Hans Ulrich Rudel, piloto da Luftwaffe e montanhista que encontrou ruinas incas nos Andes

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Hans Ulrich Rudel foi um personagem polêmico e excêntrico, admirado por uns e odiado por outros. Este alemão tem uma história digna de filme, tanto por sua história durante a guerra, quanto depois dela. Foi piloto da Luftwaffe, sendo um dos militares alemães mais condecorados na Segunda Guerra. Pilotando os famosos Stukas, que eram os bombardeiros de mergulho mais eficientes na época, Rudel destruiu 519 tanques soviéticos, 800 veículos de todos os tipos, 150 peças de artilharia, inúmeras pontes, 70 embarcações anfíbias, destruiu 3 grandes embarcações de guerra, dentre eles o Encouraçado Marat, nas proximidades de Leningrado, sem ajuda de terceiros.

Rendendo-se aos americanos, Rudel se livrou de todas as acusações de crimes de guerra e virou consultor da Força Aérea americana, participando do projeto do avião de ataque ao solo A10 Thunderbolt. A experiência em combate e conhecimento de Rudel, mais tarde, serviu para ele migrar para a Argentina em 1948 para desenvolver os caças Puquios II da Força Aérea Argentina na época de Juan Domingo Perón. Mesmo sem uma das pernas, amputada depois de ter sido abatido em uma missão na guerra, o prestigio do aviador alemão era tão grande, que ele foi piloto de testes do avião e manteve bastante proximidade, tanto de Perón, quanto do ditador no Paraguai à época, Alfredo Stroessner.

Rudel e o montanhismo exploratório nos Andes

O ano de 1953 foi um ano importante no montanhismo, pois em maio houve a conquista do Everest. Não se sabe a motivação de Rudel, mas em meados deste ano o ex oficial da Luftwaffe realizou a expedição de montanhas que o fez ser conhecido no andinismo argentino. Na companhia de outros companheiros, Rudel fez a segunda ascensão ao Nevado Llullallaico, a sétima montanha mais alta dos Andes com 6739 metros. Apesar de não ser uma escalada inédita, pois a montanha havia sido conquistada meses antes por montanhistas chilenos, Rudel fez a primeira ascensão pelo lado argentino, onde justamente se encontram a maior parte das ruínas incas que fazem a montanha ser famosa, e que foram descobertas por ele.

O Llullallaico é considerado o sítio arqueológico mais alto do mundo. Próximo ao cume, no ano de 1999, uma equipe liderada pelo arqueólogo americano Johan Reinhardt e a da argentina Maria Constanza Ceruti escavou e exumou o corpo de três crianças incas, mortas num ritual chamado de “Capacocha” há mais de 500 anos. Seus corpos estavam em perfeito estado de conservação e junto a elas havia um rico enxoval funerário com bonecos de prata vestidos com roupinhas de lã de alpaca, cocar com penas de papagaios, pentes de ossos de baleia e muitos outros objetos finamente ornamentados que hoje se encontram no Museu Arqueológico de Alta Montanha na cidade de Salta, Argentina.

Além do reconhecimento das estruturas incaicas, em 1953 a expedição de Rudel fez várias filmagens. Há um registro que o câmera men, que seria alemão, faleceu nesta primeira expedição. Rudel então conseguiu financiamento do governo argentino para retornar ao Lullallaico, resgatar o corpo do câmera e fazer uma prospecção mais aprofundada das ruínas um ano mais tarde. Infelizmente não se sabe o que aconteceu com estas filmagens. O alemão retornaria mais uma vez à montanha, porém não temos o registro de que ano foi sua última expedição ao Llullallaico.

As crianças do Llullallaico. Foto do MAAM – Salta.

As expedições ao Llullallaico de Rudel, acendeu a hipótese, naquela época ignorada, de que os Incas eram exímios montanhistas. A partir daquela descoberta, vários outras ganharam luz e aos poucos a tese de que os Incas foram a primeira civilização a desenvolver uma cultura de subir montanha foi ganhando importância. Até então, a história do montanhismo ignorava estes fatos.

Capa do livro de Rudel: Dos Stukas aos Andes. Fonte: Centro Cultural Argentino de Alta Montanha.

