Voluntários levam menino cadeirante ao cume do Pico Camapuã, no Paraná

0

Cerca de 25 voluntários do grupo Inclusão e Aventura uniram forças, no dia 1º de agosto, para realizar um desafio especial: levar o menino Tiago Vicente da Cruz, de 12 anos, ao cume do Pico Camapuã, na Serra do Itibiraquire, um clássico do montanhismo no Paraná. Foram aproximadamente quatro horas de caminhada entre a base e o cume e outras duas horas e meia para vencer os cerca de 9km de trilhas, em uma aventura marcada por desafios, superação e muitos momentos de alegria.

Equipe completa no cume. Foto: Robson Roque.

Tiago possui atraso motor e utiliza cadeira de rodas para se locomover. A dificuldade de locomoção, no entanto, não o impede de aproveitar novas experiências e alimentar o desejo de conhecer as montanhas.

Desta vez, o grupo escolheu o Pico Camapuã com 1.706 metros de altitude tanto pela possibilidade de contemplar a paisagem do Pico Paraná e de outras montanhas da Serra do Itibiraquire quanto pelo desafio de enfrentar uma trilha mais exigente.

“A gente gosta de um desafio”, contou Robson Roque Lopes, representante do Inclusão e Aventura.

Antes do Camapuã, o grupo já havia subido o Morro do Getúlio, no Parque Estadual Pico Paraná, com outro cadeirante.

A cadeira que possibilitou levar o Tiago até o cume. Foto: Robson Roque.

Uma montanha vencida por muitos braços

Para realizar a ascensão, os voluntários utilizaram a Cadeira Vitória, um equipamento desenvolvido para transportar pessoas com mobilidade reduzida por terrenos acidentados. O modelo é adaptado para enfrentar trechos íngremes e obstáculos comuns nas trilhas, como rochas, raízes e pequenos troncos.

A cadeira possui apoios na parte dianteira e traseira, permitindo que vários voluntários atuem simultaneamente durante o deslocamento. Ao longo do percurso, foram necessários muitos braços para empurrar e puxar o equipamento, especialmente nos trechos mais difíceis.

A cadeira sendo usada durante a trilha. Foto: Robson Roque.

Mais do que o esforço físico, porém, a atividade foi marcada pela participação coletiva. Os voluntários dividiram o trabalho durante toda a ascensão, enquanto Tiago acompanhava a aventura e aproveitava a experiência de estar entre as montanhas.

A mãe do menino, Tati, também participou de todo o percurso. Ao lado do filho e dos voluntários, enfrentou os trechos mais difíceis e acompanhou a aventura até o cume.

Tati e Tiago no cume. Foto: Robson Roque.

Para Robson, a experiência pode se transformar em uma lembrança que permanecerá por muitos anos.

“Talvez, muitos anos à frente, o Tiago e a Tati ainda contem essa história. Talvez se lembrem daquela madrugada, dos trechos de lama, das mãos que ajudaram a carregar a cadeira, do sol forte, do mar de nuvens e do momento em que chegaram ao cume”, afirmou.

Voluntário brincando com o Tiago. Foto: Robson Roque.

Inclusão também nas montanhas

A iniciativa mostra como a atuação de grupos voluntários pode ampliar o acesso de pessoas com mobilidade reduzida a ambientes naturais e experiências que, muitas vezes, parecem inacessíveis.

Para que a atividade fosse possível, foi necessário planejamento, equipamento adequado e a mobilização de dezenas de pessoas. O resultado, porém, foi uma experiência compartilhada por todos os envolvidos.

Tiago tranquilo aproveitando a experiência na montanha. Foto: Robson Roque.

“Fica o nosso agradecimento a cada voluntário que doou sua força, seu tempo e seu cuidado para que essa aventura acontecesse. E fica também a nossa admiração pela coragem de Tiago e de Tati, que aceitaram o desafio e se permitiram viver um dia verdadeiramente inesquecível”, concluiu Roque.

Compartilhar

Sobre o autor

Maruza Silvério é jornalista formada na PUCPR de Curitiba. Apaixonada pela natureza, principalmente pela fauna e pelas montanhas. Montanhista e escaladora desde 2013, fez do morro do Anhangava seu principal local de constantes treinos e contato intenso com a natureza. Acumula experiências como o curso básico de escalada e curso de auto resgate e técnicas verticais, além de estar em constante aperfeiçoamento. Gosta principalmente de escaladas tradicionais e grandes paredes. Mantém o montanhismo e a escalada como processo terapêutico para a vida e sonha em continuar escalando pelo Brasil e mundo a fora até ficar velhinha.

Deixe seu comentário