Vencedores e curiosidades do Prêmio Mosquetão de Ouro

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O Prêmio Mosquetão de Ouro foi criado pela Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME) no ano de 2015 e mesmo tendo um tempo de vida curta, emplacou e empolgou bastante gente, gerando torcidas durante as votações.

Francesco Beraldi quando levou seu Premio em 2016.

Este prêmio foi inspirado no famoso Piolet D´or e é uma homenagem aos praticantes das diversas modalidades do montanhismo e também a quem se dedica a projetos relacionados ao meio. Além de veteranos que tiveram protagonismo no passado. Para tanto, o Prêmio é dividido em categorias, que foram evoluindo ano após ano.

Em 2015, quando começou, eram apenas quatro categorias que premiavam os feitos descritos abaixo:

  • Montanhismo: Envolve trilhas, travessias e alta montanha;
  • Escalada tradicional: Conquista de vias de parede, repetições de vias longas e desafiadoras;
  • Escalada Esportiva: Vias de dificuldade, Boulder e campeonatos;
  • Montanhismo e sociedade: Envolvimento de uma pessoa com a comunidade escaladora, realizações de projetos sociais e culturais do montanhismo, trabalhos de conservacionismo, engajamento em prol de políticas para o desenvolvimento do montanhismo brasileiro.

Em 2016, foi adicionada a categoria Montanhismo e Ação Local que premia pessoas e instituições que realizaram importantes ações, de caráter local, para o desenvolvimento do montanhismo ou para a conservação ou recuperação de áreas de montanhas. E no ano de 2020, a categoria Montanhismo foi dividida em Altas Montanhas e Montanhismo Brasil, assim sendo hoje são sete categorias do mais importante Prêmio do Montanhismo brasileiro.

Mosquetão de Ouro

Curiosidades:

O AltaMontanha foi atrás de todas as premiações e fez uma estatística dos vencedores. Esta lista será atualizada ano após ano.

Estados que mais venceram o Premio Mosquetão de Ouro

Por se tratar de um concurso nacional, participam pessoas de todos os estados brasileiros e há um protagonismo notável de três estados: Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Muitas vezes, o Prêmio é dividido, pois como na escalada quase sempre se escalada com um ou mais parceiros, os feitos são compartilhados. Por conta das cordadas múltiplas, o estado do Paraná se destaca. Confira abaixo os estados mais premiados do Mosquetão de Ouro:

  • Paraná: 14
  • Rio de Janeiro: 10
  • São Paulo: 9
  • Minas Gerais: 4
  • Rio Grande do Sul: 2
  • Argentinos: 2!

A questão das cordadas também incluíram dois argentinos na lista dos ganhadores, Horácio Gratton e Maximo Kausch, embora o último viva no Brasil há muito tempo e tenha residencia aqui. Há também uma polêmica quanto de que estado é cada montanhista premiado, pois há pessoas que nasceram em um local, mas se consagraram vivendo em outro estado. Então estes números podem mudar de acordo com o critério usado. De qualquer forma, não deixa de ser um dado curioso a se atualizar mais tarde. Há também escaladas que foram feitas com ingleses, colombianos e outros.

Os maiores vencedores

Existe uma grande rotatividade de pessoas premiadas, no entanto há sempre aquele, ou aqueles atletas que se destacam mais e por isso ano vai e ano vem acabam levando o Prêmio mais uma vez. Confira os “Papa Mosquetão de Ouro”, os atletas que já levaram mais de uma vez o título:

O escalador Felipe Camargo

Indicados que não ganharam

Da mesmo forma que há aqueles que são indicados e acabam vencendo suas categorias, há também aqueles que são indicados, mas acabam por não levar o troféu. Confira os nome que mais concorreram, porém acabaram não ganhando:

  • Felipe Camargo: 3, em 2016 esteve concorrendo em duas categorias diferentes, não levou nenhuma. No ano seguinte mais uma vez que seu nome esteve entre indicados e não ganhou, mas tudo bem, ele já tem 3 canecos!
  • Waldemar Niclevicz: 3, o montanhista paranaense concorreu nos anos de 2016, 2017 e 2019, mas não levou nenhum.
  • Formiga: 2, o paranaense Eduardo Mazza chegou ao páreo em 2016 e também no ano seguinte. Acabando não levando em ambas.
  • Alexandre Diniz: 2, produtor do Festival de Filmes de Montanha do Rio de Janeiro, chegou ao páreo em 2016 e em 2018.
  • Pedro da Cunha Menezes: 2, idealizador de projetos de mega trilhas no Brasil, foi indicado em 2016 e em 2017.
  • Maximo Kausch: 2, o argentino residente no Brasil, que começou a escalar em terras brasileiras ainda jovem, foi indicado em 2018 e 2019. Ele, porém levou o troféu em 2015 na categoria Montanhismo junto com Pedro Hauck.

