As 10 montanhas mais altas dos Andes

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Escalar as 10 montanhas mais altas do Andes é uma alternativa para quem está procurando um projeto de montanhismo, mas não quer gastar tanto dinheiro com os Sete Cumes. Além disso, escalar as dez mais dos Andes, apesar de ser um projeto importante, pode ser um desafio para qualquer montanhista normal. Entretanto é necessário dedicação a isso e deixar as montanhas mais exigentes por último, assim você irá adquirir a experiência necessária e os equipamentos durante o próprio projeto.

Confira quais são as montanhas dessa lista

A montanha mais alta dos Andes é o Aconcágua com 6942 metros de altitude. Ela também faz parte dos Sete Cumes e dispensa apresentações. A segunda mais alta é uma montanha é o Ojos Del Salado (6893m), a maior montanha do Chile e o maior vulcão do mundo. A terceira montanha é outro vulcão, o Pissis com 6795 metros de altitude, próximo ao Ojos Del Salado na região do Puna do Atacama. Na sequencia, esta o Bonete Chico, também no Puna do Atacama com 6759 metros de altitude. Ainda na mesma região está a quinta montanha mais alta dos Andes, o Três Cruces Sur, um vulcão com 6748 metros.

Por do Sol no Aconcágua

Para chegar até a sexta montanha é preciso sair do Puna do Atacama e ir até a cordilheira Blanca no Peru. Lá esta localizado o Huascarán Sur (6746 m) que é também a montanha mais difícil entre as 10 montanhas mais altas dos Andes. Em sétimo lugar esta o Llulliallaco com 6739 metros e nela se encontra a ruína arqueológica mais alta do mundo. Em 1999, foram encontradas nessa montanha três múmias de crianças que foram sacrificadas em um ritual Inca.

A oitava montanha é o Mercedário, localizado próximo ao Aconcágua e bastante parecido com a montanha mais alta dos Andes. Entretanto, essa montanha é bem menos frequentada que o Aconcágua e sua expedição se torna mais autentica. Em nono lugar esta o Walther Penk, também chamado de Cazadero com 6658 metros localizada atrás do Ojos Del Salado. Entre as montanhas desse projeto, ela é que tem o acesso mais difícil.

A controvérsia sobre a 10ª montanha

A décima montanha de acordo com a lista do montanhista Maximo Kausch é a Huascarán Norte, localizada na frente do Huascarán Sur e separada por um colo baixo. Isso faz com que elas se tornem duas montanhas distintas independente do critério que se utilize, seja o critério topográfico ou o critério de indicie de dominância.

Todavia, um grupo argentino que esta listando todas as pessoas que escalaram os 10 cumes mais altos dos Andes desconsiderou o Huascarán Sur. Eles levaram em conta a questão cultural do Peru, na qual esse seria considerado um subcume do Huascarán Norte. Pelo mesmo motivo eles também desconsideraram a 11ª montanha mais alta, o Tres Cruces Central. Assim, de acordo com essa lista, a décima montanha mais alta dos Andes seria o Incahuasi (12ª segunda para Maximo Kausch).

Como há divergências entre a lista elaborada por Kausch e a lista do grupo Estilo Alpino, uma forma de resolver esse problema é escalando as doze montanhas e fazendo o projeto das duas formas.

Como realizar esse desafio?

Existem algumas montanhas nessa lista que são montanhas mais acessíveis e exploradas comercialmente. Ou seja, há estrutura e facilidades para você chegar até o cume. Levado esse critério em consideração a primeira montanha a ser escalada pode ser o Aconcágua. Ao contrario do projeto dos Sete Cumes, nas 10 montanhas mais altas dos Andes você deve começar pela mais alta.

Local de acampamento e aclimatação do Ojos del Salado.

O Aconcágua é a montanha mais popular dessa lista e conta com expedições todos os anos. O Gente de Montanha, por exemplo, realiza em média três expedições para lá por ano. O valor é de 4.600 dólares com mulas, carregadores, estrutura de camping, alimentação, hotel em Mendoza, etc.

