante;
  • modelo;
  • tamanho;
  • identificação do produto;
  • informações de fabricação;
  • certificação;
  • instruções de uso;
  • recomendações de manutenção;
  • vida útil indicada pelo fabricante.

A própria base de certificações da UIAA permite consultar equipamentos que possuem certificação UIAA 105.

Desconfie de produtos sem fabricante identificado, sem documentação ou sem informações claras sobre sua utilização.

E lembre-se: uma certificação não torna o equipamento indestrutível. O uso correto, a inspeção e a manutenção continuam sendo responsabilidade do usuário.

O que significa UIAA 105?

A UIAA 105 é o padrão de segurança da União Internacional de Associações de Alpinismo para cadeirinhas.

A UIAA desenvolve padrões de segurança para equipamentos de montanhismo e escalada e informa que suas normas são periodicamente revisadas para acompanhar as necessidades técnicas e a evolução dos equipamentos.

A UIAA 105 é baseada na EN 12277, norma europeia para cadeirinhas, mas inclui requisitos adicionais.

Por isso, ao procurar uma cadeirinha certificada, vale conferir não apenas a descrição comercial do produto, mas também a documentação e a certificação correspondente ao modelo.

Detalhe na cadeirinha mostrando a certificação.

Qual é a validade de uma cadeirinha de escalada?

Não existe uma validade única que possa ser aplicada a todas as cadeirinhas. A vida útil deve ser consultada nas instruções do fabricante.

Além disso, ela depende de fatores como:

  • modelo;
  • data de fabricação;
  • frequência de uso;
  • intensidade do uso;
  • armazenamento;
  • exposição ao sol;
  • contato com produtos químicos;
  • abrasão;
  • eventos excepcionais.

A UIAA recomenda que as instruções do fabricante sejam a principal referência para utilização, inspeção, manutenção e aposentadoria do equipamento.

Alguns fabricantes estabelecem períodos máximos específicos. A Petzl, por exemplo, orienta a verificação da vida útil máxima definida para seus equipamentos e recomenda inspeções periódicas por pessoa competente.

Quando trocar a cadeirinha?

Não espere a cadeirinha simplesmente “ficar velha” para avaliar sua substituição. Faça inspeções frequentes e retire o equipamento de uso caso identifique sinais de desgaste ou dano.

Observe principalmente:

  • cortes;
  • furos;
  • abrasão;
  • desgaste das fitas;
  • costuras danificadas;
  • deformações;
  • danos no belay loop;
  • desgaste nos pontos de encordoamento;
  • danos nas fivelas;
  • exposição a produtos químicos;
  • danos provocados por calor;
  • qualquer alteração que comprometa a confiança na integridade do equipamento.

A Petzl recomenda verificar especificamente fitas, costuras, belay loop, pontos de encordoamento, fivelas, elásticos e porta-equipamentos durante a inspeção.

E depois de uma queda?

Uma queda normal faz parte da utilização prevista de uma cadeirinha de escalada, mas qualquer evento excepcional deve ser considerado durante a avaliação do equipamento.

Se houver dúvida sobre a integridade da cadeirinha após uma situação fora do uso normal, siga as orientações do fabricante e, quando necessário, retire o equipamento de uso para avaliação.

Como limpar e armazenar uma cadeirinha?

A conservação correta ajuda a preservar o equipamento, mas os procedimentos devem seguir as recomendações específicas do fabricante.

De modo geral, evite:

  • guardar a cadeirinha molhada;
  • deixá-la exposta desnecessariamente ao sol;
  • armazená-la próxima a produtos químicos;
  • utilizar produtos de limpeza não recomendados;
  • modificar fitas ou costuras;
  • expor o equipamento a fontes intensas de calor.

Depois de uma atividade com lama, areia, água salgada ou outras substâncias que possam contaminar o equipamento, faça a limpeza de acordo com as instruções do fabricante e deixe a cadeirinha secar adequadamente antes de armazená-la.

Posso comprar uma cadeirinha usada?

É possível encontrar equipamentos usados em bom estado, mas a compra exige bastante cautela. O principal problema é o histórico desconhecido do equipamento. Ao comprar uma cadeirinha usada, você pode não saber:

  • quanto tempo ela foi utilizada;
  • como foi armazenada;
  • se ficou exposta ao sol;
  • se entrou em contato com produtos químicos;
  • se sofreu uma queda ou outro evento excepcional;
  • se passou por algum tipo de alteração;
  • se já apresentou desgaste anteriormente.

Um escalador experiente pode conseguir identificar alguns sinais de desgaste, mas mesmo assim determinados danos podem ser difíceis de avaliar apenas visualmente.

Por isso, para quem está começando, a procedência deve ser considerada antes do preço. Se não for possível determinar com segurança o histórico e o estado do equipamento, não o utilize.

Qual cadeirinha comprar para quem está começando?

Para um iniciante, uma cadeirinha confortável, corretamente ajustada, certificada e versátil pode ser uma boa escolha.