Waldemar Niclevicz, quase levou 3 vezes o Mosquetão de Ouro.

Indicados em categorias diferentes:

Há alguns atletas que se destacam também por serem muito ecléticos e se sobressaem em múltiplas atividades. Neste quesito o parananense Waldemar Niclevicz supera a todos. Apesar de nunca ter levado o Mosquetão de Ouro, ele já concorreu em duas modalidades: Vida na Montanha (2016, 2019) e Escalada Tradicional (2017). No entanto ele também tem destaque numa categoria a qual nunca participou, que é Alta Montanha.

Outro montanhista que andou participando de distintas categorias foi o premiado Felipe Camargo, que ora esteve concorrendo na Escalada Tradicional e ora na Escalada Esportiva.

Mulheres

Ainda há um predomínio de conquistas masculinas no Mosquetão de Ouro, porém a participação feminina vem aumentado todos os anos e muitas acabam vencendo suas categorias. Confira as mulheres que já levaram o Mosquetão de Ouro: Branca Franco, Juliana Tozzi, Amanda Criscuoli e Cyonira Hollup. As ultimas inclusive detém os recordes de idade do prêmio. Amanda ganhou com 10 anos de idade e Cyonira com 90 anos.

 

Todos os Ganhadores e seus feitos no Mosquetão de Ouro

 

Categoria Montanhismo

Ano 2015:

Pedro Hauck e Maximo Kausch – PR e ARG

Pedro Hauck e Maximo Kausch, que moram em Curitiba PR, levaram o prêmio por terem finalizado em 2014 a escalada de todas as montanhas acima de 6 mil metros na Bolívia. Este projeto, bastante interessante, foi realizado apenas pela dupla e também pelo montanhista equatoriano Santiago Quintero. A dificuldade deste projeto se deu pelo fato de que são 14 montanhas e também por que a cartografia oficial da Bolívia é ainda bastante primitiva e não havia uma lista oficial das montanhas mais altas do país. A dupla então realizou uma pesquisa com dados da NASA e em campo confirmaram que uma das montanhas, o Capurata, que era tida como 5 mil, era na verdade um 6008, contribuindo para o conhecimento da geografia dos Andes. Em todas as expedições ao país vizinho, a dupla foi num estilo independente e autônomo.  Sempre indo à Bolívia de carro, realizando difíceis aproximações 4×4, sem guias, sem apoio logístico e sem informações. Assim, foi preciso descobrir as rotas em muitas montanhas. Em diversos destes cumes eles foram os primeiros brasileiros a realizar a ascensão. Valeu o espírito da exploração e autonomia num projeto que promete ser um “grande slam” andino.

Ano de 2016:

Murilo Gimenes Lessa – SP

De Piracicaba, mas radicado em Londres desde 2008, o paulista participou de expedição em dupla com Lee Harrison e foi às montanhas Lupghar, no Karakoram paquistanês. Lá realizou duas primeiras ascensões absolutas a picos inominados: P5702 e P5589. Além disso, ascendeu também o P5665 (segunda ascensão conhecida a este cume), por uma nova rota.

Ano de 2017

Pedro Hauck  – PR

No ano de 2016 o montanhista Pedro Hauck liderou a expedição à montanha mais alta dos Andes ainda inédita a montanhistas brasileiros, o Bonete Chico (6.759m) e com ela também se tornou o primeiro brasileiro a escalar as 5 montanhas mais altas dos Andes. Em 2016, ele alcançou o cume de pelo menos sete montanhas nunca subidas por brasileiros, e acumulou 20 ascensões em montanhas nos Andes. Com estas montanhas, Pedro chegou a 85 cumes em montanhas andinas, destas, 46 acima de 6 mil metros, uma marca apenas alcançada por outras 3 pessoas no mundo.  A maior parte destas expedições foram realizadas com recursos próprios, de maneira autônoma e independente.

