O oitomilismo brasileiro

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Oitomilismo vem do ato de escalar montanhas acima de 8 mil metros, que são apenas catorze. Confira quais são abaixo:

  1. Monte Everest: 8 848 m, Nepal/China
  2. K2: 8 611 m, China/ Paquistão
  3. Kanchenjunga: 8 586 m, Nepal/ Índia
  4. Lhotse: 8 516 m, Nepal/China
  5. Makalu: 8 463 m, China/Nepal
  6. Cho Oyu: 8 201 m, China/Nepal
  7. Dhaulagiri:  8 167 m, Nepal
  8. Manaslu: 8 163 m, Nepal
  9. Nanga Parbat: 8 126 m, Paquistão
  10. Annapurna: 8 091 m, Nepal
  11. Gasherbrum I: 8 068 m, China/ Paquistão
  12. Broad Peak:  8 047 m, China/ Paquistão
  13. Gasherbrum II: 8 035 m, China/ Paquistão
  14. Shishapangma: 8 013 m, China/ Nepal

Waldemar Niclevicz no cume do Everest em 14 de Maio de 1995. Foto de Mozart Catão.

Escalar uma montanha de 8 mil metros requer experiência e muito preparo físico. Como todas as montanhas desta altitude estão no Himalaia, requer também um bom planejamento financeiro, já que se trata de expedições bastante onerosas. Também é necessário dispor de muito tempo, uma vez que para se aclimatar para uma altitude tão elevado, é necessários pelo menos 30 dias.

A história do Brasil nas montanhas de 8 mil metros começa na década de 1980, com a expedição do paulista Sérgio Beck ao Cho Oyu em 1988. O alto custo das expedições, a inflação elevada em nossa economia e moeda fraca, quase impossibilitou a existência de expedições deste tipo antes do plano real. A partir de 1995, com a conquista do Everest por Waldemar Niclevicz e Mozart Catão, as expedições às montanhas do Himalaia começaram a entrar em evidencia, mas quase sempre protagonizadas por Niclevicz, que ainda é o brasileiro com maior número de cumes de 8 mil.

:: VEJA MAIS: História do Brasil no Himalaia, por Rodrigo Granzotto Perón

O Everest, mesmo sendo o 8 mil mais caro, ainda é a montanha mais frequentada por brasileiros nesta lista, sendo que a partir dos anos 2010 passou a ser comum mais de um brasileiro no cume por temporada. Muitos brasileiros que atingiram este cume terminaram por encerrar suas atividades em montanha, por terem como objetivo apenas chegar ao ponto mais alto da terra, mas não de perpetuar uma carreira de montanhista. Este é o motivo pelo qual muitos nomes que estão na lista são hoje desconhecidos no meio do montanhismo brasileiro.

Por outro lado, diversos montanhistas consagrados com conquistas em montanhas em outras cadeias de montanhas, acabam não conseguindo arcar com o alto custo de expedições no Himalaia, motivo pelo qual nomes reconhecidos acabaram nunca chegando a fazer uma expedição a uma montanha de 8 mil metros.

Confira abaixo os brasileiros que fizeram cume em montanhas de 8 mil metros:

Everest – 8848 metros:

Data do cume, nome, estado, rota e se usou O2, observações.