Outra montanha que tem se popularizado entre essas dez é o Ojos Del Salado. O preço da expedição para essa montanha com a logística do Gente de Montanha é de 3100 dólares. Outro atrativo dessa montanha é que durante a aclimatação para escalar o maior vulcão do mundo, você também tem a oportunidade de escalar o Nevado San Francisco, outra montanha de seis mil metros e assim adquirir experiência e melhorar o seu currículo de montanhas.

Montanhas menos populares

Todavia as demais montanhas do projeto só têm expedições por demanda, e nem sempre todos os anos. Para escalar o Pissis que esta próximo ao Ojos Del Salado pode se usar a mesma logística e mesma aclimatação. Se houver um grupo fechado, ainda é possível escalar o Incahuasi e o Tres Cruces que estão relativamente próximos.

Assim em uma única expedição bem planejada é possível escalar sete montanhas entre as 10 mais altas dos Andes: o Ojos Del Salado, o Pissis, o Incahuasi, o Tres Cruces Sur, O Tres Cruces Central, o Bonete Chico e o Llullaillaco.

O Bonete Chico é uma montanha escalada pouquíssimas vezes. A primeira ascensão brasileira a ela foi realizada em 2016 por uma equipe liderada pelo montanhista Pedro Huack, isso a torna uma montanha ainda mais desejada por quem busca uma experiência em áreas remotas.

Primeiros brasileiros a chegarem no cume do Bonete Chico.

:: Confira como foi a primeiro escalada brasileira no Bonete Chico

O Três Cruces Sur é a quinta montanha mais alta dos Andes e com apenas um dia a mais é possível chegar também ao cume do Três Cruces Central que é considerada a 11ª montanha mais alta. Para chegar a esses cumes é preciso ter um bom preparo físico, visto que o terreno vulcânico dessa montanha exige um pouco mais de esforço.

O Huascarán Sur é a montanha mais técnica entre as 10 mais altas dos Andes. Coberta por glaciares, essa também é uma das montanhas mais perigosas do Peru. Assim, além de precisar conhecer as técnicas de escalada em gelo como o uso de crampons e o encordamento é preciso avaliar a montanha para não ser pego por uma avalanche. O recomendado é ir com um guia experiente nessa montanha e ter um Curso de Escalada em Gelo e Alta Montanha.

O Llullaillaco está em sétimo lugar e apesar de belíssima e cheia de história, essa montanha fica em uma área bastante isolada, o que faz com que a sua logística fique mais cara. Para escalar ela pelo lado argentino a expedição fica em torno de 5800 dólares. Já pelo lado chileno utilizando a logística do Ojos Del Salado, ficaria um pouco menos.

:: Leia mais sobre a expedição ao Llullaillaco aqui

O Mercedário é uma excelente opção para quem quer escalar montanhas não comerciais. É possível ver ela desde o Aconcágua, porém como não há estrutura nela e trata-se de uma montanha pouco escalada. O montanhista que for para essa montanha irá ter um grande desafio a começar pela obrigatoriedade de realizar o porteio.

O Walther Penk é uma montanha localizada em uma área remota e de difícil acesso. Para chegar lá é preciso enfrentar dunas de areia, terrenos com pedras afiadas e vidros vulcânicos e ainda atravessar rios com atoleiros.  Somente 4×4 bem preparados chegam lá. Talvez por isso ela conta com pouquíssimas ascensões até hoje.

A décima montanha é o Incauasi esta entre a fronteira do Chile e a Argentina e também é uma montanha pouco escalada. Todavia, se você estiver bem preparado é possível ir da base até o cume em apenas um dia.

O projeto

Um dos grandes diferenciais de realizar esse projeto é poder entrar para o seleto grupo de brasileiros que já escalaram tantas montanhas com mais de seis mil metros assim.  Além disso, poucas pessoas conseguiram terminar esse projeto. O primeiro a concluir a escalada das 10 montanhas mais altas dos Andes foi Dario Bracali em 2003 e até 2020 apenas outras 16 pessoas concluíram esse projeto.

 

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Sobre o autor

Maruza Silvério

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

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