Antes de comprar, pense não apenas na atividade que você pratica hoje, mas também em como pretende evoluir. Se atualmente você escala apenas em um ginásio, mas pretende começar a escalar em rocha, por exemplo, um modelo esportivo versátil pode evitar a necessidade de trocar de equipamento pouco tempo depois.

Segundo Rafael Wojcik:

“Mesmo que hoje você escale apenas em um ginásio, é provável que em pouco tempo queira experimentar a escalada em rocha. Escolher um modelo adequado desde o início evita um novo investimento no curto prazo e garante mais segurança e conforto em qualquer modalidade.”

O mais importante, porém, é não escolher apenas pelo peso, preço ou aparência. Experimente a cadeirinha. Confira o ajuste. Verifique a certificação. Leia as instruções. E pense em como você pretende utilizá-la.

Checklist: o que verificar antes de comprar uma cadeirinha?

Antes de finalizar a compra, confira:

  • O tamanho é adequado ao meu corpo?

    O cinto fica corretamente posicionado?

    As perneiras são confortáveis?

  • Preciso de perneiras ajustáveis?

  • A quantidade de racks atende à modalidade que pratico?

  • O peso é adequado ao meu objetivo?

  • O equipamento possui certificação aplicável?

  • O fabricante fornece instruções claras?

  • Sei qual é a vida útil indicada?

  • Sei como fazer a inspeção e manutenção?

  • A cadeirinha poderá acompanhar minha evolução?

Perguntas frequentes sobre cadeirinhas de escalada

Qual é a melhor cadeirinha para iniciantes?

A melhor opção é aquela que se ajusta corretamente ao corpo, é adequada à modalidade praticada, possui certificação aplicável e oferece conforto suficiente para o uso pretendido.

Quantos racks uma cadeirinha precisa ter?

Não existe uma quantidade obrigatória. Dois racks podem atender algumas situações de escalada esportiva, enquanto vias tradicionais e longas podem exigir maior capacidade de organização.

É melhor uma cadeirinha leve ou confortável?

Depende da atividade. Em escaladas esportivas, o peso pode ser importante. Em vias longas e Big Wall, o conforto durante longos períodos de suspensão pode ganhar prioridade.

Perneiras fixas ou ajustáveis?

As ajustáveis oferecem maior versatilidade e podem ser interessantes para quem usa diferentes roupas ou pratica montanhismo. As fixas podem ser mais simples e leves.

Toda cadeirinha serve para escalada?

Não. Sempre verifique para qual atividade o fabricante projetou e certificou o equipamento.

Cadeirinha feminina é mais segura?

Não necessariamente. O mais importante é o ajuste correto ao corpo, a certificação e o uso adequado.

Posso usar uma cadeirinha usada?

Pode haver equipamentos usados em boas condições, mas é fundamental conhecer sua procedência e seu histórico. Na dúvida sobre a integridade, não utilize.

Quanto tempo dura uma cadeirinha?

A vida útil varia conforme o fabricante, o modelo e as condições de uso e armazenamento. Consulte sempre as instruções específicas do equipamento.

Como saber se preciso trocar minha cadeirinha?

Procure sinais de desgaste nas fitas, costuras, belay loop, pontos de encordoamento, fivelas e demais componentes. Diante de danos ou dúvidas sobre a integridade, siga as orientações do fabricante e retire o equipamento de uso quando necessário.

Como guardar uma cadeirinha?

Mantenha-a limpa e seca, protegida do sol, calor excessivo e produtos químicos, sempre de acordo com as recomendações do fabricante.

Conclusão: qual é a melhor cadeirinha para escalada?

A melhor cadeirinha não é necessariamente a mais leve, mais cara ou mais tecnológica.

É aquela que se ajusta corretamente ao seu corpo, é apropriada para a modalidade que você pratica, oferece o nível de conforto necessário, possui certificação e procedência adequadas e está em boas condições de uso.

Para quem está começando, vale pensar também no futuro. Uma cadeirinha esportiva confortável e versátil pode acompanhar a transição do ginásio para a rocha e permitir que o escalador experimente diferentes modalidades antes de precisar investir em equipamentos mais específicos.

Na hora de escolher, portanto, considere cinco perguntas fundamentais:

Onde vou escalar? Quanto tempo vou permanecer suspenso? Quantos equipamentos preciso carregar? Como a cadeirinha veste no meu corpo? E ela possui certificação e procedência confiáveis?

Responder a essas perguntas é mais importante do que escolher uma cadeirinha simplesmente porque ela é mais leve, mais cara ou mais popular.

E, quando o assunto é equipamento de proteção, lembre-se: a cadeirinha faz parte de um sistema de segurança e nunca deve ser utilizada fora das especificações do fabricante.

Aprender a escolher, ajustar, inspecionar e cuidar do equipamento é tão importante quanto saber comprá-lo.

Compartilhar

Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

Deixe seu comentário