Dois anos de muito montanhismo

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Os últimos dois anos foram especiais para mim, pois foram os anos que eu mais escalei. Fiz 4 expedições aos Andes e uma grande viagem aos Estados Unidos. Neste meio de tempo escalei 27 montanhas, 22 com mais de 6 mil metros. Destas, de acordo com Rodrigo Granzotto Perón, 8 foram inéditas para brasileiros. Além disso, também fui o primeiro brasileiro a escalar todas as montanhas com mais de 6 mil metros na Bolívia (são 14), num projeto realizado por somente duas pessoas, além de mim, no mundo. Todas estas montanhas foram feitas por conta própria, sem apoio logístico, sem guias, sem ajuda externa, tudo realizado em carros 4×4 em locais extremamente remotos em montanhas pouquíssimo frequentadas e o resultado é que no final de tudo isso acabei me tornando também o brasileiro com mais cumes de 6 mil metros no Curriculum: 32!

Todos os 14 6 mil da Bolívia. Arte de Julien Cachemaille.

Tudo começou com um convite inesperado de Waldemar Niclevicz, na minha opinião o montanhista mais completo do Brasil. Waldemar me chamou para participar de uma das etapas de seu projeto Mundo Andino e assim, ainda no fim de 2012, fomos a bordo de sua caminhonete para os Andes de Salta na Argentina.
Realizamos uma aclimatação no simpático vulcão Tuzgle de 5500 metros, na província de Jujuy no Norte do país. Após esta ascensão, fomos até o Nevado de Cachi montanha de 6350 metros que é muito pouco frequentada, fizemos o primeiro cume brasileiro nesta montanha exatamente no dia de natal.

A ruína inca no cume do Antofalla.

Um pouco mais ao Sul, dias depois, fizemos cume no vulcão Antofalla, uma enorme e remota montanha de 6470 metros (17° montanha mais alta dos Andes). No cume encontramos uma impressionante ruina inca de mais de 500 anos. Novamente foi a primeira vez que brasileiros pisaram ali.

Após esta escalada, realizamos uma travessia 4×4 em um dos lugares mais remotos e desconhecidos dos Andes, saindo do salar de Antofalla e chegando até o Paso San Francisco, em 3 dias de muita tensão, pois não tínhamos equipe de apoio e se algo desse errado, estaríamos lá até hoje. Esta região é a mais seca do planeta e o terreno é extremamente hostil, com muita areia, pedras afiadas e até atoleiros perto dos salares.
Passamos o réveillon num lugar incrível ao lado de uma lagoa salgada, onde havia até uma piscina com agua termal. Era quente por conta da atividade do vulcão Peinado (5800m), que fica ali ao lado. No primeiro dia de 2013 já começamos nas alturas, pois não resistimos a bela visão daquele vulcão e decidimos subir ele. Mais tarde descobri pelo montanhista argentino Marcelo Scanu, que fizemos a quinta ascensão absoluta daquela montanha e ainda por uma rota inédita.

Vulcão Peinado.

Continuando nossa odisseia, entramos no Chile para escalar o vulcão Incahuasi, de 6640 metros (12° montanha mais alta dos Andes). Foram mais de 2 mil metros de puxada até o cume, mas mesmo cansados conseguimos chegar no topo num dia de muito vento. Também foi a primeira ascensão brasileira naquela montanha.

 A próxima montanha também foi um gigante andino, o Nevado Pissis, terceiro ponto mais alto da cordilheira com 6800 metros. Apesar da altitude a ascensão foi facilitada pelo tempo perfeito, que infelizmente não durou muito…
 A partir desta escalada o tempo mudou em todos os Andes. Vieram fortes nevascas e as montanhas foram cobertas de neve. Havia dificuldade até mesmo para chegar nas cidades base, pois com as chuvas houve muitos deslizamentos de terra e enchentes que bloquearam as estradas.

Vista do cume do Cerro Mercedário na Argentina

De olho nas previsões, fomos nos deslocando em dias ruins e aproveitando as janelas. Nesse esquema conseguimos chegar na base do Mercedário (8° montanha mais alta dos Andes com 6730m). Fizemos um dia de aproximação debaixo de tempestade elétrica e no outro, com janela pela manhã, fomos ao cume e retornamos à base, num esforço de 24 horas ininterruptas de atividade.

