Sobre o Autor

Jorge Soto - Colunista

Jorge Soto é mochileiro, trilheiro e montanhista desde 1993. Natural de Santiago, Chile, reside atualmente em São Paulo. Designer e ilustrador por profissão, ele adora trilhar por lugares inusitados bem próximos da urbe e disponibilizar as informações á comunidade outdoor.

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A Trilha Noroeste do Pico do Itacolomi
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Ele já foi chamado de “Farol dos Bandeirantes” por orientar viajantes e tropeiros nos arredores de Ouro Preto, uma vez que a inconfundível pedra em forma de dedo que coroa seu escarpado cume é o grande destaque visível da histórica cidade mineira. É o Pico do Itacolomi, que atualmente já não atrai antigos desbravadores atrás de ouro e sim caminhantes em busca das largas vistas que seu topo de 1772m proporciona. Seu cume é acessível de duas formas: pela enfadonha trilha oficial que, bem sinalizada mas sem pontos de água, parte da portaria do Parque Estadual no qual o pico está inserido; ou por uma vereda alternativa que nasce a noroeste, a margem da Rodovia dos Inconfidentes (BR-356), que é o tema deste relato. Mais rústica e acidentada, esta rota de 7kms passeia por uma diversidade cênica impressionante e possui atrativos como a “Cidade de Pedra”, a “Capelinha” e é farta no precioso líquido, com direito a refrescantes banhos nas cabeceiras do córrego Belchior.

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A Cachuzona do Cafezal
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Cansei ouvir de amigos que Londrina não tem lugares interessantes nem atrativos naturebas pra conhecer. Afirmam que pra “Pequena Londres” ficar boa só falta um mar. Daí retruco dizendo que eles não conhecem bem a cidade ou nunca pisaram nela. Digo isto com a convicção de que o que a “Capital do Café” não tem de mar, ela tem de trocentas quedas espalhadas nos arredores ou até mesmo dentro dela. E acredite se quiser, com uma pitoresca cachoeira quase ao lado dum movimentado shopping center. Sim, a Cachoeira do Cafezal. Pois é, são estas as surpresas urbanóides que o Terceiro Planalto Parananense esconde até dos próprios londrinenses.

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A cachu de Califórnia
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Califórnia é um município norteparanaense, situado a 70kms de Londrina, que deve seu nome ao engenheiro francês que fez a medição de suas terras, Alberto Le Veillie Du Plessis, por achar seu clima e aspectos naturais semelhantes ao estado norte-americano de mesmo nome. Pacato por natureza, seu principais acidentes geográficos são o rio Taquara e o rio Jacucaca. Entretanto, é dum afluente menor, o córrego do Atum, que vem o maior atrativo natureba local, a Cachu Portelinha. E foi pra lá que nos mandamos num domingo de tempo bom pra banhos refrescantes.

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Pico do Jaraguá: A rota Sul
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Durante as viagens de trem que faço pela Linha Rubi meu olhar sempre é hipnotizado pela paisagem emoldurada na janela, no trajeto situado entre as estações Vila Clarice e Vila Aurora. Ali, a silhueta escarpada e proeminente do Pico do Jaraguá eleva-se no horizonte dominando todo quadrante oeste. É um cenário que encanta, pois se aprecia uma crista erguendo-se em suaves e verdes colinas ao sul, pra depois culminar nos imponentes dois picos coroados por torres deste belo cartão de São Paulo. Sempre flertei também um novo trajeto pra chegar ao alto dos 1135m do pico partindo do contraforte sul. Uma rota diferente das tradicionais “Trilha do Pai Zé” e da “Estrada Turística do Jaraguá”, caminhos oficiais ao topo da montanha. Pois bem, este é o relato fiel dessa aventurinha auto-imposta, uma descompromissada empreitada solo ao ponto mais alto de Sampa.

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O Salto do Cebolão
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Inaugurada no inicio dos anos 50, a usina hidrelétrica de Astorga nascia pra atender as necessidades dos municípios próximos daquela pacata cidade, situada a 65kms de Londrina (PR). O tempo então passou, o desenvolvimento chegou e a usina entrou em desuso, caindo no esquecimento. Entretanto, o salto que impulsionava suas turbinas – oriundo das águas represadas do Córrego do Cebolão – pode não gerar mais a energia de outrora mas ainda é grande atrativo natureba aos moradores locais. E foi então os 60m de altura desta bela queda que atende pelo nome de Salto do Cebolão que fomos conhecer num dia tão quente quanto puxado. Um rolê que resgata a história daquele rincão do Terceiro Planalto Parananense que emendou estrada de chão, trilha e escalaminhada, mas que foi recompensado com altos visus do Vale do Pirapó e um refrescante tchibum.

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Lavras x Carrancas: A travessia Z
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Distante quase 400km de São Paulo, Lavras é um município brasileiro da região do Campo das Vertentes, sul de MG. Seu nome remonta as grandes quantidades de ouro e pedras preciosas encontradas no século 18, que impulsionaram não apenas a economia como o desenvolvimento da região. Mas não apenas isso, pois Lavras também é ponto de partida de uma longa caminhada que percorre a cumieira de campos de altitude sul mineiros e finda na badalada Carrancas. É a “Travessia Z”, cujo trajeto tem o formato da última letra do alfabeto, contabiliza quase 70kms e demanda 4 dias bem andados. Pernada de fácil navegação que não apenas se vale da emenda de cristas sucessivas, trilhos de vaca e um pequeno trecho da Estrada Real; é uma travessia que abraça boa parte dos atrativos naturebas da região, como cânions, cachus, picos pitorescos e o imperdível cenário alienígena de Sete Pedras.

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Travessia Cascata – Águas da Prata
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Cascata é um pacato bairro rural que nasceu á margem da estação ferroviária homônima durante a expansão da E.F. Mogiana até Poços de Caldas. Situado na divisa de SP com MG, é deste lugar que parte (ou termina, como preferir) uma simpática caminhada por trilhos até Águas de Prata, 20kms ao sul. Um ferrotrekking com baixo desnível mas bastante cênico, pois bordeja as íngremes encostas da Serra do Monte Belo e da Serra do Paiol. Uma pernada bem tranquila de três dias que esticou ás quedas do Morro do Serrote, ás vistas deslumbrantes do Alto da Divisa e aos banhos refrescantes dos vales situados a margem desta histórica ferrovia.

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