O Cântico do Sol

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São Francisco Pregando aos Homens e Animais

Esta é uma coluna especial – é a 100ª desde que comecei a frequentar este site. Foi em março de 2015, mais de 3½ anos passados, ao ritmo de pouco mais de um texto a cada quinzena. Ao impaciente leitor, aviso que tenho outras tantas já preparadas – muito provavelmente, vamos atravessar esta década juntos!

São Francisco e a Irmã Terra

Mas é uma coluna especial por outro e melhor motivo: fala de São Francisco de Assis (1182-1226) e de seu amor pela vida.

São Francisco e o Irmão Lobo

Francisco de Assis compôs o Cântico do Irmão Sol (Cantico delle Creature) numa cabana isolada, cantando-o pela primeira vez no seu leito de enfermo. O verso final sobre a Irmã Morte foi completado pouco antes de morrer.

São Francisco e os Pássaros

Neste cântico, ele expressa seu encantamento e sua fraternidade com a natureza. Talvez pela primeira vez, um homem vê toda a natureza como uma presença amiga e um bem a ser respeitado, numa atitude de intimidade com ela. Sem submissão ou arrogância, é uma visão surpreendentemente atual, oito séculos atrás.

São Francisco em Êxtase

O Cântico do Sol

Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas,
especialmente o senhor irmão Sol,
que clareia o dia e que,  com a sua luz, nos ilumina.
E ele é belo e radiante,  com grande esplendor:
de ti, Altíssimo, é a imagem.

Louvado sejas, meu Senhor,  pela irmã Lua e pelas Estrelas,
que no céu formaste, claras, preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão Vento,
e pelo ar, e nuvens,  e sereno e todo o tempo
em que dás às tuas criaturas o sustento.

Louvado sejas, meu Senhor,  pela irmã Água,
que é tão útil e humilde, preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão Fogo,
com o qual iluminas a noite,
E ele é belo e alegre, vigoroso e forte.

Louvado sejas, Senhor, pela nossa irmã, a mãe Terra,
que nos sustenta e governa,
e produz frutos diversos, com flores coloridas e ervas.

Louvado sejas, meu Senhor, por aqueles que perdoam por teu amor
e suportam as enfermidades  e sofrimentos.

Louvado sejas, meu Senhor,  por nossa irmã, a Morte corporal,
da qual homem algum pode escapar:
infelizes aqueles que morrem em pecado mortal.
Bem-aventurados aqueles que cumpriram tua vontade,
Porque a segunda morte não lhes fará mal.

São Francisco e a Irmã Morte

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Sobre o autor

Alberto Ortenblad - Colunista

Nasci no Rio, vivo em São Paulo, mas meu lugar é em Minas. Fui casado algumas vezes e quase nunca fiquei solteiro. Meus três filhos vieram do primeiro casamento. Estudei engenharia e depois administração, e percebi que nenhuma delas seria o meu destino. Mas esta segunda carreira trouxe boa recompensa, então não a abandonei. Até que um dia, resultado do acaso e da curiosidade, encontrei na natureza a minha vocação. E, nela, de início principalmente as montanhas. Hoje, elas são acompanhadas por um grande interesse pelos ambientes naturais. Então, acho que me transformei naquela figura antiga e genérica do naturalista.

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