 Buscando melhores condições de tempo, chegamos na base do Nevado Las Tórtolas no Chile, com 6160 metros. Novamente aproveitamos a janela e nos tornamos, junto com a Silvia, os primeiros brasileiros a chegar em seu topo.
 Atravessamos o Atacama e após dificuldades com o acumulo de neve fomos parar na base do Ojos del Salado, segunda montanha mais alta dos Andes com 6890 metros. Usando a estratégia anterior, culminamos o vulcão e aproveitando o bom tempo ainda fomos fazer uma saideira no Nevado Três Cruces Sul, a quinta maior elevação dos Andes com 6745 metros.
Foi uma escalada muito difícil por conta do excesso de neve. Além disso, havia uma pessoa desaparecida na montanha, o argentino Ricardo Córdoba. Acampamos do lado da barraca dele e fomos os primeiros a chegar ao topo e verificar que não havia assinatura dele no livro de cume. Ele nunca foi encontrado.
 Meses mais tarde, retornei às montanhas, desta vez nas Rochosas dos Estados Unidos, onde escalei o Mount Baldy (3000 metros) e o Middle Teton (3900). Fiz uma viagem de 7 mil quilômetros pelo oeste americano, passando pelos estados da Califórnia, Nevada, Idaho, Montana, Wyoming, Utah e Arizona.
 Entretanto em se tratar de montanhismo de exploração nada bate a região da Puna do Atacama e suas remotas e esquecidas montanhas. Foi para lá que eu fui em Dezembro 2013/Janeiro de 2014 na companhia de Luiz Antoniutti e seu filho Luca de 15 anos.
 Escalei o Sairecabur de 6008 metros e o Licancabur de 5940 para aclimatar e logo atravessamos a Puna de Salta para chegar na base do Vulcão LLullaillaco, de 6740 metros, a sétima mais alta dos Andes. Foram dias e mais dias para chegar lá, pois são mais de 400 km de caminhos 4×4 em locais tão remotos que se acontecesse algo com o carro provavelmente ficaríamos mumificados no deserto para ser descoberto por arqueólogos daqui a 500 anos. E não é que o LLullallaico é conhecido por isso? Em 1999 em seu cume foram descobertas 3 crianças incas mumificadas que foram sacrificadas pelos deuses há mais de 5 séculos atrás.

Aproximação do campo alto do Llullallaico com Luiz e Luca.

Acabei chegando no topo sozinho, foi a segunda ascensão brasileira nesta montanha e a primeira pelo lado argentino. No caminho achei muitas ruinas incas e escrevi um texto muito completo contando minhas interpretações sobre o montanhismo arqueológico dos Incas.

 Em julho do ano passado recebi o convide de Maximo Kausch de ajudá-lo a ministrar um curso de escalada em gelo na Bolívia. Ensinamos 17 pessoas todas as manhas do montanhismo de altitude, mas não cheguei junto com o grupo no cume do Huayna Potosi. Com os alunos também estive no Sajama, mas também não fizemos cume.
 Após despedirmos dos alunos, chegou a hora de Maximo e eu voltarmos a fazer montanhas juntos. A primeira foi o Chaupi Orco de 6045 metros. Ponto culminante da remota e desconhecida cordilheira de Apolobamba localizada na fronteira com o Peru.
 Só chegar na base desta montanha foi uma grande aventura. Escalar ela ainda mais, pois assim como as montanhas da Puna, estas montanhas menos conhecidas da Bolívia não tem trilhas e nenhuma informação sobre elas. Para piorar, nestes rincões esquecidos deste país indígena as pessoas sequer falam espanhol, apenas Aymará ou Quechua e nem preciso dizer que é preciso ser um bom motorista e navegador para chegar até lá.

O Chearoco e o Chachacomani.

Depois de conseguir culminar esta interessante montanha e a partir daí, começar a despejar as cinzas de meu amigo Parofes, que falecera meses antes de leucemia, fomos escalar mais dois gigantes pouco frequentados e desconhecidos, o Chachacomani e o Chearoco de 6078 e 6100 metros de altitude localizados na porção norte da Cordilheira Real.

 Novamente o isolamento e a falta de informação foi uma das dificuldades. Tivemos que fazer um montanhismo exploratório e nos demos bem. Achamos um ótimo vale para se aproximar do Chachacomani e fizemos o cume na montanha. Após isso acontecer, ainda realizamos uma travessia e escalamos o Chearoco, novamente a primeira ascensão brasileira numa montanha.
 Deixamos a Cordilheira Real e empreendemos uma longa viagem pela Bolívia para escalar outros 6 mil pouco conhecidos. Assim, fiz cume sozinho no Acotango, de 6078 metros, quebrando meu recorde pessoal em dirigir em altitude (chegando a 5643 metros) em meu jipe. Logo após escalei o super ativo vulcão Guallatiri (6089) e o desconhecido Capurata, uma montanha que até pouco tempo atrás era tida como um 5 mil e que através da minha medição de GPS conseguimos mais um forte indicio que ela seja na verdade um 6 mil. No cume desta montanha encontrei uma belíssima ruína incaica.

O Capurata, o mais “novo”6 mil da Bolívia.

