Primavera de Recordes: Himalaia registra cumes simultâneos no Annapurna, Dhaulagiri e Makalu

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O início da temporada de escaladas no Himalaia em 2026 está desafiando as estatísticas tradicionais. Em um intervalo de apenas 48 horas, entre os dias 17 e 18 de abril, expedições alcançaram o topo de três das quatorze montanhas mais altas do mundo: Annapurna (8.091 m), Dhaulagiri (8.167 m) e Makalu (8.485 m). A rapidez na fixação das rotas e a precisão das janelas meteorológicas marcam o que especialistas já chamam de “a primavera da eficiência”.

Abertura de temporada no Annapurna

Tradicionalmente conhecido por ser um dos “oitomil” mais perigosos devido ao risco constante de avalanches, o Annapurna foi o primeiro a receber os escaladores este ano. No sábado (18), a equipe liderada pela 14 Peaks Expedition e AltiPro confirmou que mais de 30 alpinistas atingiram o cume.

O sucesso precoce deve-se a um esforço logístico coordenado que aproveitou uma brecha de ventos baixos logo após as nevascas de início de abril. Apesar da comemoração, a montanha lembrou sua natureza severa com relatos de resgates por exaustão extrema e cegueira de neve em altitudes superiores ao Campo 3.

Eficiência no Dhaulagiri e Makalu

Simultaneamente, a “Montanha Branca” (Dhaulagiri) viu a equipe da Imagine Nepal, sob a liderança dos experientes Sherpas Kilu e Ngima, completar a fixação das cordas e levar os primeiros clientes ao topo. A subida foi descrita como tecnicamente exigente devido às condições da neve, que apresentava placas instáveis após as tempestades recentes.

Já no Makalu, a quinta montanha mais alta do planeta, a estratégia foi o ataque rápido. Aproveitando o trabalho das equipes de apoio no “French Couloir”, os escaladores alcançaram o cume semanas antes do cronograma habitual de maio.

Análise: O fim das “Temporadas Tardias”?

A antecipação dos cumes para meados de abril sinaliza uma mudança estrutural no montanhismo de alta altitude. A combinação de previsões meteorológicas via satélite precisas e uma força de trabalho Sherpa altamente profissionalizada permite que as operadoras “limpem” os cumes das montanhas periféricas antes do grande fluxo de maio no Everest.

Para os guias e profissionais do setor, o cenário de 2026 aponta para uma temporada de Everest e Lhotse possivelmente superlotada, já que centenas de escaladores agora se deslocam dessas montanhas menores em direção ao vale do Khumbu, já devidamente aclimatados e prontos para o ataque final.

Fontes: Revista Desnivel, The Himalayan Times e comunicados oficiais das operadoras 14 Peaks e Imagine Nepal.

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Sobre o autor

Natural de Itatiba-SP e residente em Curitiba-PR desde 2007, Pedro Hauck é uma figura proeminente no montanhismo brasileiro. Sua formação inclui graduação em Geografia pela Unesp Rio Claro e mestrado em Geografia Física pela UFPR. Com uma carreira de mais de 27 anos, ele é guia de montanha profissional e instrutor de escalada credenciado pela ABGM, a única associação de guias de escalada profissional do Brasil. Seu currículo inclui a ascensão de mais de 180 montanhas acima de 4 mil metros, com mais da metade ultrapassando os 6 mil metros, além de um pico de 8 mil metros no Himalaia e dois de 7 mil. Pedro Hauck também atua como empresário do setor outdoor, sendo sócio da Loja AltaMontanha, uma das mais conceituadas lojas de montanhismo do país, da Via AltaMontanha, um dos maiores ginásios de escalada de Curitiba, e da Soul Outdoor, agência especializada em ascensão, trekking e cursos de montanhismo. Acompanhe Pedro Hauck no Instagram: @pehauck.

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