Inconsistências na lista das montanhas mais altas do Brasil

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Com periodicidade, é publicado pelo IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Anuário estatístico do Brasil, com informações atualizadas sobre os números e a Geografia de nosso país. Dentre diversas coisas, O IBGE publica uma lista com as maiores montanhas do Brasil, lista esta que vem mudando ao longo da história (veja abaixo).

Lista das montanhas mais altas do Brasil. Fonte IBGE (2018).

Agulhas Negras. Foto Pedro Hauck

Na prática, as feições de relevo sempre estiveram lá, porém nós é que não as conhecíamos. Essa mudança se deve à investimentos em exploração do território e na própria evolução tecnológica.

Na época do Império, acreditava-se que o Pico das Agulhas Negras era a montanha mais alta do Brasil. Em 1856, Franklin Massena fez a primeira escalada à esta magnífica montanha localizada na Serra da Mantiqueira.

Três anos mais tarde, Dom Pedro II ordenou uma expedição para outra montanha, na Serra do Caparaó, divisa entre Espirito Santo e Minas Gerais. O Pico da Bandeira recebeu este nome devido à bandeira do Império instalada em seu cume durante esta ascensão.

Começou aí uma dúvida sobre qual seria o ponto mais alto de nosso país, uma dúvida que só foi solucionada parcialmente em 1941 por Álvaro Silveira do Serviço Geográfico de Minas Gerais que realizou a medição da altitude do Pico da Bandeira.

Medições sendo feitas no Pico da Bandeira.

A precariedade em se descobrir a altitude era tanta, que em 1919, bem antes das pesquisas de Silveira, descobriu-se que Massena não havia escalado o ponto mais alto das Agulhas Negras. Este, que é o que conhecemos hoje, só foi conquistado apenas naquele ano, 63 anos depois da primeira expedição exploratória.

Determinar as altitudes foi durante muito tempo um grande desafio para o conhecimento de nossa Geografia. Dentre os capítulos finais deste desafio, temos a história do então estudante de Geografia Lorenzo Biagini que no começo dos anos 2000 descobriu através do uso de GPS de precisão que a Pedra da Mina, localizada na Serra Fina é mais alta que Agulhas Negras, provocando mais uma alteração na lista das montanhas mais altas do Brasil.

Pico da Neblina e 31 de Março. Notem que o colo entre os dois é bastante alto, estando numa altitude aproximada de 2860 metros.

Da época do Império para hoje tivemos mudanças significativas no conhecimento de nossa Geografia. Só viemos a conhecer a montanha mais alta do país, o Pico da Neblina, na fronteira com a Venezuela, na década de 1960 através do projeto RADAM Brasil, que através de sensores remotos em satélites conseguimos obter as primeiras cartas topográficas do país inteiro na escala 1:250.000. Hoje em dia já nem falamos mais em cartas e substituímos a escala por resolução.

Nesta breve explanação pude citar alguns métodos de determinação de altitude. Os mais antigos e menos precisos são os de triangulações geométricos, que são obtidas através de cálculos matemáticos. A segunda foi através de sensores remotos, que são os satélites que cada vez mais nos dá informações mais e mais precisas sobre o relevo. A terceira, foi o GPS de precisão, que também precisa de um referencial matemático, que é a forma matemática da terra, hoje tida como o Geóide.

Com o avanço tecnológico, sabemos das altitudes de nossas principais montanhas em centímetros!

A Pedra da Mina e a Serra Fina, MG (Fonte: Casa Tática)

Por este motivo não falta mais conhecimento sobre as altitudes das principais montanhas, morros e topografias positivas. Estes fatos enterram cada vez mais as afirmações que advém do conhecimento geográfico da época da colônia de que no Brasil não existem montanhas!

Apesar da evolução, há na lista do IBGE inconsistências e elas advém do fato de que é urgente a necessidade deste órgão admitir um conceito do que é uma montanha. Explico:

Há conceitos diferentes que assumem o que é  e o que não é uma montanha. Na Geomorfologia, Montanha é uma forma de relevo positiva onde existe um destacamento topográfico, ou seja, uma proeminência superior a 300 metros. Quando temos uma proeminência inferior a 300 metros ela é considerado um morro.

Eu particularmente gosto mais do conceito do Índice de Dominância, que é muito mais justo com montanhas de menor altitude, como as do Brasil. Este índice valoriza as formas de relevo positivas que se destacam na paisagem, o que se aproxima mais do conceito subjetivo de montanha, que é dado culturalmente, porém realizado através de um método científico.