Relação das montanhas com primeira ascensão brasileira em 2016: Cerro Baboso (ARG), 6.080 mts; Bonete Chico (ARG), 6.779 mts; Vulcão Vallecitos de Catamarca (ARG), 6.170 mts; Cerro Colorados (ARG/CHI), 6.080 mts; Cerro Condor (ARG), 6.414 mts Cerro Majadita (ARG), 6.280 mts; Cerro El Toro (ARG/CHI), 6.168 mts

Ano de 2018:

Marcos Costa – RJ

Escalou o Gasherbrum II (8035m) no Paquistão sem uso de oxigênio e cordas fixas, em estilo alpino, autônomo e independente em julho de 2017. Foram mais de 20 dias de expedição e o primeiro cume de 8000 do teresopolitano. Em março de 2017, Marcos havia escalado a face norte do Eiger, tendo sido o primeiro brasileiro a fazer essa que é uma das paredes consideradas mais difíceis dos Alpes.

Ano de 2019:

Marcos Costa e Vinicius Todero – RJ e RS

Expedição à Groenlândia, onde escalou o Ulamertorsuaq (Ula), pela via Moby Dick em 22h, liberando enfiadas de até 5.13a (9a) em 18 enfiadas a partir do bivaque. Ele também abriu a via Quajanaq, uma via de 1.000 m, 28 enfiadas, com lances de 8c/9a.

Vencedores do Mosquetão de Ouro de 2015

Categoria Escalada

Ano de 2015:

Lucas Marques e Sérgio Ricardo – MG

Nesta categoria a realização de Lucas Marques e Sérgio Ricardo que moram na Serra do Cipó – MG foi a escolhida pela repetição da mítica via Place of Happiness na Pedra Riscada, no norte de Minas. Esta escalada teve grande impacto primeiramente porque é a via mais difícil do maior pico rochoso do Brasil, a Pedra Riscada. Depois por que se trata de uma via de parede de 900 metros de altura, com características de uma via esportiva, pois em diversos trechos ela tem dificuldade de até nono grau. Em seguida pelo significado histórico desta via, aberta pelo lendário escalador alemão Stefan Glovacz com o paranaense Edemilson Padilha e outros monstros da escalada em 2009. Além disso, também tem o fato de ser uma das vias mais difíceis e comprometedoras da América do Sul. O fato incrível desta repetição é que a dupla mineira realizou esta escalada extrema em apenas 10 horas de atividade.

Ano de 2016:

Edemilson Padilha, Valdesir Machado e Élcio Muliki  – PR

Realizações: Conquista da via No fio da Navalha 6VIIA A1 E3 D4/5, 700 m em quatro dias de investida na Pedra do Rio, em Castelo, Espírito Santo.

Ano de 2017:

Edemilson Padilha, Valdecir Machado, Willian Lacerda, Horacio Gratton, Wagner Borges – PR, ARG e MG

Pela conquista da via Sangue Latino, na Pedra Baiana, uma das vias de grandes paredes mais difícil do Brasil com 800 metros e dificuldades de até 10b. A Pedra Baiana é um impressionante monumento natural de 1.650 m de altitude, localizado em Nova Belém (MG). Foram 9 dias para abertura da via, com a chegada do cume em 9 de agosto de 2016, após 17 enfiadas.

Ano de 2018:

Branca Franco – MG

Cordada feminina em companhia de Caroline Ramirez (Colombiana) na Esfinge (5.325 m) pela a Rota Original, graduada em 6a A1(6c+) e 750 metros. A Esfinge é a maior parede rochosa do Peru e a dupla repetiu a via em julho de 2017.

Ano de 2019:

Edemilson Padilha, Willian Lacerda, Valdesir Machado e Gabriel Tarso – PR e SP

Travessia King Kong – 5 dias que incluíram 3 complexas vias de escalada da Serra do Mar Paranaense, todas de difícil acesso. A equipe “linkou” as vias: 3 Chapas (7a E3, 380 m), via Musguenta (7a A2 E3, 420 m) e a via Deus e o Diabo (8a A1 E3, 800 m). Assim eles fizeram cume em três montanhas: Ibitirati, Ferraria e Pico Paraná, que estão separadas por grandes vales (descida que por si só poderiam ser aventuras únicas). As vias em questão já eram famosas pelo pouco número de repetições, justamente pelo esforço empregado e alto grau técnico. Fazer o link de todas elas então… é um passo bem mais adiante!