  1. 14.05.1995,  Waldemar Niclevicz PR, Normal do Tibete, sim
  2. 14.05.1995, Mozart Catão, RJ, Normal do Tibete, sim
  3. 02.06.2005,  Irivan Gustavo Burda PR, Normal do Nepal, sim
  4. 02.06.2005, Waldemar Niclevicz PR, Normal do Nepal, sim, 1º pelos dois flancos
  5. 02.06.2005, Vitor Negrete, MG, Normal do Tibete, sim
  6. 18.05.2006, Vitor Negrete MG, Normal do Tibete, não, morto na descida
  7. 19.05.2006, Ana Elisa Boscarioli SP, Normal do Nepal, sim, 1º mulher
  8. 27.05.2008, Rodrigo Raineri, SP, Normal do Nepal, sim
  9. 27.05.2008, Eduardo Keppke SP, Normal do Nepal, sim
  10. 17.05.2010, Manoel Morgado, RS, Normal do Nepal, sim
  11. 17.05.2010, Cleonice (Cleo) Weidlich, AM, Normal do Nepal, sim
  12. 07.05.2011, Carlos Santalena SP, Normal do Nepal, sim
  13. 07.05.2011, Carlos Eduardo Canellas SP, Normal do Nepal, sim
  14. 10.05.2011, Rodrigo Raineri SP, normal do Nepal, sim, segundo cume
  15. ??.??.2011, Tatsuo Matsumoto***, JPN-RJ, normal do Nepal, sim. Mais idoso, fez cume com 71 anos.
  16. 19.05.2013, Karina Oliani SP, normal do Nepal, sim
  17. 21.05.2013, Rodrigo Raineri SP, Normal do Nepal sim (terceiro cume)
  18. 23.05.2013, Jefferson dos Reis, SP, normal do Nepal, sim
  19. 19.05.2016, Thaís Amadeu Pegoraro, SP, normal do Nepal, sim
  20. 19.05.2016, Carlos Santalena, SP, normal do Nepal, sim (segundo cume)
  21. 21.05.2016, Rosier Alexandre, CE, normal do Nepal, sim
  22. 21.05.2016, Cristiano Muller, RS, normal do Nepal, sim
  23. 16.05.2017, Adriano Freire, SP, normal do Nepal, sim
  24. 21.05.2017, Karina Oliani. SP, Normal do Tibete (segundo cume)
  25. 16.05.2018, Roman Romancini, DF, normal do Nepal, sim
  26. 19.05.2018, Henrique Franke, RS, normal do Nepal, sim
  27. 20.05.2018 Carlos Santalena, SP, normal do Nepal, sim (terceiro cume).
  28. 20.05.2018, Ayesha Zangaro, SP, normal do Nepal, mais jovem: 23 anos
  29. 20.05.2018, Renato Zangaro, SP, normal do Nepal, sim, pai de Ayesha.
  30. 21.05.2018, André Freitas, SC, normal do Nepal, sim
  31. 21.05.2018, Gilberto Thoen, RS, normal do Nepal, sim
  32. 22.05.2019, Juarez Soares, MG, normal do Nepal, sim
  33. 23.05.2019, Moeses Fiamoncini, PR, normal do Nepal, sim

:: VEJA: Planejamento Financeiro: Quanto custa escalar o Everest?
:: Trekking ao acampamento base do Everest
:: Expedição ao cume do Everest

K2 – 8 611 metros:

Data do cume, nome, estado, rota e se usou O2, observações.

  1. 29.07.2000, Waldemar Niclevicz PR, Esporão dos Abruzzos, não
  2. 25.07.2019, Maximo Kausch**, ARG, Esporão dos Abruzzos, sim
  3. 25.07.2019, Karina Oliani, SP, Esporão dos Abruzzos, sim, 1º mulher brasileira
  4. 25.07.2019, Moeses Fiamoncini, Esporão dos Abruzzos, não

Maximo Kausch e Karina Oliani na foto oficial de cume do K2

Sho Oyu – 8201 metros:

Data do cume, nome, estado, rota e se usou O2, observações.

  1. 12.09.1988, Sérgio Beck, SP, Rota Tichy não, 1° cume de oito mil brasileiro.
  2. 23.05.1998 Waldemar Niclevicz PR, Rota Tichy, não, cume em 3 dias apenas.
  3. 27.09.2003, Paulo Rogério Coelho, MG, Rota Tichy, não
  4. 25.09.2005, Ana Elisa Boscarioli, SP, Rota Tichy, sim, 1ª mulher brasileira em um 8 mil
  5. 04.10.2008, Maximo Kausch, ARG**, Rota Tichy, não
  6. 24.09.2009, Manoel Morgado, RS, Rota Tichy, sim
  7. 24.09.2009, Luís Antônio Felber, MG, Rota Tichy sim
  8. 24.09.2009, Lucas de Zorzi, SC, Rota Tichy, sim
  9. 24.09.2009, Cleonice (Cleo) Weidlich, AM, Rota Tichy, sim
  10. ??.??.2009, Tatsuo Matsumoto***, JPN-RJ, Rota Tichy, sim
  11. 24.05.2010, Maximo Kausch, ARG**, Rota Tichy, sim, segundo cume
  12. 21.05.2011, Maximo Kausch, ARG**, Rota Tichy, sim, terceiro cume
  13. 25.05.2012, Maximo Kausch, ARG**, Rota Tichy, sim, quarto cume
  14. 27.09.2013, Agnaldo Gomes, SP, Rota Tichy, sim
  15. 27.09.2013, Lizete Florenzano, SP, Rota Tichy, sim

Manaslu – 8156 metros:

Data do cume, nome, estado, rota e se usou O2, observações.

  1. 01.10.2010, Cleonice (Cleo) Weidlich*, AM, normal, sim
  2. ??.??.2012, Tatsuo Matsumoto***, JPN-RJ, norma, sim
  3. 25.09.2018, Moeses Fiamoncini, PR, normal, não
  4. 26. 09.2018, Bernardo Fonseca, RJ, normal, sim
  5. 26. 09.2018, Claudia Bento, SP, normal, sim
  6. 26. 09.2018, Pedro Hauck, SP, normal, sim
  7. 27.09.2019, Carlos Santalena, SP, normal, sim
  8. 27.09.2019, Eduardo Sartor, SP, normal, sim
  9. 27.09.2019, Chico Amaral, SP, normal, sim
  10. 27.09.2019, Henrique Franke, RS, normal, sim

Moeses Fiamoncini no cume do Manaslu

Lhotse – 8 516 metros:

Data do cume, nome, estado, rota e se usou O2, observações.

