O fim de semana de tempo estável na Serra do Mar Paranaense foi marcado muito movimento nas trilhas e duas ocorrências de resgate aéreo em montanhas da Região Metropolitana de Curitiba. Em um intervalo de poucas horas, equipes do Comando de Aviação (COMAV), anteriormente chamado de Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas (BPMOA), foram acionadas para atender duas pessoas que passaram mal durante atividades em montanhas da região, em 23/08.
A primeira ocorrência aconteceu no Morro do Araçatuba, onde uma pessoa apresentou complicações clínicas e precisou de atendimento médico. Como o local é de difícil acesso e a aproximação por terra é demorada, o helicóptero do BPMOA transportou até a montanha uma médica e um operador aerotático.

Vítima e socorrista esperando apoio da aeronave. Imagem: COMAV
Após receber atendimento pré-hospitalar, a vítima foi estabilizada e retirada da montanha com o emprego da técnica McGuire, utilizada em operações de resgate em áreas onde não é possível realizar o pouso da aeronave. Nesse procedimento, a vítima é retirada suspensa por meio de maca e corda, enquanto o helicóptero permanece em voo. Na sequência, ela foi transportada para o Hospital Cajuru, em Curitiba.
Na mesma tarde, o COMAV foi novamente acionado, desta vez para atender uma mulher de 51 anos que sofreu um mal súbito durante uma atividade no Morro do Canal. Mais uma vez, o helicóptero levou até a montanha uma médica e um operador aerotático para realizar o atendimento.

A aeronave auxiliou no atendimento das duas ocorrências. Foto: COMAV
Depois de ser estabilizada, a vítima também foi retirada com o emprego da técnica McGuire e encaminhada para atendimento hospitalar.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o estado de saúde das duas vítimas após os resgates.
Montanhas acessíveis também exigem preparo
Embora a identidade e a experiência das vítimas não tenham sido divulgadas, chama a atenção a proximidade temporal entre as duas ocorrências e o fato de ambas terem acontecido em montanhas bastante frequentadas e consideradas acessíveis, inclusive para quem está começando no montanhismo.
Isso, no entanto, não significa que essas atividades sejam isentas de riscos ou que não exijam preparo. Uma trilha classificada como fácil ou de baixa dificuldade técnica ainda pode exigir esforço físico significativo, especialmente em trechos íngremes, terrenos irregulares e em condições de calor ou exposição ao sol.
Os dois casos também reforçam uma questão importante para quem começa a frequentar ambientes de montanha: a facilidade técnica de uma trilha não deve ser confundida com ausência de exigência física ou de riscos.
Maus súbitos e determinadas condições clínicas podem ocorrer mesmo com pessoas preparadas e, em muitos casos, não há como prever ou evitar completamente uma emergência. Ainda assim, o preparo físico adequado, o conhecimento do percurso, o planejamento da atividade e a avaliação das próprias condições antes de iniciar uma trilha são medidas fundamentais para reduzir riscos.
Helicóptero ajuda muito, mas também há riscos
Quando uma pessoa passa mal em uma região de montanha, a dificuldade de acesso pode transformar uma ocorrência inicialmente simples em uma operação de resgate complexa. O emprego de aeronaves em operações como essas é fundamental para reduzir o tempo de resposta e possibilitar que equipes médicas e especializadas cheguem rapidamente a locais onde o acesso por terra pode levar horas. Em determinadas situações, essa agilidade pode ser decisiva para salvar uma vida.
Mas o resgate aéreo também envolve riscos e limitações. A técnica McGuire, por exemplo, permite retirar vítimas de áreas onde o helicóptero não consegue pousar, mas exige uma operação altamente especializada, com a aeronave mantendo voo pairado enquanto a vítima e o profissional responsável pelo resgate permanecem suspensos.

Técnica de Mc Guire, a mesma empregada nas montanhas durantes os resgates no final de semana.
Além dos riscos inerentes à própria operação, as condições meteorológicas são determinantes. Neblina, chuva, ventos fortes, baixa visibilidade e outras condições adversas podem impedir ou limitar o voo do helicóptero. Em uma situação de emergência, portanto, não é possível considerar o resgate aéreo como uma garantia de retirada imediata.
Assim, os dois atendimentos realizados no domingo mostram, ao mesmo tempo, a importância das equipes especializadas de resgate e a necessidade de planejamento por parte de quem se aventura nas montanhas.
Mesmo em trilhas consideradas fáceis, a regra continua sendo a mesma: quanto melhor o planejamento e o preparo, menores são as chances de uma emergência transformar uma caminhada em uma operação de resgate.







