Enquanto a maioria dos montanhistas se prepara para expedições que podem durar até dois meses no Monte Everest, dois nomes conhecidos pelos recordes de velocidade já estão no Acampamento Base com um objetivo em comum: ser o mais rápido. O equatoriano Karl Egloff, de 45 anos, e o americano Tyler Andrews, de 35, pretendem tentar o FKT (Fastest Known Time – Tempo Mais Rápido Conhecido) na montanha mais alta do mundo sem o uso de oxigênio suplementar.
Segundo o site Ace the Himalayan, o recorde atual de subida mais rápida do Everest pertence ao nepalês Lhakpa Gelu Sherpa, que alcançou o cume em 10 horas e 56 minutos, em 2003. Pemba Dorje Sherpa também reivindicou o título ao declarar ter completado a subida em 8 horas e 10 minutos, em 2004, mas o feito não foi reconhecido pela Suprema Corte do Nepal.
O novo desafio
Essa não é a primeira vez que Andrews encara o desafio. Em 2025, ele realizou quatro tentativas de bater o recorde, atingindo como ponto mais alto cerca de 8.400 metros. O atleta, que já deteve o recorde de subida mais rápida do Aconcágua no final de 2024 (4h35min20s) e do Ojos del Salado no mesmo ano (2h22min), é especialista no estilo “fast and light”, que prioriza velocidade com o mínimo de equipamento e apoio — uma abordagem que aumenta significativamente os riscos, especialmente em montanhas de oito mil metros. Inicialmente, ele pretendia bater o tempo de Kilian Jornet, que escalou a face norte do Everest em 26 horas. No entanto, com o fechamento dessa rota pela China, Andrews adaptou seus planos para o lado nepalês.
“Estou muito animado para retornar a um dos meus lugares favoritos no mundo com a ajuda do meu grande amigo Dawa Steven (e outros!). Tenho treinado mais e melhor do que nunca na minha vida. Aconteça o que acontecer, sei com 100% de certeza que fiz tudo o que podia todos os dias desta preparação”, registrou em seu Instagram.
Karl Egloff também chega com uma série de recordes expressivos em seu currículo. Em 2025, ele completou a ascensão e descida do Aconcágua, saindo de Plaza de Mulas, passando pelos cumes norte e sul e retornando ao acampamento base em 7h57min. Além disso, acumula marcas impressionantes como a subida e descida do Kilimanjaro em 6h42min, do Monte Elbrus em 4h20min e do Makalu (8.482 m) em 25 horas.
No Everest, porém, seu objetivo vai além da subida: Egloff busca o recorde de ida e volta mais rápido, atualmente pertencente a Kaji Sherpa, que completou o percurso em impressionantes 20h24min, em 1998. Sua primeira tentativa ocorreu em 2025, quando chegou a aproximadamente 7.000 metros antes de abandonar devido às condições climáticas adversas, com ventos intensos.
Após um ano, ele retorna mais preparado a montanha. Segundo ele, a primeira experiência foi importante para saber o que ele precisa para o Everest. Então ele aproveitou esse período e focou em treinos extenuantes. “ Agora é hora de voltar. Mente clara. Discreto. Manter o foco, aproveitar o momento. Passo a passo, deixando a montanha decidir. Porque, no fim das contas, o sucesso é simples: dê tudo de si — e volte para casa!”, relatou em sua rede social.
Apesar da preparação física e técnica de alto nível, o sucesso da empreitada ainda é incerto. Além da altitude extrema, ambos terão que lidar com fatores imprevisíveis como mudanças bruscas no clima, a instabilidade da Cascata de Gelo do Khumbu e até o intenso fluxo de montanhistas na rota, que frequentemente gera filas em pontos críticos da montanha.