Atravessando o norte do Chile, voltamos à Bolívia na região do Sud Lipez e após intermináveis estradinhas de terra chegamos ao super remoto Uturunco, de 6008 metros, onde finalizamos a escalada de todos os 6 mil bolivianos, um projeto que comecei em 2002, e que tem, na nossa versão, 14 cumes. Nesta versão apenas eu, o Maximo Kausch e o equatoriano Santiago Quintero fizemos. Santiago, inclusive, decidiu realizar este projeto através de uma conversa com Maximo, que lhe forneceu muitos dados. O equatoriano, que é um dos melhores montanhistas da América Latina, contou com amplo apoio. Ganhou patrocínio de uma marca de carros que lhe deu uma caminhonete super equipada. Ele teve equipe de apoio e patrocínio até do governo de seu país. Eu tive que ir com meu carro e não ganhei sequer uma troca de óleo.

 Como falei anteriormente, ganhei grande admiração pela região da Puna do Atacama e ainda em 2014, junto com minha namorada, Maria Tereza Ulbrich, voltei para lá. Passamos o réveillon na isolada cidade de Tolar Grande e já no dia primeiro escalamos o Nevado Macon, de 5525 metros.  Para firmar nossa aclimatação ainda escalamos o Nevado Acay, de 5570 metros.
 Prontos para uma maior altitude, fomos escalar o pouco conhecido Quewar, de 6150 metros, que fizemos cume após uma noite de tempestade, que deixou o deserto branco. Foi maravilhoso poder levar a Maria para escalar seu primeiro 6 mil. No cume da montanha ainda nos deparamos com mais uma ruína incaica, o que mostra que estas montanhas do norte da argentina eram mais escaladas há 500 anos do que hoje. Nem preciso dizer que não encontrei ninguém em todo tempo que estivemos na montanha. Também fomos os primeiros brasileiros que fizeram cume na montanha.

A impressionante ruína inca no cume do Quewar.

Finalizando nossa “romântica” viagem, atravessamos a puna em perigosas estradinhas 4×4 e chegamos na base do vulcão Socompa de 6058 metros. Fizemos uma ascensão longa, de mais de 2 mil metros. Foi muito difícil, mas com esta escalada cheguei a minha montanha de 6 mil metros de número 30! Foi a segunda montanha da Maria e a primeira ascensão brasileira por lá também.