  1. 05.10.2002,  Waldemar Niclevicz PR
  2. 05.10.2002, Irivan Gustavo Burda PR

Makalu – 8 463 metros:

Data do cume, nome, estado, rota e se usou O2, observações.

  1. 11.05.2008, Waldemar Niclevicz
  2. 11.05.2008, Irivan Gustavo Burda

Gasherbrum II – 8 035 m:

Data do cume, nome, estado, rota e se usou O2, observações

  1. 10.07.1999, Waldemar Niclevicz, PR, não
  2. 27.07.2017, Marcos Costa, RJ, não

Shishapangma – 8 013 m:

Data do cume, nome, estado, rota e se usou O2, observações.

  1. 14.05.1998, Waldemar Niclevicz PR, não.

Gasherbrum I – 8 068 m:

Data do cume, nome, estado, rota e se usou O2, observações

  1. 05.08.2010, Cleonice (Cleo) Weidlich, AM, sim.

Kangchenjunga – 8 586 m:

Data do cume, nome, estado, rota e se usou O2, observações

  1. 21.05.2011, Cleonice (Cleo) Weidlich, AM, Face Sudoeste, sim, resgate na descida.
  2. 17.05.2014, Tatsuo Matsumoto***, JPN-RJ.

Dhaulagiri (8167m) – Nepal

Data do cume, nome, estado, rota e se usou O2, observações

  1. 26.05.2012, Cleonice (Cleo) Weidlich, AM, sim

Nanga Parbat – 8 126 m:

Data do cume, nome, estado, rota e se usou O2, observações

  1. 03.07.2019, Moeses Fiamoncini, PR, não

Brasileiros que mais fizeram cumes diferentes de 8 mil metros:

  1. Waldemar Niclevicz – 7 cumes
  2. Cleo Weidlich* – 6 cumes
  3. Moeses Fiamoncini – 4 cumes
  4. Tatsuo Matsumoto*** – 4 cumes
  5. Irivan Burda – 3 cumes
  6. Manoel Morgado – 2 cumes
  7. Carlos Santalena – 2 cumes
  8. Henrique Franke – 2 cumes
  9. Karina Oliani – 2 cumes
  10. Ana Elisa Boscarioli – 2 cumes
  11. Maximo Kausch** – 2 cumes

Brasileiros que mais fizeram cumes (contando os repetidos):

  1. Waldemar Niclevicz – 8 cumes
  2. Cleo Weidlich* – 6 cumes
  3. Maximo Kausch** – 5 cumes
  4. Carlos Santalena – 4 cumes
  5. Moeses Fiamoncini – 4 cumes
  6. Tatsuo Matsumoto*** – 4 cumes
  7. Irivan Burda – 3 cumes
  8. Karina Oliani – 3 cumes
  9. Rodrigo Raineri – 3 cumes

*Cleo Weidlich tem diversas escaladas contestadas. Não é nosso papel julgar se ela fez ou não fez cume. No entanto é importante salientar suas polêmicas. Abaixo há artigos que tratam melhor destas histórias:

http://www.extremos.com.br/Blog/Editor/160609_o_caso_cleo_weidlich/
https://altamontanha.com/mais-controversias-quantas-montanhas-de-8-mil-metros-tem-cleo-weidlich/

Estrangeiros em nosso montanhismo

Em nossa lista consideramos dois montanhistas estrangeiros que vivem no Brasil. O critério da inclusão deles é o fato de serem personalidades que figuram entre nós e que, apesar de terem nascido em outro país, eles começaram a praticar montanhismo por aqui, sendo fruto de nosso montanhismo. Este critério exclui o montanhista Michel Vicent, que nasceu no Brasil, mas nunca morou em nosso país e tão pouco fala português.

** Maximo Kausch nasceu na Argentina mas mudou-se para o Brasil com 8 anos de idade. Ele é radicado no Brasil, mas não naturalizado.

*** Tatsuo Matsumoto nasceu no Japão mas vive em Teresópolis. Ele imigrou há décadas para o Brasil. Foi aqui que ele despertou, a partir dos anos 2000, paixão incrível pelas montanhas mais elevadas, e destacou-se na busca pelos Sete Cumes, aventura concluída em 2011. Além dele ter escalado 4 montanhas de 8 mil metros, chegou ao falso cume do Shishapangma (cume central) e tentou escalar o Makalu.

:: VEJA MAIS: Brasileiros nas montanhas de 6 mil metros nos Andes

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Sobre o autor

Redação - AM

Texto publicado pela própria redação do Portal.

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