Mais tarde, Rudel escreveu um livro contando suas escaladas e achados nos Andes, dentre eles as aventuras vividas no Llullallaico. O livro, se chama “Dos Stukas aos Andes”, tradução literal do alemão para português.

No começo de 2014 repeti a rota de Rudel no Llullallaico e foi uma das escaladas mais fantásticas que realizei, primeiro pois a região onde se encontra a montanha é um local extremamente remoto e não preciso falar que não encontrei ninguém em toda a escalada. Depois, por conta da beleza cênica da Puna do Atacama, onde a montanha está localizada. Lá, as rochas vulcânicas vermelhas contrastam com o céu azul, o branco das neves com o negro dos basaltos, onde a vida selvagem é abundante, com muitos condores, pumas, zorros, vicunhas, guanacos e outros animais. Acabei fazendo cume sozinho, pois meus amigos Luca e Luiz Antoniuti desistiram no acampamento alto. No caminho, pude observar, ainda intocadas, diversas ruínas incas que eram abrigos de pedras com as vigas de madeira ainda preservadas, muros de pedras para proteger do vento, dentre outras coisas.

A história desta escalada, assim como um breve trecho da biografia de Rudel fazem parte de um capítulo do Livro Arrisque-se, que lancei no ano de 2018 na comemoração de meu vigésimo ano dedicado ao montanhismo.

Ruínas incas a 6 mil metros no Llullallaico. Foto Pedro Hauck.

Orco kawkachun no Museu Arqueológico de Alta Montanha. Foto Pedro Hauck.

Os sítios arqueológicos do Llullallaico serviram para conhecermos melhor como os incas escalavam montanhas. Além dos abrigos, foi encontrado esteiras de tecido grosso, que serviam para isolar o frio do chão, peles de animais, que eram os sacos de dormir, além do , que era um calçado feito de oito camadas de lã de alpaca com chinelo usados para não congelar os pés, chamado de Orco Kawkachun (foto acima).

A experiência que vivi no Llullallaico com as conversas que tive com grandes montanhistas conhecedores daquela realidade me motivou mais tarde escrever um artigo sobre o fato dos Incas terem desenvolvido a mais ancestral cultura do montanhismo, que acabou junto com seu império em 1530, com a conquista dos espanhóis.

VEJA MAIS: Antes dos Primeiros: O montanhismo dos Incas

Acampamento de Rudel no Llullallaico em 1953. Fonte: Centro Cultural Argentino de Alta Montanha.

Hans Ulrich Rudel no cume do Llullallaico em 1953. Fonte: Centro Cultural Argentino de Alta Montanha.

Cume do Llullallaico em 2014. Foto de Pedro Hauck.

O Piolet de Hans Ulrich Rudel

Hans Rudel saltando da ponte no lago San Roque em Villa Carlos Paz. Personagem excêntrico na cidade argentina. Fonte: Centro Cultural Argentino de Alta Montanha.

Hans teve uma vida de cidadão quase normal na Argentina, se não fosse o fato de seus excêntricos gostos esportivos, que o destacou em nosso meio. Rudel costumava retirar sua prótese e saltar no Lago San Roque nos dias de calor, caminhava e escalava na Serra de Córdoba. Recentemente sua passagem pela Argentina foi lembrada pelo montanhista cordobês Enrique Bolsi no site do Centro Cultural Argentino de Alta Montanha. Enrique, no ano de 1978, adquiriu um piolet, ferramenta usada em trânsito de glaciares em ascensões a montanhas de um jardineiro na cidade de Villa Carlos Paz.

Conta Enrique que o jardineiro usava o piolet em seu trabalho  e propôs trocar o equipamento por uma enxada mais apropriada para esta atividade. Bolsi, num primeiro momento utilizou a ferramenta para suas escaladas nos Andes, mas depois aposentou o equipamento quando teve oportunidade de comprar um piolet de metal, mais leve e moderno, deixando a antiga peça decorando a lareira de sua casa.

Anos mais tarde, Enrique se deparou com a história de Rudel no Museu de Arqueologia de Alta Montanha de Salta, se surpreendendo com o fato do alemão morar em sua cidade. Nas fotos de Rudel, ele viu uma ferramenta igual à que ele tinha na lareira e retornando a sua terra natal foi procurar o jardineiro que afirmou que a ferramenta pertencera a um alemão, que não tinha uma das pernas, para o qual sua mãe havia trabalhado de doméstica na década de 1950.