Valdesir Machado e Edemilson Padilhas são dois grandes vencedores do Mosquetão de Ouro.

Categoria Escalada Esportiva

Ano de 2015:

Felipe Camargo – SP

Felipe Camargo, de São José do Rio Preto, – SP,  já é um escalador consagrado que rompeu todas as marcas da escalada esportiva brasileira e sem dúvida já faz parte da história. Sua maior realização de 2014, é também uma realização da escalada brasileira que puxou os números para cima, pois neste ano ele realizou a primeira escalada de um Boulder V15 no Brasil, o Boulder Fortaleza localizado em Ubatuba, SP. O Boulder Fortaleza não só é o Boulder mais difícil do país como de toda a América Latina. Um feito digno de premiação pela característica atlética, ineditismo e ter elevado o grau da escalada brasileira

Ano de 2016:

Felipe Camargo – SP

Realizações: Cadena da via Era Vella 11C (5.14d e 9a frances), em Margalef, Espanha.

Ano de 2017:

Amanda Criscuoli – RS

Amanda Criscuoli, aos 10 anos de idade encadenou Celulite Abdominal (8a), Salto Ventoso (RS), em novembro de 2016.

Ano de 2018:

Felipe Camargo – SP

Primeiro brasileiro a encadenar via 9a+ francês (12a BR): a via “Papichulo” na Cidade de Oliana na Espanha – em abril de 2017.

Ano de 2019:

Nina Quintanilha – RJ

Cadena das vias Sigarrets e Barra Pesada de 10a, na Barrinha, Rio de Janeiro, em 2018

 

Categoria Montanhismo e Sociedade

Ano de 2015:

Silvério Nery – SP

Silvério Nery de São Paulo – SP, recebeu o prêmio em reconhecimento por seu trabalho de anos na organização e representatividade no montanhismo brasileiro. Silvério foi o fundador da Federação de Montanhismo do Estado de São Paulo em 2002 e também da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada em 2004 da qual foi presidente até o ano de 2014. Durante todos estes anos esteve participando de inúmeras reuniões defendendo o interesse da comunidade de montanha. Na luta pelo acesso nos Parques Nacionais, na busca da manutenção da autonomia desportiva representada pela ameaça de leis que cerceavam nossa liberdade em Brasília. Foi durante muito tempo criticado, mas é inegável o fato de que deixou como legado as federações e sua estrutura representativa que são muito importantes tanto na luta pelos direitos dos montanhistas, como na realização de eventos, como as aberturas de temporada, as Semanas do Montanhismo, Seminário de Mínimo Impacto e até mesmo o Prêmio Mosquetão de Ouro, que certamente é um prêmio que veio para ficar

Ano de 2016:

André Ilha – RJ

Realizações: André Ilha é Montanhista a mais de três décadas, conquistador de centenas de vias de escaladas e autor de três guias de escaladas. Ele também é ambientalista e gestor público na área ambiental (ex-Presidente do IEF/RJ e ex-Diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do INEA/RJ) se dedica a causa da conservação de áreas naturais, liderando a criação de diversas unidades de conservação e estimulando a boa gestão de visitação em áreas naturais em todo o país.  Ele possui realizações de vanguarda no Rio de Janeiro, como a criação de guardas-parques, e o decreto e o programa de uso público de UCs. Contribuiu, de maneira relevante, para a preservação dos valores e princípios do montanhismo, com destaque para os temas de direito ao risco, responsabilidade ambiental e auto-regulamentação – atuando, nas esferas estadual e federal, contra as diferentes iniciativas de regulamentação prejudiciais ao montanhismo promovidas por atores externos ao mesmo. É um colaborador permanente da FEMERJ e CBME atuando permanentemente na articulação de questões relacionadas ao acesso e conservação em unidades de conservação.

Ano de 2017:

Montanha para Todos – Guilherme Simões Cordeiro e Juliana Tozzi – SP

O casal desenvolveu uma cadeira de rodas adaptada para pratica de esportes de montanha que de princípio possibilitou subir uma pessoa portadora de necessidades especiais, cadeirante, no maciço das prateleiras no Parque Nacional do Itatiaia. De acordo com pesquisas e entrevistas que participaram, a Juliana é a primeira montanhista cadeirante do Brasil. Depois deste feito realizado no dia 12 de Junho de 2016, foi criado o projeto Montanha para Todos que tem por objetivo distribuir estas cadeiras adaptadas que foi batizada de Julietti, pelo Brasil e pelo mundo em lugares estratégicos para que qualquer pessoa com necessidades especiais possam utilizar para prática de esportes.