 Fiquei algum tempo em casa e logo fui chamado novamente pelo Maximo para ajudá-lo em umas expedições guiadas. Assim ainda guiei o Mercedário, ajudando a levar 4 de 5 clientes ao topo. Logo após esta montanha voltamos à região do Paso San Francisco e junto com Edu Tonetti fizemos o cume do Três Cruces Central, décima primeira montanha dos Andes com 6629 metros e ainda ajudei a levar os clientes ao topo do Vicuñas, de 6088 metros e também realizar minha segunda ascensão ao vulcão mais alto do mundo, o Ojos del Salado, com 5 clientes.
 Infelizmente uma forte tempestade impediu que pudéssemos fazer mais ascensões. Esta tormenta pouco noticiada no Brasil, destruiu a cidade de Copiapó, no meio do Atacama e na montanha ceifou a vida do montanhista indiano Malli Mastan Babu, que faleceu no campo base do Três Cruces, onde havia estado com o Edu poucos dias antes. O forte vento destruiu a barraca de Babu e ele morreu congelado. Por pouco não fomos nós.
 Com todas estas montanhas, cheguei à incrível marca de 32 cumes em montanhas de 6 mil metros nos Andes, ultrapassando meu amigo Waldemar Niclevicz e me tornando o brasileiro com mais experiência em montanhas desta altitude na cordilheira.
 Estes dois últimos anos foram maravilhosos em termos de realizações montanhísticas, escalando montanhas pouco usuais que requerem além de muita experiência um grande conhecimento logístico, dado que quase todas estão localizadas nos confins mais remotos do planeta. Agradeço muito a meus companheiros, em especial à Maximo Kausch e Waldemar Niclevicz, dois dos melhores montanhistas da atualidade além da Maria, que tem se tornado uma ótima e completa montanhista, escalando desde montanhas de altitude até paredes grandes de rocha. Espero poder manter este ritmo nos próximos anos e dar continuidade ao projeto de escalar montanhas com mais de 6 mil metros nos Andes. Na minha opinião um projeto ousado, de grande dificuldade técnica e logística nunca realizado o qual foi idealizado por meu parceiro Maximo Kausch que é o atual recordista mundial em ascensões a estas montanhas.
 Veja mais: Onde estas expedições foram notícia:
 Abaixo a lista de todas as montanhas de altitude que escalei nos últimos dois anos:
1. Vulcão Tuzgle – 5500 mts – Argentina. Com Waldemar Niclevicz, Silvia Bonora
2. Vulcão Antofalla – 6470 mts – Argentina. Com Waldemar Niclevicz (de acordo com Rodrigo Granzotto Perón foi a primeira ascensão brasileira à montanha)
3. Nevado Cachi – 6350 mts – Argentina. Com Waldemar Niclevicz (de acordo com Rodrigo Granzotto Perón foi a primeira ascensão brasileira à montanha)
4. Vulcão Peinado – 5800 mts – Argentina. Cume em Janeiro de 2013 – (nova rota) Waldemar Niclevicz (de acordo com Rodrigo Granzotto Perón foi a primeira ascensão brasileira à montanha e de acordo com Marcelo Scanu foi a quinta ascensão absoluta à montanha e numa nova rota).
5. Vulcão Incahuasi – 6640 mts – Chile. Com Waldemar Niclevicz (de acordo com Rodrigo Granzotto Perón foi a primeira ascensão brasileira à montanha)
6. Nevado Pissis – 6800 mts – Argentina. Com Waldemar Niclevicz (de acordo com Rodrigo Granzotto Perón foi a primeira ascensão brasileira à montanha)
7. Cerro Mercedário – 6770 mts – Argentina. Com Waldemar Niclevicz (cume em 2 dias)
8. Cerro las Tórtolas – 6160 mts – Chile. Com  Waldemar Niclevicz, Silvia Bonora (de acordo com Rodrigo Granzotto Perón foi a primeira ascensão brasileira à montanha)
9. Ojos del Salado – 6983 mts – Chile. Com Waldemar Niclevicz
10. Nevado Três Cruces – 6745 mts – Chile. Com Waldemar Niclevicz (de acordo com Rodrigo Granzotto Perón foi a primeira ascensão brasileira à montanha)
11. Mount Baldy – 3000 mts – EUA. Cume em Agosto de 2013 – solo
12. Middle Teton – 3900 mts – EUA. Cume em Agosto de 2013 – Dandara A. Salvador
13. Sairecabur – 6003 mts – Chile. Cume em Janeiro de 2014 – solo
14. Licancabur – 5940 mts – Bolívia. Cume em Janeiro de 2014 – Luca Antoniutti (de 15 anos de idade, provavel mais jovem a fazer cume na montanha) e Serafim Mendoza.
15. Llullaillaco – 6740 mts – Argentina. Cume em Janeiro de 2014 – solo.
16. Chaupi Orko – 6045 – Bolívia. Cume em Agosto de 2014 – Maximo Kausch
17. Chachacomani – 6078 – Bolívia. Cume em Agosto de 2014 – Maximo Kausch
18. Chearoko – 6100 – Bolívia. Cume em Agosto de 2014 – Maximo Kausch (de acordo com Rodrigo Granzotto Perón foi a primeira ascensão brasileira à montanha)
19. Acotango – 6078 – Bolívia/Chile. Cume em Agosto de 2014 – solo
20. Guallatiri – 6089 – Chile. Cume em setembro de 2014 – solo
21. Capurata – 6015 – Chile/Bolívia. Cume em setembro de 2014 – solo
22. Uturuncu – 6008 mts – Bolívia. Cume em setembro de 2014 – Maximo Kausch.
23. Cerro Macóm – 5525 mts – Argentina. Cume em Dezembro de 2014 – Maria Tereza Ulbrich
24. Nevado Acay – 5770 mts – Argentina. Cume em Janeiro de 2015 – Maria Tereza Ulbrich
25. Nevado Quewar – 6160 mts – Argentina. Cume em Janeiro de 2015 – Maria Tereza Ulbrich (de acordo com Rodrigo Granzotto Perón foi a primeira ascensão brasileira à montanha)
26. Vulcão Socompa – 6058 mts – Argentina/Chile. Cume em Janeiro de 2015 – Maria Tereza Ulbrich (de acordo com Rodrigo Granzotto Perón foi a primeira ascensão brasileira à montanha)
27. Nevado Três Cruces Central – 6638 mts – Chile. Cume em Março de 2015 – Edu Tonetti (de acordo com Rodrigo Granzotto Perón foi a primeira ascensão brasileira à montanha)
28. Nevado Vicuñas – 6066 mts – Chile. Cume em Março de 2015 – Guiando pela Agência GenteDeMontanha.
29. Vulcão Ojos del Salado (segunda vez) 6893 mts – Chile. Cume em Março de 2015 – Guiando pela Agência GenteDeMontanha.
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Sobre o autor

Pedro Hauck - Equipe AM

Pedro Hauck é montanhista e escalador desde 1998. Natural de Itatiba -SP, reside atualmente em Curitiba-PR. Pedro gosta de escaladas clássicas e também de montanhismo de altitude, já tendo escalado algumas das mais altas dos Andes. É geógrafo, mestre em Geografia Física e atualmente faz doutorado em Geologia ambiental. Visite o Blog de Pedro em www.pedrohauck.net

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