Examinando a ferramenta, Enrique encontrou a inscrição P. Aschenbrenne. Pesquisando, o montanhista descobriu, que, “Peter Aschenbrenner” era um guia de montanha tirolês que vivia na cidade de Kufstein, uma figura histórica do montanhismo germano-austríaco com incontáveis escaladas, era companheiro de Willy Merkl nas expedições de 1932 e 1934 ao Nanga Parbat, tão trágico para o montanhismo alemão. Ele foi o escalador chefe da expedição alemã de 1953 ao Nanga Parbat, onde Hermann Buhl fez seu cume solo e sua primeira subida. Foi em 1930 quando P. Aschenbrenner desenhou e fabricou o machado de gelo de Rudel, cujo nome era “Aschenbrenner Eispickel” de 84cm. de altura.

O Piolet de Rudel hoje no Museu de Arqueologia de Alta Montanha de Salta. Fonte: Centro Cultural Argentino de Alta Montanha.

Da dedicação ao esporte ao destaque militar

Hans escalou o Llullallaico três vezes e também o Aconcágua. Enquanto ele viveu na Argentina, entre 1948 e 1956, além dele praticar montanhismo e escalar em rocha, o que ele fazia com frequência em Los Gigantes, na Serra Grande de Córdoba, hoje um importante point de escalada tradicional na Argentina, ele também viajava no inverno à Bariloche, onde praticava esqui. Fatos notáveis se considerar que em 1945 ele perdeu uma perna em combate na Segunda Guerra e usava prótese que na década de 1950 não era nem perto tão boas e eficientes como as próteses modernas.

Hans Rudel escalando em rocha em Córdoba. Note a prótese na perna direita. Fonte: Centro Cultural Argentino de Alta Montanha.

O militar alemão, antes de mais nada era um grande esportista. Em sua infância na Silésia, na Prússia Oriental, hoje território pertencente à Polônia, Hans era um aluno mediano para baixo em todas as matérias, mas o número um em educação Física. Além de alpinismo, que era uma de suas maiores paixões, ele esquiava muito bem, jogava tênis e foi atleta de decathlon, uma atividade poliesportiva que reúne em uma única prova 10 modalidades.

Sua excelente condição física o levou à Luftwaffe quando jovem, onde obteve muito destaque, sendo um dos militares alemães da segunda guerra mais condecorados. Em 29 de dezembro de 1944, Hitler concedeu a Rudel a mais alta condecoração militar entregue durante o III Reich: a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho Douradas, Espadas e Diamantes ou: Ritterkreuz des Eisernen Kreuzes mit Goldenem Eichenlaub, Schwertern und Brillanten.

O habilidoso piloto percebeu que atacar os tanques soviéticos por trás com canhões de 37 mm os destruíam facilmente e assim, num único dia, ele destruiu 18 tanques! Sua história durante a Operação Barbarossa foi contada no livro de sua autoria “Piloto de Stuka – 2500 voos contra o bolchevismo”. Por conta de seu sucesso militar, Rudel teve sua cabeça colocada à premio por Stalin, que ofereceu 100.000 rublos a quem o matasse.

Com o fim do conflito, Rudel abriu uma empresa no ramo de transportes e não hesitou em deixar a Alemanha Ocidental em 1948 para fixar residência em Villa Carlos Paz, atual cidade turística no centro da Argentina onde trabalhou para a Companhia Estatal de Aviação, onde conquistou muito prestígio e teve em seu circulo de amizade políticos e empresários influentes, além de muitos ex nazistas exilados.

Rudel no final da guerra.

Como muitos ex militares nazistas, Rudel prosperou na Argentina, abrindo negócios e enriquecendo no país sul-americano. Dentre os negócios de Hans, ele foi representante da firma do ex oficial da SS Josef Mengele, que foi médico no campo de concentração de Auschwitz, onde realizou experimentos cruéis em judeus prisioneiros. Ao fim da guerra Mengele conseguiu escapar do julgamento em Nuremberg, saindo ileso de seus crimes contra a humanidade.