Juliana Tozzi testando sua Julietti nos Andes

Ano de 2018:

Encontro de Escaladores do Nordeste

Com 17 edições, o Encontro de Escaladores do Nordeste se tornou o mais importante encontro regional de escalada, sendo um aglutinador dos escaladores e o fator mais importante para o desenvolvimento da escalada em rocha na região, atraindo escaladores não apenas do nordeste, mas de todo o Brasil e do exterior. Foi criado com o intuito de aproximar os escaladores nordestinos, atualmente cresceu e promove também a integração entre as associações organizadoras, escaladores e a população local, valorizando a cultura, os costumes e a economia dos locais. O primeiro Encontro foi em 1999 no que é hoje o Parque Estadual da Pedra da Boca (PB) e anualmente é organizado em um estado distinto, incentivando pessoas de várias partes do país a conhecerem e frequentarem os polos de escalada do nordeste.

Ano de 2019:

CEB – Centro Excursionista Brasileiro

O Centro Excursionista Brasileiro foi fundado há 100 anos em 01/11/1919, sendo o maior e mais antigo clube de montanhismo do Brasil ainda em atividade, e um dos mais antigos da América do Sul. Hoje, seu quadro de associados é composto por mais de 400 sócios ativos, atuantes em caminhadas, escaladas e demais atividades de montanha. Dentre as mais de 300 conquistas realizadas pelos Guias e associados do CEB, pode-se citar: Raid Pedestre Rio Petrópolis em 2 dias 03/05/1919; Pico da Glória ou do Glória; Pico do Escalavrado; Travessia Petrópolis Teresópolis; Primeira repetição do Dedo de Deus 08/03/1931; Caminho das Maravilhas; Coroa do Frade (primeira agulha); Pico da Cabeça de Peixe; Pico da Agulha do Diabo; Agulha do Itacolomi; Pico do Frade de Angra; Paredão Marumbí; Pedra do Picú; Pedra Azul – ES; Pico da Tijuca Via Costão; Pico Maior do Vale dos Frades; Fissura São João; e Grande Leste (Polegar do Dedo de Deus).

As atividades do CEB permitiram que milhares de participantes conhecessem diversas montanhas, paredes de escalada e cumes mais significativos do Brasil. Dentre os nomes mais destacados que fazem ou fizeram parte dos seus quadros podemos mencionar (com sério risco de ser omissos de muitos nomes): Armindo Martins; Emmerico Ungar; Richard Willy Brackman; Henrique Leser; Fritz Reuter; Ivo Preira; Ary Ramos; Haroldo Penna; Rosa Lifchitz; Hugo Blume; Almy Ulissea; Raul Fioratti; Giuseppe Toselli ; Günter Buchheister; Ulisses Braga; Luzia Caracciolo; Carlos Costa Leite; Luiz Arnaud; Mario Arnaud; Raimundo Minchetti; Antonio Candido Dias; André Ilha; e Francesco Berardi. O CEB possui o maior acervo histórico imagético, impresso e vivo sobre a prática do montanhismo no país. Em seu acervo impresso estão reunidos livros, fotografias, relatórios, boletins, dentre outros, adquiridos ao longo dos últimos 100 anos. Também há um precioso acervo vivo, através da memória dos seus veteranos e associados.

 

Categoria Montanhismo e ação local

 

Ano de 2016:

Movimento da Trilha Transcarioca – RJ

Realizações: O Mosaico Carioca e os Amigos da Trilha Transcarioca vêm trabalhando incessantemente ao longo dos dois últimos anos para implantação da Trilha Transcarioca. Iniciando em Barra de Guaratiba e passando pelas Praias Selvagens, Pedra do Telegrafo, Parque da Pedra Branca, Floresta da Tijuca, Parque Lage e Parque da Catacumba unindo oito Parques municipais até chegar a trilha do Morro da Urca, totalizando mais de 180 km de trilha manejada e sinalizada por voluntários. Tamanha dedicação rendeu ao projeto uma homenagem da Câmara dos Vereadores em novembro de 2015 e o início da criação da APA da Trilha Transcarioca que tem como objetivo principal a proteção dos trechos de corredores verdes, que liga as unidades de conservação, pelas quais a Trilha Transcarioca está inserida. Em setembro de 2015 em um único mutirão, o projeto reuniu mais de 800 voluntários trabalhando na sinalização e manutenção dos 180 km da Trilha da Transcarioca. O evento teve a presença de vários Clubes de Excursionismo, ONGs, FEMERJ, simpatizantes, prefeitura, ICMBio, Inea além de vários grupos independentes de caminhada. O projeto já vem colhendo frutos com a adesão da população local e órgãos de segurança do estado e município que veem na implantação da trilha uma ótima oportunidade de fomentar a economia local, a segurança das localidades por onde a trilha passa além de ótima oportunidade de disseminar a educação ambiental entre os caminhantes.