É preciso salientar que o Índice de Dominância é o critério usado na elaboração da lista de montanhas de 8 mil metros do Himalaia, na lista das montanhas de 6 mil metros dos Andes e na lista das montanhas com mais de 4 mil metros dos Alpes.

:: VEJA MAIS: O que faz uma montanha ser uma montanha? O índice de Dominância

As inconsistências da lista das montanhas brasileiras do IBGE

 

Após esta explanação histórica e técnica, vamos com as inconsistências. Notem no quadro das montanhas brasileiras, no começo deste artigo, publicada no Anuário Estatístico de 2018, que diversas montanhas que estão na lista não são montanhas de acordo com qualquer conceito. Seja o conceito da Geomorfologia (Proeminência), quanto da Dominância.

Em uma pesquisa em eu realizei em 2018 no Parque Nacional do Itatiaia, concluí que as únicas montanhas daquela importante região montanhosa são: Pico das Agulhas Negras (2791,5m), Morro do Couto (2680m), Pico da Maromba (2619m), Pedra Furada (2589m) e Pico Serra Negra (2572m). Todas montanhas corretamente citadas no documento.

VEJA MAIS DETALHES:

:: Quantas montanhas há no Parque Nacional de Itatiaia?
:: Quantas montanhas há na Mantiqueira Norte?
:: Quantas montanhas há na Serra do Mar fluminense? 

::Quantas montanhas há na Mantiqueira Clássica?
:: Quantas montanhas há na Serra do Espinhaço?
:: Quantas montanhas há no Estado de Roraima?
:: Pico da Neblina e 31 de Março, qual é montanha?

Infelizmente, o mesmo documento cita também montanhas que não atendem a nenhum critério técnico e científico do que é uma montanha. São elas: Pedra do Sino de Itatiaia (2670m), Pedra do Altar (2665m), Prateleiras (2551m), Morro do Massena (2609m), Pedra Assentada (2453m), Morro do Urubu (2270m), Pedra Cabeça de Leoa (2483m), Cabeça de Leão (2420m) e Pico da Cara de Gorila (2281m). Todos estes cumes são morros, a despeito da altitude elevada que seus cumes atingem.

Todas  estes morros se elevam de um planalto, não tendo destaque topográfico para serem consideradas montanhas em nenhum conceito!

Montanhas do Norte do Brasil

No entanto as inconsistências não são apenas as que citei na região da Mantiqueira, mas sim as das montanhas do Norte do país, que ficam na bacia amazônica, na fronteira com a Venezuela e que são as menos acessíveis, mais distantes e menos conhecidas.

Há muito tempo tenho dúvida sobre o fato de o Pico 31 de Março ser uma montanha independente ou um sub cume do Pico da Neblina. Daí a necessidade de termos que medir não apenas os cumes, mas também os colos que separam um cume de outro adjacente. Sabemos que ambas montanhas distam apenas 648 metros em linha reta e que Pico da Neblina tem 2995,3 metros de altitude e o 31 de Março 2974,2. São apenas 48,1 metros de altitude a menos entre os cumes, porém qual será a proeminência do 31 de Março?

Vista Aérea do Monte Roraima, Venezuela-Brasil-Guiana

Outra inconsistência é em relação ao Monte Roraima, que é uma montanha que tem uma forma muito peculiar. Chamada no Brasil de Chapada, na Venezuela de “Tepuy”, em espanhol de “Meseta” e em inglês “table mountain“, o Roraima têm paredes rochosas abruptas, levemente negativas de mais de 600 metros de altura e um cume irregular e muito grande de quase 90 quilômetros quadrados.

A rigor poderíamos chamar os 90 quilômetros quadrados da  região do cume do Roraima de planalto e seu cume verdadeiro seria o ponto mais elevado deste planalto, um local chamado de Pedra Maverick que tem 2810 metros de altitude.

O Problema do Monte Roraima

O Roraima, de acordo com o IBGE, em medição recente, teria 2734,06 metros, ou seja cerca de 75 metros a menos que a altitude de fato medida na Pedra Maverick. Isso se deve ao fato de que apenas 5% da montanha pertencer ao Brasil, 10% à Guiana e 85% à Venezuela e nesta divisão apenas este último país é dono da Pedra Maverick, ou seja, do cume verdadeiro do Monte Roraima (veja o mapa abaixo).

Mapa do Monte Roraima. Observe as linhas de fronteira em amarelo e onde fica o marco da tríplice fronteira e a Pedra Maverick, ponto mais alto da montanha, que fica 100% na Venezuela.