A vida dos nazistas na Argentina, no entanto, não foi tranquila para sempre, pois no fim dos anos 1950 eles começaram a ser caçados pela Mossad israelense, como aconteceu com o ex oficial da SS Adolf Eichmann, que foi sequestrado e levado a julgamento em Israel, onde foi sentenciado à morte. A história de Eichmann foi retratada no filme  “Operação Final“, de Chris Weitz e sua captura motivou Mengele a fugir da Argentina com medo da Mossad.

Após a caçada da Mossad, Mengele se escondeu no Brasil. O “médico da morte” veio a falecer de causas naturais em Bertioga, litoral de São Paulo em 1979, usando um nome falso. O que poucos sabem é que foi seu sócio, Hans Ulrich Rudel, que aproveitou de sua influência com autoridades argentinas e paraguaias para ajudar Mengele a fugir e escapar de ser julgado por seus crimes de guerra.

Ao contrário de diversos companheiros nazistas, Hans Ulrich Rudel não foi perseguido por seu passado na Luftwaffe, apesar da promessa dos soviéticos. O ex piloto nazista, por sua vez, disse nunca ter se arrependido de  ter lutado na força aérea e sempre defendeu a atuação alemã na Guerra. Rudel defendia seu ponto de vista atacando desastrosas ações aliadas, como os terríveis bombardeios a Dresden, Hamburgo e outras grandes cidades de seu país, onde houveram milhares de mortes de civis.

Retorno à Alemanha e morte

Em 1956, portanto antes que a Mossad tirasse a tranquilidade dos ex oficiais nazistas na Argentina, Rudel retornou à Alemanha Ocidental. De volta a seu país, teve alguma atuação política, filiando-se ao Deutsche Reichspartei, um partido político de extrema-direita. Hans se dedicou em vão a melhorar a imagem do “Nacional Socialismo”, ideologia que ele defendeu até a morte em 1982, aos 66 anos de idade.

Após retornar a seu país natal, Rudel viveu uma vida normal e não deixou de viajar pelo mundo. Ele retornou em 1978 à Argentina, aproveitando as festividades da Copa do Mundo, vencido pelo país anfitrião. Na oportunidade ele visitou inúmeros amigos que fez na América do Sul, menos Mengele.

Condecorações de Rudel doados a museu.

Rudel faleceu na Alemanha quatro anos depois de sua ultima visita à Argentina. Todas as suas condecorações foram doadas para um museu, onde se encontram até hoje. Como o ex piloto durante toda a sua vida, declarou-se um Nacional Socialista convicto, o Governo Alemão proibiu qualquer manifestação ou homenagem. No momento em que seu caixão era baixado à sepultura, caças McDonnell Douglas F-4 Phantom II da Luftwaffe fizeram um sobrevoo rasante sobre o cemitério. Foi a última saudação a uma das maiores lendas da aviação militar alemã. Os pilotos no entanto, justificaram-se depois dizendo que “sobrevoaram o local por acaso”…

VEJA MAIS: Artigo original em espanhol com a história de montanha de Hans Ulrich Rudel – Centro Cultural Argentino de Alta Montanha

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Sobre o autor

Pedro Hauck - Equipe AM

Pedro Hauck é montanhista e escalador desde 1998. Natural de Itatiba -SP, reside atualmente em Curitiba-PR. Pedro gosta de escaladas clássicas e também de montanhismo de altitude, já tendo escalado algumas das mais altas dos Andes. É geógrafo, mestre em Geografia Física e atualmente faz doutorado em Geologia ambiental. Visite o Blog de Pedro em www.pedrohauck.net. Siga ele no Instagram @pehauck

4 Comentários

  1. Avatar
    Henrique Paulo schmidlin em

    V. não vai acreditar. Fui um dia atrás dele na Argentina, sem sucesso mas cheguei perto.realnente notável piloto e como conhecia seus feitos, queria conhecê-lo.belobresgate