 

Ano de 2017:

Pão de Açúcar Verde – Domingos Sávio – RJ

O Projeto Pão de Açúcar Verde promove a recuperação ambiental da face leste e sul do Pão de Açúcar desde 2002, através do reflorestamento com espécies nativas. São realizados mutirões mensais de plantio com voluntários, além de outras ações desenvolvidas pelo Sávio.

Ano de 2018:

Grupo Paulista de Montanhismo – SP

Com o propósito de buscar maior qualidade de vida para Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida (PDMR) através dos esportes de montanha, o Grupo Paulista de Montanhismo (GPM) desenvolveu o Projeto de Inclusão Social, iniciando com Deficientes Visuais (DVs). Em 2016, foi realizado um projeto-piloto com a participação de dois DVs. Em 2017, contou com a participação de 8 DVs e 20 voluntários montanhistas. O projeto começou com um treinamento indoor e uma escalada na Pedra do Santuário (Pedra Bela/SP).
No âmbito do projeto de inclusão, foi desenvolvido um piloto em 2018 para levar cadeirantes para escalar.

Ano de 2019:

Cosmo – PR

O COSMO, Corpo de Socorro em Montanha, criado em 1996, é uma associação civil sem fins lucrativos. Formada por montanhistas voluntários que prestam serviços de prevenção de acidentes, resgate de acidentados, busca de perdidos, manutenção e conservação de trilhas e vias de escalada, além de ministrar cursos de capacitação e formação de grupos voluntários de busca e salvamento – GVBS. Sua área de atuação compreende o Parque Estadual Marumbi e área de entorno, na Serra do Mar paranaense. Após uma interrupção de 7 anos, em 2018, o COSMO volta atuar no Parque Marumbi, com as atividades de plantões voluntários preventivos, na questão de manejo de trilhas, prevenção de acidentes e resgates em auxílio ao Corpo de Bombeiros.

Em 2018, o COSMO ainda realizou cursos voluntários de capacitação médica para equipes do Corpo de Bombeiros do Paraná e organizou e realizou o Curso para Voluntários (depois de 10 anos do último). Este último culminou em aproximadamente 20 novos integrantes na equipe técnica que agora está com cerca de 50 integrantes. Como resposta ao aumento dos acidentes na natureza, o COSMO criou uma “Campanha de prevenção de acidentes na natureza”, com sete dicas básicas, a campanha foi veiculada de maneira muito grande localmente mas também alcançou, via redes sociais de internet, uma grande repercussão no país, principalmente entre usuários, montanhistas, excursionistas. Também foi criado o Instagram COSMO @cosmomarumbi, com objetivo de disseminar práticas mais seguras na montanha, o qual em poucas semanas já havia superado os 800 seguidores.

Neste sentido, 2018 torna-se um importante marco para o COSMO e tudo que está relacionado a ele, seja na difusão dos conhecimentos adquiridos em mais de 20 anos de atuação, seja nas ações voluntárias prestadas ao Parque Marumbi, com relação ao manejo de trilhas, prevenção de acidentes e primeiro atendimento em situações de emergências e principalmente no seu fortalecimento institucional.

Integrantes do COSMO

Categoria Vida na Montanha

Ano de 2016:

Francesco Berardi – RJ

Realizações: Francesco Berardi é o primeiro a fazer os 27 cumes mais altos do Brasil (entre eles Roraima, Neblina, Pico da Bandeira, Pedra da Mina, Agulhas Negras e Pico dos Três Estados). Além disso, registra escaladas e caminhadas na França, Suíça, Áustria, Itália, Eslovênia, Venezuela, Equador, Peru, Bolívia, Tanzânia e Quênia. Já experimentava o montanhismo quando criança. Nas colinas do Sul da Itália. Berardi, que veio para o Brasil aos quatorze anos, já tem mais de 40 anos na prática do montanhismo, guiando escaladas, caminhadas e expedições de conquista. Filiado do CEB desde 1968, onde atua como guia desde de 1970. Berardi, que já guiou mais de 1800 excursões, é um ícone no montanhismo brasileiro e tem recebido homenagens por sua dedicação ao esporte. Ele sintetiza essa paixão dizendo que é um prazer ir às montanhas: “Quando conquisto um cume já estou pensando no próximo, nunca estou satisfeito”.