Geralmente quando as montanhas são fronteiras entre países, estabelece-se o cume e os divisores de água como as divisões de território, mas isso não foi o que ocorreu no Monte Roraima. É por isso que esta montanha é tida como a sétima mais alta do Brasil, enquanto que, com os 2810 metros da Pedra Maverick, ela poderia ser a terceira ou a quarta, na dependência de soubermos se o 31 de Março é ou não é uma montanha.

A delimitação da fronteira no planalto do cume do Monte Roraima é controverso, pois ele se deu através do acordo de delimitação das fronteiras entre Brasil, Venezuela e Guiana, uma delimitação que remonta o século XIX. Tal delimitação chegou a ser acordada em 1901 na Inglaterra, onde os territórios foram divididos de acordo com as bacias hidrográficas correspondentes. A Venezuela tem a bacia do rio Orenoco, a Guiana, a do Essequibo, enquanto que a do Brasil, a do Amazonas.

Em 1904, descobriu-se que o rio Cotingo, que é um afluente do Rio Branco e portanto do Amazonas, não nascia no monte Yakontipu, mas sim no Roraima. Esta situação somente foi resolvida em 22 de abril de 1926 , por ocasião da assinatura de uma “Convenção Complementar” e de um “Tratado Geral de Limites”, que puxou as fronteiras do Brasil até Monte Roraima. Mas as águas do cume vertem para qual bacia? Sendo que no planalto há lagos e sumidouros que não vertem para nenhuma bacia hidrográfica?

Em 1932, o Brasil começou a construir marcos de fronteira na região, para deixar claro os limites. Foi neste ano que foi construído o famoso marco das 3 fronteiras na região do cume do Monte Roraima. No entanto, fica a pergunta: Por que o marco das 3 fronteiras foi construído onde foi e não em outro local? Por que, devido ao fato do cume não pertencer a uma bacia bem definida, ele não foi construído no topo da Pedra Maverick, sendo este o ponto mais alto da montanha?

Pedro Hauck no marco das 3 fronteiras no Monte Roraima.

Tendo em vista a data da construção do marco das 3 fronteiras no Monte Roraima ter sido numa época em que ainda nem se sabia que o Pico da Bandeira era mais alto que Agulhas Negras, teriam os topógrafos da época capacidade de determinar a altitude da Pedra Maverick e a partir disso e de critérios técnico científicos construir o marco no local onde realmente fica o ponto mais alta da montanha?

Eu não tenho as respostas para minhas perguntas. Imaginem a confusão, se o Brasil, com o governo de hoje, decide fazer uma revisão dos limites do país na região do cume do monte Roraima, tendo na presidência da Venezuela, a pessoa que está lá e tudo o que ambos personagens representam?

O que poderia acontecer?

Enfim, deixo em aberto meu questionamento e quem quiser se aprofundar nas leis, que fique a sugestão de pesquisar nos antigos documentos para saber se há território a mais que o Brasil tem direito, ainda mais num local tão especial como é o cume do Monte Roraima. Afinal, não seria nada mal sermos donos de uma parcela maior desta montanha incrível.

A Pedra Maverick (ao fundo) se destacando desde o planalto do cume do Monte Roraima. Foto Pedro Hauck.

Conclusões

Apesar de todo o avanço técnico, deslizamos em questão simples de conhecimento de nosso território não por falta de dados, mas sim de conceitos.

As inconsistências que citei neste artigo se deve ao fato de que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é mais “E” do “G”. Ou seja, na lista desta importante e respeitada instituição publica, só se leva em consideração a altitude (a estatística, por isso a crítica ao “E”) e não aos conceitos geográficos (o tão esquecido “G”).

Tenho grande respeito ao IBGE, no entanto, que fique a crítica registrada. Nos últimos concursos, quase não se admitem mais geógrafos, sendo esta uma clara consequência do pouco investimento em Geografia e do domínio da Matemática.

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Sobre o autor

Pedro Hauck natural de Itatiba-SP, desde 2007 vive em Curitiba-PR onde se tornou um ilustre conhecido. É formado em Geografia pela UFPR, possui mestrado em Geografia Física pela UFPR. Atualmente é sócio da Loja AltaMontanha, uma das mais conhecidas lojas especializadas em montanhismo no Brasil e também é guia de montanha pela agência GenteDeMontanha, sendo instrutor de escalada pela AGUIPERJ. Ao longo de mais de 22 anos dedicados ao montanhismo, já escalou mais 100 montanhas com mais de 4 mil metros, destas, mais da metade com 6 mil metros e um 8 mil do Himalaia. Visite o Blog de Pedro em www.pedrohauck.net. Siga ele no Instagram @pehauck

12 Comentários

  1. Obrigado, Pedro por colocar o meu ponto de vista do IBGE,mais E ou se preferir, IBgEEEEE…. postado no dia 17 DEZ e já conversamos sobre isso.