  2. Alexandre Pacheco dos Santos

    Excelente matéria bem relatada pelo amigo.
    Em seu livro “Piloto de Stuka” o autor relata que na sua infância tinha medo de tempestade e buscava proteção nos braços de sua mãe!
    Em uma de suas peraltices, saltou da janela de seu quarto do segundo pavimento com um guarda-chuva aberto esperando aterrissar em leso como um paraquedas!
    Também relata que na juventude muitas vezes arriscou se em manobras off Road com uma velha motocicleta!
    Sempre adepto aos esportes, na carreira Militar aproveitava suas folgas para treinar atletismo, levantamento de peso, ciclismo e muitas outras atividades esportivas autônomas enquanto seus colegas de regimento saiam a noite para beber e festar.
    Nas festividades trocava a bebida alcoólica por leite e não fumava. Fato sempre estranhado e ridicularizado pelos companheiros de farda!
    Sua carreira Militar só “decolou” quando foi recrutado para a Operação Barba Rossa o qual estavestava com déficits de pilotos por causa da decisão repentina de Hitler subdividir em três fronts de ataque, Leningrado, Moscou e Stalingrado; onde almejava capturar as refinarias de petróleo no Caucaso, por causa da perca de vinte e uma aeronaves de carga abarrotadas de combustível e suprimentos no Mediterrâneo abatidas pela TAG.
    Em sua meteometeórica carreira na Rússia, logo que recebeu patentes, modernizou a frota obsoleta e com a vinda dos novos caças Messerschimitt Wuf ME-109; modificou e modernizou os lerdos e já obsoletos Stukas como bombardeio de mergulho equipando-os com dois canhões de 150mm e escotilha capazes de arremessar uma bomba de 1000kg.
    Com essas modificações os Stukas eram capazes de mergulhar por trás das linhas inimigas e atingir o ponto fraco dos indestrutíveis tanques russos T-34, o tampo traseiro do compartilhamento do motor.
    Em uma dessas missões as margens do Rio Voga, na Batalha de Staligrado; a aeronave que pilotava foi atingida e caiu em meio ao fogo cruzado ja na margem oposta no campo inimigo! Ele é seu artilheiro de ré conseguiram escapar por terra rastejando e correndo até as margens do rio para atravessar a nado. O que lhe deu enorme vantagem por ser um exímio nadador, conseguindo escapar e retornar ao Campo dominado pelo exército alemão. Na travessia do Rio infelizmente seu oficial de artilharia não teve a mesma sorte e foi baleado e morto a nado quando não pode acompanhar as suas braçadas e fôlego de atleta…
    Rudel em suas incontaveis missões foi atingido 16 vezes em voo e em todas as ocasiões conseguiu se safar e aterrissar com certa segurança e em áreas possíveis a pousos de emergência, levando consigo a sorte grande para escrever os seus livros de memórias!
    Em uma dessas com pequenas avarias, voava baixo na neblina em busca de um ponto de pouso; após quase colidir duas vezes em linhas de energia elétrica, conseguiu aterrissar em uma pastagem sem maiores danos. Logo que saiu do avião, escutou ruídos de motores em uma rodovia. Seu oficial artilheiro caminhou alguns metros na brancura da nevoanévoa para checar e confirmou ser uma rodovia pavimentada.
    Era a única chance de sair dali e sem medo funcionariam o avião e taxiaram até a pista. No melhor de sorte, alinharam a aeronave e puxaram o manche a toda potencia e velocidade sem saber nem se vinha outro veículo de fronte!
    Antes mesmo de obterem potência necessária para decolar, avistam no meio da brancura um viaduto elevado cruzando a estrada! No instante do tudo ou nada, Rudel puxou o manche dos flaps de decolagem ao máximo e com a abilidade de quem no futuro seria condecorado com honradez máxima; consegue decolar passando a pousos centímetros do parapeito do obstáculo inesperado!!!!
    Afinal ele era o Rudel 😉
    Vale mesmo um fime sobre a sua biografia pois apesar de ser alemão e lutar pelo Nazismo ele era cumpridor de seus desafios, tanto que perseverou na Argentina como montanhista e até os últimos dias de sua vida como uma pessoa que quis viver dentro e alem das suas possibilidades fisicas ao invés de ser um inútil qualquer que vive às custas dos outros 😉

  3. Getulio R. Vogetta

    Bela e inusitada matéria com esse resgate histórico! Em que se pesem os feitos de Rudel como militar a serviço de um regime político autoritário e nefasto, os feitos dele como esportista sempre foram notáveis, especialmente nas montanhas.

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