Everest: primeiros cumes, brasileiros,recordes e mortes nessa temporada de 2026

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Em uma breve janela de tempo bom e em meio às intermináveis filas na rota, ocorreram os primeiros cumes da temporada 2026 no Monte Everest, nesse final de semana. Cerca de 20 pessoas alcançaram o topo da montanha mais alta do planeta, entre elas dois nomes históricos do himalaísmo: Kami Rita Sherpa e Lhakpa Sherpa, o homem e a mulher que escalaram o Everest mais vezes.

Monte Everest visto desde o trekking ao Acampamento Base. Foto: Pedro Hauck.

Na sequência, em 18/05, também chegaram ao cume os brasilieros Francisco Campos e Murilo Vargas. Eles são os dois primeiros do Brasil a chegar ao topo nessa temporada. Em breve eles deverão chegar ao Acampamento Base onde poderão dar mais detalhes dessa escalada. Os demais brasileiros: Carlos Santalena, Décio Gomes, Adalberto Neto, Leonardo Pena, Diego Ariel, Gustavo Cordoni, Roberto Lucchese e Eduardo Gouveia estão no acampamento 3 e pretendem tentar cume no dia 20/05.

Francisco Campos se preparando para o ataque ao cume.

Murilo Vargas

 

 

 

 

Dois recordes

Aos 56 anos, Kami Rita ampliou ainda mais seu próprio recorde mundial ao completar sua 32ª ascensão ao Everest. Já Lhakpa Sherpa, conhecida internacionalmente como “Mountain Queen”, alcançou o cume pela 11ª vez e consolidou-se como a mulher com mais ascensões ao Everest na história.

Lhakpa também já possuía seu nome escrito no livro dos recordes. Foto: Guiness Book

A primeira expedição de Kami Rita aconteceu em 1994. Desde então, o sherpa sobe a montanha praticamente todos os anos, atuando principalmente como guia de clientes em expedições comerciais. Em 2026, ele participou da escalada como parte do projeto “14 x 8 mil”. Apesar do novo recorde, Kami Rita indicou que esta pode ter sido sua última ascensão ao Everest. “Já tenho 55 anos. Depois de me aposentar das escaladas ao Everest em 2026, pretendo continuar fazendo trekking e outras atividades de aventura”, disse ele antes de sua partida.

Além do Everest, Kami Rita também escalou o Cho Oyu oito vezes, o Manaslu em cinco oportunidades, além do K2 e do Lhotse uma vez cada. O feito lhe garantiu reconhecimento do Guinness World Records em 2025 pelo maior número de ascensões confirmadas a montanhas acima de 8 mil metros, somando 42 cumes após sua 31ª escalada ao Everest em maio do ano passado.

Já Lhakpa Sherpa realizou sua primeira expedição ao Everest em 2000, sem treinamento formal em montanhismo. Desde então, alcançou o topo da montanha três vezes pelo lado tibetano e oito vezes pela rota nepalesa. Em uma dessas expedições, realizou a escalada enquanto estava grávida de dois meses de seu segundo filho.

Sua trajetória como montanhista, mãe solo e imigrante nos Estados Unidos é retratada no documentário Mountain Queen: The Summits of Lakpa Sherpa. Segundo Lhakpa, suas escaladas também têm como objetivo inspirar outras mulheres e jovens nepalesas. “Elas podem fazer tudo o que quiserem”, disse ela sobre as mulheres nepalesas.

Lado triste da montanha

Enquanto centenas de alpinistas seguem tentando alcançar o topo das grandes montanhas do Himalaia nesta temporada, expedições no Everest, Lhotse e Makalu também vêm sendo marcadas por acidentes fatais.

Uma das mortes mais recentes foi a do jovem sherpa Phura Gyaljen Sherpa, de 20 anos, que perdeu a vida após sofrer uma queda de aproximadamente 400 metros abaixo do Campo III, na Face do Lhotse, enquanto transportava suprimentos para equipes de expedição durante a noite. O acidente aconteceu próximo aos 7 mil metros de altitude, em uma das seções mais técnicas e expostas da rota.

Phura Gyaljen era considerado um alpinista experiente, com cumes no Manaslu e no Everest em sua trajetória. Após o acidente, seu corpo foi transportado da montanha para Catmandu.

O jovem sherpa também fazia parte de uma das famílias mais tradicionais do montanhismo no Khumbu e era neto do lendário Ang Rita Sherpa, histórico alpinista que escalou o Everest dez vezes sem oxigênio suplementar.

Além disso, a temporada também registrou uma vítima fatal no Makalu, quinta montanha mais alta do planeta. A alpinista norte-americana Shelley Johannesen, de 53 anos, morreu após ser atingida por uma avalanche durante a descida do cume da montanha.

Shelley havia alcançado com sucesso o topo do Makalu, a 8.485 metros de altitude, antes do acidente ocorrer por volta dos 7.200 metros durante a descida.

Antes disso, a temporada já havia registrado as mortes do alpinista nepalês Bijay Ghimire Bishwakarma, na perigosa Cascata de Gelo de Khumbu, e de Lakpa Dendi Sherpa, que morreu durante a caminhada rumo ao Acampamento Base do Everest.

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Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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