    E nós aqui, parte da geografia tupiniquim ainda discutindo se no Brasil temos ou não montanhas, estados sem uma minima lista de seus cumes, o IBGE cada vez menos G e muito E…e da-lhe desconhecimento orográfico, hipsométricos, de ambientes de montanhas e nos apegamos ainda há teorias refutadas há tempos…..

  2. Obrigado, Pedro por colocar o meu ponto de vista do IBGE,mais E ou se preferir, IBgEEEEE…. postado no dia 17 DEZ e já conversamos sobre isso.
    E nós aqui, parte da geografia tupiniquim ainda discutindo se no Brasil temos ou não montanhas, estados sem uma minima lista de seus cumes, o IBGE cada vez menos G e muito E…e da-lhe desconhecimento orográfico, hipsométricos, de ambientes de montanhas e nos apegamos ainda há teorias refutadas há tempos…..

  3. Pedro, um pequenos ingrediente, tempero nessa excelente abordagem que fez , vamos falar do Paraná ? Maack, antes de chegar aos 1922 m+/- 10 m para o Pico DO Paraná (veja suas publicações em 1942, 1968, 1972 se uso Pico Paraná (que pode ser qualquer um) ou Pico DO Paraná (logo, o dito, mas antes pela tecnologia da época, esteve em 1979 m, 1969, 1941…e ajustes foram feitos, a traves de pelo menos 4 meios distintos ele fez em JUL de 1941, até os 1922 +/- 10 m.

    O Sr Krelling, em 1991/1992 fez a medição que hoje aceitamos como Oficial, 1977,392 m . Da fonte http://www.dreampass.com.br :
    Em 1992 sua altitude foi aferida em 1.877,392 metros através do Sistema de Posicionamento Global por três equipes da Universidade Federal do Paraná, coordenadas pelo professor Paulo César Lopes Krelling, do curso de Pós-Graduação em Ciências Geodésicas Esta medida é adotada oficialmente desde então.

    Pois bem, o Vita conhece bem a história, ajudou na logística para as medidas, também no Pico Marumbi, mas o que salta aos olhos, é o Sr. Krelling e equipe, teve pouco tempo para usar o equipamento que retornava á Itália, apos medições nos Andes. O IBGE exige 3 intervalos de medidas, de no minimo 6 horas cada, para certificar, alem de processar a aquisição dos dados, conversões entre medidas do elipsoide (superfície hipotética da Terra, matemática para o geóide (ortométrica, o que colocamos, vemos em mapas, listas, etc. Assim, Pico Marumbi 1539.361 m.

    Mas em 2009, outro aluno, da UFPR, Perozzo dos Santos, fez novas medidas (Caratuba, Pico do PR e as primeiras de precisão do Tucum, Camapuã, Siririca, Itapiroca e Taipabuçu). Trabalho brilhante! E que pena (disponível na rede), poucos conhecem e há 4 anos entregamos ao CPM e para quem pediu. Mas ele acrescenta algo, tempo necessário, rigor técnico altíssimo e principalmente, para suas medições, reverencias, usou todas as estações padrões de referencias geodésicas, num raio de 500km !!!!(Curitiba, Campinas, Imbituva….várias) e achou um valor distinto do Sr.; Krelling. Normal, pelo que já dizemos.

    O IBGE usou para corrigir outras, suas antigas medidas, um novo modelo vigente até agora, o MapGeo2015. Se aplicarmos o mesmo, para a medida do Sr. Perozzo dos Santos, então chegaremos ao valor, mais provável, 1878.669 m. 1878.67 m, arredondando, 1878.7 (maioridade, 18, ARG papou a copa em, 78 e quantos dias a semana (para montanha) tem? 7)

    E agora José, Pedro? Qual usaremos? A oficial Krelling, 1992, ou aquela que deve ser a “mais provável”? Faz diferença 1.28 m ? 5 cm em “certos detalhes”, muita! Mas em montanhas? Não, muitos dirão, mas perdoe-me, vou contra o tsumani e provavelmente, se tiver sorte, vou ficar apenas 5 km da linha das marés, continente adentro.

    Fico com Perozzo dos Santos. Há uma medida final? Haverá. Até a crosta agitar-se um pouco, o meteorismo cizelar tudo, e possivel, que precisaremos ter medida indicada um modelo (qual), rocha apenas e pela data (variavel a correção, até o modelo imutável).

    Demais? Sim, assunto para anta-mores apenas, como essa que escreve isso.