Conquistas realizadas: Castelinhos – PARNASO – 15/05/2015 * Monte de Milho e Serra das Antas, Secretario Petrópolis, em 28/03/15 * Travessia Castália x Guapiaçu em Cachoeira de Macacu – Reabertura de trilha. * Retorno a Pedra Azul – Domingos Martins – ES, em 20/11/15 * MAMUTE via vale do Bom Fim PNSO, Reabertura de trilha * PEDRA DO REGO- VENDA NOVA DO IMIGRANTE – ES – 21/11/15 * Travessia Vale da Revolta _ Pico Alto da Boa Vista – Jacarandá. 24/10/15 * “Alto das Nuvens e Castelinhos- Magé” em 10/2015 * Morro São João. PNSO 03/10/15 Dentre outras dezenas de atividades, entre oficiais de clube, exploração, abertura (ou reabertura) de trilhas * Fissura 8 de setembro – Pedra do Conde P.N.T – 08/09/1974 * Agulha Beija Flor  – PARNASO – 01/01/1976 * Pedra do Lagarto – Domingo Martins / ES – 02/08/1796 * Pedra Pontuda – Castelos / ES – 06/02/1978 * Pontão do Cansado – São José do Calçado / ES – 04/10/1980 * Pedra da Boneca – Itabirinha de Mantena / MG – 22/01/1994 * Pico Maior das Três Orelhas – Lídice / RJ – 29/03/1997 * Morro do Carmo – Vale Dantas – Teresópolis / RJ – 02/08/1998 * Pedra da Lavra – Água Doce / ES – 12/03/2000 * Pico São mateus – São Fidélis / RJ – 20/02/2007.Reflorestamento nas encostas do Pão de Açúcar.

Ano de 2017:

Edson “Dubois” Struminki – PR

Nascido em Minas Gerais e criado no Paraná, Edson Struminski é um dos maiores conquistadores de vias no Brasil, como a Distraídos Venceremos no Baú, 3 Chapas no Ibitirati e centenas de outras, assim como vários setores de escalada inteiros. Faz parte da geração de escaladores que começaram a se destacar na década de 1980, difundindo o conceito da escalada livre. Formado em Engenharia Florestal (1989), Dubois sempre trabalhou em prol da conservação das montanhas e levando seu conhecimento científico para o meio do montanhismo, embasando decisões que foram importantes para a preservação da Serra do Mar.

Ano de 2018:

Vitamina (Henrique Paulo Schimidlin) – PR

Nos anos 1940, Vitamina foi conhecer o Marumbi e nunca mais parou. Alinhou-se entre os melhores escaladores de rocha de sua época e participou da abertura de vias que se tornaram clássicas, como a Passagem Oeste do Abrolhos e a Fenda Y, cuja dificuldade técnica é respeitada ainda hoje. De espírito inventivo, desenvolveu equipamentos e roupas quando nem mercado de aventura existia, além de  modalidades esportivas serranas, como a corrida de aventura Marumbi-Morretes. Ainda ativo aos 88 anos é possuidor de grande resistência física, atuando na mediação entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental em inúmeros conselhos e entidades.

Vitamina

Ano de 2019:

Tadeusz e Cyonira Hollup

Mais de 70 anos de contribuição para a história do montanhismo, com conquista de inúmeras vias. Foram decisivos para a manutenção do Clube Excursionista Carioca nos piores momentos de sua história, inclusive mantendo o clube financeiramente. Pioneiros do montanhismo brasileiro, com diversas conquistas de vias clássicas do Rio de Janeiro, como também sempre mostrou um amor incondicional pela vida na montanha. Algumas de suas conquistas: Chaminé Galloti, Agulha George Guarishi, Pr. Secundo Costa Neto. Tadeusz faleceu em 2018.

 

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Sobre o autor

Redação - AM

Texto publicado pela própria redação do Portal.

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