Pedra do Sino

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A Pedra do Sino é um dos principais atrativos do PN da Serra dos Órgãos. Ele foi criado um pouco depois de Itatiaia e de Iguaçu, os dois primeiros do Brasil. Dizem que este nome foi dado pelos colonizadores portugueses, que viam no perfil das suas montanhas semelhanças com os órgãos musicais da Europa, uma explicação meio estranha.

Pedra do Sino, Serra dos Órgãos, Teresópolis, RJ (Fonte – Divulgação)

O Parque era relativamente pequeno, pois estava como que contido pelos vales à sua volta, onde se espalhou mais tarde a ocupação urbana. Sua área foi recentemente duplicada para 20 mil ha. O relevo é muito acidentado, devido às escarpas abruptas da Serra do Mar, a cujo sistema pertence. É nele que ocorrem as maiores altitudes desta Serra, acima de 2.000m. A umidade que vem da Baixada Fluminense condensa-se nas encostas, formando nevoeiros que desaconselham iniciar tarde as ascensões e travessias.

A Mata Atlântica que recobre a maior parte de sua área é muito densa e frondosa, com grandes árvores copadas. Nas partes elevadas, aparece a mata montana e, mais além, os campos de altitude. A riqueza da vegetação é acompanhada pela grande diversidade da fauna, com inúmeras espécies de mamíferos, aves e répteis.

Mapa da Trilha para a Pedra do Sino, Teresópolis, RJ

A principal travessia do Parque é a clássica Petrópolis-Teresópolis, ou Petro-Teres. Ela praticamente atravessa de oeste para leste toda a largura do Parque, ao longo de 42 km, passando por algumas de suas principais atrações. Já escrevi sobre ela, na companhia de outras espetaculares travessias de crista.

A Pedra do Sino foi conquistada pelo escocês George Garner em 1841. Eu a fiz numa manhã terrivelmente quente no início da primavera. Seu acesso começa a partir do último estacionamento do Parque. Este caminho é muito longo, tem 12 km rumo oeste para ganhar um pouco mais de mil metros, ou seja, uma declividade inferior a 10%. Certamente não resultou de uma trilha espontânea, neste caso teria sido mais curta e íngreme, como por exemplo a subida pelo lado oposto até o Castelo do Açu.

O Maciço do Sino, Serra dos Órgãos, Teresópolis, RJ (Fonte – Divulgação)

Portanto, embora seja longo, é bem fácil – talvez por isto você venha a encontrar na trilha umas figuras que mal desconfiam a diferença entre uma trilha na natureza e um parque de diversões. Serão de 3 a 4 hs, dependendo se sua mochila é leve ou cargueira. No começo, você encontrará a cachoeira Véu da Noiva, que era visitada por Dom Pedro, e depois passará por outras fontes d’água.

Afora algumas vistas de Teresópolis, que acontecem principalmente no meio da subida, o caminho é sempre imerso na mata úmida e fechada. Existem entretanto duas clareiras gramadas onde é possível acampar, lá havia no passado abrigos que o próprio Parque (dizem outros, o Exército) demoliu.

A segunda das clareiras pertence à parte elevada, quando já é possível enxergar o maciço rochoso à frente. A trilha pela pedra é bem indicada, segue o mesmo princípio de subida sinuosa e suave, mas convém não esquecer que a neblina é uma companheira frequente naqueles altos.

O cume é espaçoso, com a ampla baía à frente, o escarpado Açu à direita e toda a crista ao alcance do olhar. A curiosa formação à sua frente é o Garrafão, cuja subida é um tanto técnica. A Pedra do Sino, de tão fácil acesso, abriga entretanto algumas das mais complicadas rotas de escalada do País, como Terra de Gigantes e Franco Brasileira.

Vista do Alto do Sino, Serra dos Órgãos, Teresópolis, RJ (Fonte – Divulgação)

O Sino tem 2.263 m e é o ponto culminante do Parque, só sendo superado pelos Três Picos de Friburgo. O Castelo do Açu é um pouco mais baixo, com 2.236 m. Outra das pedras notáveis é o Dedo de Deus. Não é alta (1.692m), mas seu formato vertical e sua localização cênica fazem dela a mais famosa da região. Ela foi uma das grandes conquistas do alpinismo brasileiro, no início do século passado. A Agulha do Diabo (2.050m), o Escalavrado (1.406m) e o Dedo de Nossa Senhora (1.320m) são outras formações importantes.

O retorno é meio demorado, a trilha é longa e as pedras dificultam a descida veloz. Provavelmente em menos de 3 hs você estará de volta. Assim, mesmo com mochila de ataque, este passeio irá lhe tomar algo como 7 hs. Se na volta você estiver com fome de lobo, tente os incríveis frutos do mar logo à frente, no bairro de Agriões.

Cume da Pedra do Sino, Teresópolis, RJ (Fonte – Quebrando a Rotina)

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Sobre o autor

Alberto Ortenblad - Colunista

Nasci no Rio, vivo em São Paulo, mas meu lugar é em Minas. Fui casado algumas vezes e quase nunca fiquei solteiro. Meus três filhos vieram do primeiro casamento. Estudei engenharia e depois administração, e percebi que nenhuma delas seria o meu destino. Mas esta segunda carreira trouxe boa recompensa, então não a abandonei. Até que um dia, resultado do acaso e da curiosidade, encontrei na natureza a minha vocação. E, nela, de início principalmente as montanhas. Hoje, elas são acompanhadas por um grande interesse pelos ambientes naturais. Então, acho que me transformei naquela figura antiga e genérica do naturalista.

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