    Vou usar “apenas” duas casas decimais.

    O Caratuba, ficou com 1856.79 m. Para o IBGE, marco na metade dos anos 1900, é 1856.49 m.

    O Siririca (você pede na praia, um ciri no ponto? (curioso que muitos homens, algumas mulheres…perderam-se no Siririca e logo “vizinho”, “perto relativamente” do Itapiroca -vem da LGB…pedra pelada…campina ao N.). O garçom, vai lhe trazer, alem de uns siris…o link para um dicionário digital e se tiver mais de 60 anos, chance de um físico, papel…) 1707. 34 m.

    Taipabuçu: 1734.89 m.

    Itapiroca: 1801.61 m .

    Tucum: 1741.o m.

    Camapuã: 1712.35 m.

  4. É mesmo interessante a discussão sobre melhores critérios para definir a significância vertical de uma feição orográfica qualquer… Mas não entendi seu argumento em relação ao IBGE, já que esta instituição não utiliza a palavra “montanha” no seu Anuário, e sim “pontos mais altos”. Além disso, é questionável vincular as altitudes desses pontos à Estatística e não à Geografia, pois a quantificação é tão essencial à Geografia Física quanto a qualificação… 😉

    • Allyrio, quantificação é importante e é o que estou fazendo. Não se trata apenas de ser pontos mais altos, pois após inumeras reclamações o IBGE removeu da lista o Pico do Calçado, que é um “ombro” do Pico da Bandeira. Além disso, para que fazer uma lista com pontos altos? Senão qualquer ressalto topográfico perto do Neblina deveria estar na lista e eles não colocaram o Pico Phelps e o Codorna, que são ombros como o Calçado e o próprio 31 de Março. Então por que também o 31 de Março está lá?
      É exatamente a resposta para esta pergunta que me levou a escrever este artigo. O motivo que alguns pontos estão e outros não é a subjetividade. Por isso proponho um conceito e um critério objetivo: A Dominância.
      Acompanhe os demais artigos para ver mais argumentos para a quantificação da lista atráves do conceito de montanhas pelo índice de Dominância.

      • Prezado Pedro, concordo contigo sobre a inadequação do critério que orienta a construção da lista do IBGE e sobre a proposta de uma alternativa muito mais objetiva para a quantificação consistente das elevações! Mas acho que o título, o texto e as conclusões do seu artigo não refletem o contexto que agora ficou claro, neste seu último comentário. O fulcro está justamente na discussão “para que fazer uma lista com pontos (mais) altos”, que, incluída no artigo, o enriqueceria bastante, complementando as excelentes reflexões sobre o maior significado da dominância topográfica.

  5. Ótimo assunto. É importante que o IBGE defina tecnicamente o conceito de montanha, e coloquemos um fim em distorções históricas que só atrapalham.
    Eu particularmente entendo por “montanha” aquele grande maciço que se destaca ao longe na paisagem. Assim, no meu entendimento, MONTANHAS de fato seriam aqueles maciços proeminentes como os de Itatiaia, Serra Fina, Caparaó e Imeri, apenas citando os quatro mais altos do País – os quais são erroneamente chamados de “serras” (já que serra é um conjunto mais extenso e abrangente de relevos).

  6. No anuário não constam picos importantes da Serra Fina como Pico do Avião medido 1706m por GPS, Asa, Ruah maior e menor os três com mais de 1600 m e o Pico Marinzinho. Não seria hora do IBGE inclui-los? Abraços

  7. No anuário não constam picos importantes da Serra Fina como Pico do Avião medido 2706m por GPS, Asa, Ruah maior e menor os três com mais de 2600 m e o Pico Marinzinho. Não seria hora do IBGE inclui-los? Abraços

  8. Olá Pedro. Comecei a acompanhar seus vídeos recentemente, sempre muito bons. Esse assunto da classificação de montanhas pela proeminência e índice de dominância me interessa bastante, em 2016 fiz uma análise comparativa dos principais MDEs globais da época usando como comparação um banco de dados de picos ultra-proeminentes (https://www.isprs-ann-photogramm-remote-sens-spatial-inf-sci.net/III-4/17/2016/)

    Queria deixar uma pequena correção ao texto e duas perguntas:

    – o RADAM Brasil não foi feito com dados de satélite, mas Radar aeroportado em aviões

    – tem como colocar os links dos trabalhos que você menciona (como o do Índice de Dominância)?

    – vamos pensar em uma re-análise desses picos/montanhas brasileiras com dados mais modernos como o TanDEM-X (12m de resolução) ou o CopernicusDEM (30m mas baseado no TanDEM-X)?

    grande abraço

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